FactorX

Talent Shows: os melhores entre os melhores

São vários os programas que já passaram pela televisão portuguesa à procura dos maiores talentos do país. Ninguém escapou à febre dos talent shows. Com mais ou menos sucesso, foram vários os que marcaram o horário nobre. Aqui destacam-se os merecedores pela qualidade que demonstraram.

São os candidatos, os jurados, os apresentadores. É o formato, a produção, o conteúdo musical. Os fatores que transformam um programa no que ele é são vários, e tanto podem indicar o caminho para o sucesso entre o público, como podem condená-lo ao fracasso. Falamos agora dos cinco formatos que mais marcaram o mundo dos programas caça-talentos na televisão portuguesa.

OPERAÇÃO TRIUNFO

Adaptado do programa espanhol Operación Triunfo, o formato da RTP teve quatro edições entre 2003 e 2011. Neste formato, os concorrentes selecionados frequentam uma escola de música, no regime de internato, apresentando nas galas o resultado do trabalho da semana. Sujeitos à avaliação do júri, do público e dos próprios colegas, são semanalmente confrontados com a possibilidade de abandonar a competição.

OperaçãoTriunfo

Produzido pela Endemol e transmitido na RTP1, não foi constante no sucesso. Se as duas primeiras edições cativaram os portugueses, a última já passou praticamente despercebida. A reestruturação que o programa sofreu influenciou em muito a queda do sucesso.

Catarina Furtado, apresentadora das duas primeiras edições, deixou o lugar a Sílvia Alberto, que ficou encarregue das duas seguintes. O júri inicial – Jaime Fernandes, Bernardo Barata e Paulo Sousa Martins – também foi substituído. Na terceira edição por Ana Bola, Nuno Markl, Patrícia Vasconcelos e Zé da Ponte e na quarta por Rui Baeta, Rui Massena e Sandra Faria.

Não se pode afirmar que tenha perdido a qualidade que tinha, mas Operação Triunfo perdeu muita da sua identidade com as mudanças feitas. Apesar disso, foi um programa que marcou a televisão portuguesa essencialmente pelos excelentes concorrentes que tinha, pelo bom espetáculo musical que oferecia nas galas e, claro, pelo facto de ser realmente uma escola de música e não somente um programa de televisão.

ÍDOLOS

Transmitido pela SIC e produzido pela Fremantle Media Portugal, foi uma adaptação do programa britânico Pop Idol. A versão portuguesa teve cinco edições, transmitidas entre 2003 e 2012.

Ídolos

As duas primeiras edições, apresentadas por Sílvia Alberto e Pedro Granger, foram o auge do Ídolos. Luís Jardim, Ramón Galarza, Sofia Morais e Manuel Moura dos Santos formavam um júri que oferecia muito ao programa. Competente e com a voz de quem realmente sabe do que fala, podiam dar-se ao luxo de acrescentar as picardias e os conflitos – naturais ou forçados – para animar o público. Era o exemplo ideal do equilíbrio entre a honestidade desmedida e a honestidade com limites. Claro que a qualidade de concorrentes como Nuno Norte, Luísa Sobral ou Sérgio Lucas provou que este programa valia a pena.

Nas edições seguintes, Cláudia Vieira e João Manzarra apresentaram o concurso. Conhecidos do público, mas ainda pouco experientes na área da apresentação, funcionaram bem. O pouco à vontade e a falta de naturalidade de Cláudia foram bem disfarçados pela diversão e talento natural de Manzarra que, sem dúvida, acrescentou muito ao programa e se tornou uma mais-valia. Manuel Moura dos Santos, Roberta Medina, Laurent Filipe e Pedro Boucherie Mendes formaram o novo júri e essa mudança tirou ao Ídolos muito do que eram. Picardias forçadas, avaliações pouco profissionais e comentários negativos demasiados repetitivos tornaram estas duas edições mais fracas. Um defeito que conseguiu ser ultrapassado pela excelência de concorrentes como Filipe Pinto e Diana Piedade.

E se na quarta edição os concorrentes disfarçaram os defeitos, na quinta e última edição foram mesmo, a par com João Manzarra, a tábua de salvação. Bárbara Guimarães, Tony Carreira e Pedro Abrunhosa foram os jurados que se juntaram a Manuel Moura dos Santos e a verdade é que realmente não funcionou. Avaliações sem conteúdo e falta de ligação entre os jurados tornaram o júri num elemento de fracasso, quando é um dos elementos que deve levar o programa ao sucesso.

