O dia-a-dia de um centro de acolhimento temporário para jovens serve de mote a Temporário 12, onde mergulhamos profundamente na intimidade de jovens e técnicos. Apesar dos inevitáveis clichés, Destin Cretton traz um filme que se distingue pela proximidade com o espectador, que irá viver de perto dramas muito reais, entrando na intimidade e esforçando-se por compreender o que vai na cabeça destes jovens problemáticos ou com um passado turbulento.

Grace (Brie Larson) dedicou a sua vida a ajudar estes miúdos. Comprometida com o seu emprego e apaixonada pelo seu colega Mason (John Gallagher Jr.), continua porém a debater-se com o seu próprio passado conturbado quando descobre que a sua vida está prestes a mudar para sempre. Ao mesmo tempo, dá entrada nas instalações uma jovem que tem sido constantemente transferida entre instituições, devido ao seu comportamento perigoso. Quase imediatamente, cria-se uma ligação entre ambas. Mas se Grace conseguisse confiar e falar com Mason da mesma forma que encoraja aqueles jovens a fazê-lo, conseguiria encontrar uma maneira de fazer as pazes com o passado, ao mesmo tempo que apoia aqueles que mais dependem dela.

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O que Temporário 12 poderia perder no seu argumento pouco original – já que são inúmeros os filmes sobre jovens problemáticos -, ganha na proximidade e na forma intima como entramos na vida destas personagens (a câmara irrequieta – que pode incomodar muita gente, mas a que depressa nos habituamos – muito contribui para esta intrusão). Iremos partilhar dos seus dramas e emocionar-nos com a crueldade do seu passado.

Ao acompanhar o quotidiano daquela instituição conhecemos os jovens e criamos empatia especialmente com três personagens: Grace, Jayden e Marcus. Cada um com o seu passado doloroso de recordar mas impossível de esquecer, com as suas demasiado fortes implicações no presente, e dificuldade em construir um futuro. Mas também não ficaremos indiferentes ao fugitivo Sammy ou ao provocador Luis. É nas personagens e nas suas histórias que se constrói o valor de Temporário 12.

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Mas as temáticas complicadas seriam impossíveis de abordar com o presente realismo sem os actores, em especial Brie Larson, Kaitlyn DeverKeith Stanfield – todos eles a merecer nomeações para os Oscars. Os três com desempenhos acima da média, comovem-nos pela força das suas interpretações, do seu sofrimento interior, pela impossibilidade de exteriorizar por palavras tudo o que os atormenta, os seus medos, as suas revoltas.

Temporário 12 distingue-se pela simplicidade e, todavia, pela avalanche de emoções difíceis de digerir que traz consigo. E ainda que o final possa não ser o esperado pela maioria dos espectadores, faz bem o equilíbrio com o todo, porque, pelo menos aqui, tudo é temporário.

7.5/10

Ficha Técnica:

Título Original: Short Term 12

Realizador: Destin Cretton

Argumento: Destin Cretton

Elenco: Brie Larson, Kaitlyn Dever, Keith Stanfield, John Gallagher Jr., Rami Malek, Alex Calloway, Kevin Hernandez

Género: Drama

Duração: 96  minutos

Crítica escrita por: Inês Moreira Santos

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945