DiCaprio - Wolf of Wall Street
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Leonardo DiCaprio: 5 grandes personagens

Na semana em que O Lobo de Wall Street, a quinta colaboração entre o realizador Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio, estreia nos Cinemas, recordamos alguns dos melhores desempenhos do ator americano.

Em 1998, ninguém diria que o rapaz que co-protagonizou Titanic com Kate Winslet viria a ser um dos atores mais conceituados de Hollywood (e não só pelo lado dos mexericos). Ao longo dos últimos anos, Leonardo DiCaprio tem construído uma carreira surpreendente e que mostra as várias facetas de um talento que vale a pena ser descoberto. E muitos contestam o facto de, até hoje, DiCaprio não ter recebido mais do que nomeações aos Oscars da Academia (a terceira e última foi pelo filme Diamante de Sangue – e essa nem é uma das suas melhores prestações). Mas a carreira deste ator versátil e brilhante não se pode reduzir à ausência de prémios, e são muitas as personagens marcantes e intemporais que interpretou no Cinema e que já fazem parte do imaginário cultural da contemporaneidade. Aqui recordamos, por ordem cronológica, cinco grandes performances do ator que vale a pena verem… ou reverem.

1. – Apanha-me Se Puderes [2002]

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Depois de, no mesmo ano, DiCaprio ter assinado a sua primeira colaboração com Martin Scorsese, no filme Gangs de Nova Iorque, o projeto seguinte seria mais uma prova de que o ator queria experimentar novos caminhos, não se reduzindo apenas ao estatuto de “menino bonito” que o marketing de Hollywood tanto publicitava. Apanha-me Se Puderes foi realizado por Steven Spielberg e é baseado na história verídica de Frank Abagnale que, antes do seu 19.º aniversário, conseguiu elaborar uma das maiores fraudes do século passado, enganando com as suas vigarices várias pessoas e empresas, através de vários planos engenhosos e de esquemas complicados, como a falsificação de cheques, que utilizou para obter dinheiro da Pan American World Airways.

O filme faz um paralelo entre este jovem ladrão e o polícia que o persegue (interpretado por Tom Hanks), e aqui podemos ver uma notável química entre ambos os personagens. DiCaprio usa a sua aparência juvenil e aparentemente inocente para nos dar um retrato complexo e revelador de um homem que conseguiu enganar tudo e todos, fazendo-se passar por diversas figuras e empregos. O que parece superficial nesta sua interpretação é apenas uma máscara que Abagnale usava para esconder toda a sua odisseia criminal, e este foi um dos primeiros passos para papéis posteriores do ator, que revelariam ainda mais a sua versatilidade.

2. – O Aviador [2004]

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É uma das interpretações mais perturbantes de Leonardo DiCaprio, mas infelizmente, não costuma ser uma das mais recordadas: dois anos depois de Apanha-me Se Puderes, o ator volta a ser dirigido por Martin Scorsese (num filme que seria realizado pelo veterano Michael Mann, que decidiu ser apenas o produtor e entregar o projeto a Scorsese) para contar as histórias da vida mais ou menos secreta de Howard Hughes. Produtor de filmes (e destruiu um estúdio emblemático dos EUA, a RKO Radio Pictures), admirado por várias mulheres e apaixonado pela aviação, esta é uma das personalidades mais enigmáticas e estudadas do século XX americano.

O filme centra-se nas origens de Hughes, na construção do seu império (cinematográfico e não só) e na forma como lidou com os seus opositores.  A obra foi um desafio ainda mais importante para DiCaprio porque, aqui, o ator teve de perceber os problemas mentais de Hughes e as várias psicoses que sempre o acompanharam no sucesso e no fracasso do seu percurso de vida. É uma performance admirável não só porque o intérprete conseguiu captar a essência biográfica do seu modelo, como também por ter elaborado, com coragem e muita inteligência, uma personagem difícil de compreender, e que ainda hoje nos suscita tantas dúvidas e enigmas. Ganhou o Globo de Ouro com este trabalho, que lhe valeu também a segunda nomeação para os Oscars, a primeira na categoria de Melhor Ator Principal (a anterior foi em 1989, por Melhor Ator Secundário em Gilbert Grape).

