O cinema francês começa, a pouco e pouco, a ganhar espaço nas salas portuguesas. Esta semana chega ao nosso país o filme Dupla Catástrofe. O título original é Eyjafjallajökull, o inenarrável nome do vulcão que paralisou a Europa em 2010. Aqui para as vidas de Alain e Valérie, um casal de meia-idade que há vários anos se divorciou e que, em comum com o vulcão, tem o mau ambiente que deixa por onde quer que esteja.

A dupla-catástrofe da história acaba por se juntar, sem querer, num voo rumo à Grécia, onde a filha dos dois, Cécille, se vai casar. Tudo vai bem, até que o supracitado vulcão entra em ação e ajuda a que muitas peripécias aconteçam. Para chegar a tempo à cerimónia, o par acaba por ter de se juntar. A partir daqui, o que se espera: muitos imprevistos, juntos a um ódio visceral e a uma incompatibilidade tão grandes que nos levam a pensar como é que algum dia as duas personagens principais puderam ter sido um casal.

Um Porsche desfeito, o roubo de um carro da polícia, uma igreja móvel liderada por um ex(?)-psicopata ou mesmo um avião desviado por este casal desavindo são presenças numa história de gato e rato a grande ritmo, que tanto está feita para as gargalhadas como para os sorrisinhos cúmplices.

O realismo não é o forte da película de Alexandre Coffre, que é uma comédia pouco romântica e farta em non-sense, composta daquilo que o amor também deve ser de vez em quando. Um filme que nunca tem lamechice enjoativa, com dois protagonistas muito carismáticos e cheios de química.

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Valérie Bonneton, num papel homónimo que lhe fica a matar, oferece-nos os momentos mais engraçados da hora e meia de presença na sala de cinema, mas o Alain do carismático Dany Boon não fica muito atrás, a não ser de forma literal, quando é transportado na mala do carro. Sim, o mesmo que eu já disse que acaba destruído.

Enredo à parte, a falta de aviões ajuda a que tenhamos aqui um bom exemplo de roadtrip movie, desfilando por uma Europa de paisagens deslumbrantes, muito valorizada pela boa fotografia de Pierre Cottereau e acompanhada pela enérgica e empolgante banda sonora de Thomas Russel. Para ouvir de vidros abertos e em boa companhia. Se ao início a viagem parece ter tudo para correr mal, acaba por se fazer muito bem e sem sobressaltos. No fim só podemos estar felizes com o que fomos descobrindo.

É saudável, agradável e simpático, mas não traz nada de novo ao panorama dos filmes de casais com esqueletos no armário. Peca por não apostar mais no envolvimento das personagens, que psicologicamente são pouco densas ou verosímeis, o que de vez em quando nos faz notar que estamos apenas perante mais uma peça de cinema industrial. Mas não nos levemos demasiado a sério, porque não é a complexidade que nos faz gostar do filme, muito pelo contrário. Isto é só diversão. Em 2014, o mito de que o cinema francês é chato já está desfeito. São filmes como este que contribuem para isso.

7/10

Ficha Técnica:
Título Original: Eyjafjallajökull
Realizador: Alexandre Coffre
Argumento: Laurent Zeitoun, Yoann Gromb e Alexandre Coffre
Elenco: Valérie Bonneton, Dany Boon, Denis Ménochet, Albert Delpy, Bérangère McNeese
Género: Comédia
Duração: 92 minutos