Um menos para a mudança de jurados, mas sem dúvida que Ídolos merece destaque pelos extraordinárias galas que ofereceu ao público e pelo excelente trabalho dos apresentadores.

FACTOR X

Adaptado do britânico The X Factor, o formato é produzido em Portugal pela Fremantle Media e transmitido pela SIC. E é, sem dúvida, um dos programas mais injustiçados na televisão portuguesa. Transmitido desde outubro de 2013 até ao presente, não tem tido o sucesso que merece. Se a razão para isso é a concorrência no mesmo horário ou a perda de qualidade que o programa sofre na televisão, é difícil dizer. Um facto é que há pouco – ou nada – de negativo a apontar.

FactorX

O júri é de excelência: Paulo Junqueiro, Paulo Ventura e Sónia Tavares são os nomes que provam que a qualidade se pode reunir com a sinceridade e as picardias “fingidas”; são o exemplo de que honestidade não exige agressividade, ofensas nem faltas de respeito. Os apresentadores são do melhor: a veterana Bárbara Guimarães acompanhada por João Manzarra dá ao programa muito do que ele é. A cumplicidade visível que têm com os concorrentes, a simpatia pelo público e o profissionalismo que já os carateriza são a prova que a escolha não podia ter sido mais acertada.

Uns com maior noção de espetáculo do que outros, é verdade, mas os concorrentes são de qualidade: Berg, Mariana, Diogo ou D8 mostram que ainda vale a pena continuar a procurar talentos em Portugal. Claro que o apoio de um público incansável é fundamental. O programa pode durar mais de duas horas, mas as claques começam a manifestar-se antes mesmo de ele ter início e não mostram cansaço em momento algum.

Com um cenário e um palco grandiosos, um júri e apresentadores de excelência, concorrentes cheios de talento e um público apaixonado pelos seus ídolos, o Factor X é sem dúvida dos melhores talent shows que já passaram pela televisão portuguesa. Com poucas galas pela frente, resta esperar que lhe seja atribuído – através das audiências – o mérito que merece.

PORTUGAL TEM TALENTO

Transmitido pela SIC e produzido pela Fremantle Media, é uma adaptação de Britain’s Got Talent. Apresentado por Bárbara Guimarães, o formato foi diferente no sentido em que não se limitava a procurar um talento na área da música, mas sim em qualquer área. Transmitido entre janeiro e abril de 2011, foi acompanhado pelos jurados Ricardo Pais, Conceição Lino e Zé Diogo Quintela.

PortugalTemTalento

Portugal Tem Talento agradou ao público e trouxe à SIC vitórias nas audiências do horário nobre de domingo. É fácil perceber como conseguiu conquistar os portugueses. A diversidade de talentos inovou na área dos talent shows. Não foi “mais do mesmo”, não foi “apenas” mais uma competição musical. Foi um programa onde todos aqueles que fossem especialmente bons a fazer algo, podiam concorrer e dar provas do que valem – música, dança, ginástica, beatbox ou interpretação. Todos eram aceites neste concurso.

Foi um programa que venceu mesmo pela inovação e pela excelente produção. O júri nunca foi um elemento forte, mas os concorrentes compensaram.

A VOZ DE PORTUGAL

Baseou-se no programa holandês The Voice of Holland e foi adaptado a Portugal por Pedro Curto e PietHein Bakker. Transmitido pela RTP1 entre outubro de 2011 e fevereiro de 2012, não obteve o reconhecimento merecido (até agora!). Apresentado por Catarina Furtado, tinha um júri composto por Paulo Gonzo, Mia Rose, Anjos e Rui Reininho.

AVozdePortugal

Diferente de todos os outros formatos de caça-talentos transmitidos em Portugal, valoriza apenas um fator nos candidatos: a voz. Numa primeira fase, os concorrentes são escolhidos pela prestação vocal que fazem, já que os jurados estão de costas voltadas durante a atuação. A aparência, o estilo, a forma de estar no palco são elementos que, pelo menos inicialmente, não contam para avaliação.

Com uma apresentadora veterana, um júri de extrema competência e concorrentes de alto nível, o programa tinha tudo para ser um sucesso… mas não foi. De qualidade inquestionável, foi lamentável a falta de adesão por parte do público. Não cativou e as audiências não foram o esperado. Pode ser que a segunda edição seja capaz de convencer.

http://youtu.be/6VNWI1807lw

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