3. – Revolutionary Road [2008]

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Já em 2008, com este filme realizado por Sam Mendes e baseado no livro homónimo de Richard Yates, é que Leonardo DiCaprio não conseguiu uma nova nomeação. Em Revolutionary Road, o ator voltou a contracenar com Kate Winslet, praticamente dez anos depois de Titanic. Neste poderoso drama social e romântico, os dois não interpretam, felizmente, personagens semelhantes ao par romântico que encarnaram no filme de James Cameron. Aqui encontramos um casal que, entre acesas discussões, tenta encontrar um rumo digno para a sua vida, longe dos convencionalismos da vida quotidiana, tentando concretizar os desejos que a realidade despreza.

Talvez seja a interpretação de maior intensidade dramática de DiCaprio, que aqui nos brinda com uma personagem indecisa consigo própria, e que pode, afinal, não estar assim tão disposto a correr atrás dos impossíveis que tanto quer alcançar. O filme dividiu opiniões, e hoje é amado por uns e detestado por outros. Mas uma coisa é certa: aqui, a química entre a dupla é admirável. Sem o lado bonitinho de Titanic (porque aqui filmam-se as relações humanas da maneira mais pura possível), os dois atores exprimiram as suas emoções e os seus talentos inigualáveis com uma narrativa que faz parte da sociedade, e que tem muito para dizer a cada um de nós.

4. – A Origem [2010]

Inception

É um dos filmes mais aclamados deste século e uma das narrativas mais labirínticas do Cinema contemporâneo, mas não é por isso que o personagem de Leonardo DiCaprio, protagonista neste A Origem, está incluída nesta lista. Aqui, e também muito auxiliado pela banda sonora de Hans Zimmer, o ator dá-nos uma das suas interpretações mais íntimas e profundas, sem precisar de ser tão expressivo como noutros filmes. O épico de ficção científica escrito e realizado por Christopher Nolan fala de sonhos e do puzzle que envolve a ilusão dos mesmos e a confusão que a personagem de DiCaprio faz com a sua vida real e as mágoas do passado que ainda se fazem sentir no presente.

Os aspetos técnicos e criativos desta fita foram todos nomeados para os prémios da Academia, que mais uma vez se esqueceu de DiCaprio. Mas vale a pena ver ou rever Inception e atentar nos pormenores da performance do ator, que vão para lá das diversas explicações que nos faz daquele complexo mundo criado por Nolan. A intimidade de Cobb é muito bem explorada pelo seu intérprete, que soube tornar muito humana uma personagem com capacidades e características que vão para além da nossa imaginação.

5, – Django Libertado [2012]

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O mais recente filme de Quentin Tarantino, um western explosivo sobre a escravatura, surpreendeu muitos e desiludiu muitos outros, mas não conseguiu deixar ninguém indiferente. A surpresa, e que à qual ninguém pode negar, é o papel secundário que Leonardo DiCaprio interpretou nesta história de injustiças e vinganças, numa época conturbada dos EUA. Aqui, ele é Calvin Candie, o carismático e autoritário proprietário de Candyland, uma das maiores plantações de algodão do Mississipi, onde muitos escravos trabalham – e entre eles, encontra-se a mulher do herói do filme, Django (Jamie Foxx).

É mais uma prova de que não há limites para o talento de DiCaprio, que no filme arrasa ao interpretar este vilão com o seu quê de irascível, de louco e de inconsequente, que não olha a meios para atingir as duas diabólicas ambições. Uma das personagens mais radicais e arriscadas interpretadas pelo ator e, sem dúvida, uma das mais conseguidas da sua carreira. Ele também tem pinta a fazer de mau da fita…

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