projeto pedal

Ausência de civismo é obstáculo a superar pela bicicleta

Ler ao mesmo tempo que se anda de bicicleta só Ana Galvão o consegue. Essa habilidade foi possível em televisão, na série Felizes Para Sempre, que protagoniza ao lado do marido Nuno Markl, mas a radialista afirma que talvez até o conseguisse fazer “nas calmas.” Utilizadora diária deste meio de transporte alternativo, Galvão não sabe números concretos, mas nota uma diferença em Portugal: a utilização da bicicleta aumentou.

Pontual, a locutora sobe a rampa da estação da Parede, pelas 11 da manhã, pronta para uma viagem até Carcavelos. Enquanto percorre a marginal, Ana Galvão confessa que “é o vento e a sensação de liberdade” que a conquistam. “És maluca!”, dizem-lhe colegas da Antena 3. Atualmente em mudança de casa, Galvão tem um filho, uma carreira na rádio, e apoia várias iniciativas, mas encontra tempo para fazer o seu dia-a-dia de bicicleta já há três anos.

A sua experiência diz-lhe que “é importante reeducar, a começar pelos mais novos”, realçando que falta civismo aos portugueses dentro do carro – “são pequenos monstros” – o que contrasta “com a simpatia caraterística.” Opinião partilhada por Pedro Silva que criou a iniciativa Partilhe a Via, para sensibilizar os portuenses quanto à sinistralidade, e fez um estudo em que concluiu que “a probabilidade de chegarmos aos condutores é muito superior se for através dos filhos”, pelo que é a favor das campanhas no ensino básico.

Praticante de BTT há 20 anos, o responsável do Projeto Pedal, com sede no Porto, evolução da iniciativa inicial, que os direitos conquistados em julho fazem parte “do início de uma luta.” O ativista pró-bicicleta de 34 anos crítica o incentivo à agressão aos ciclistas, referindo-se às declarações do presidente do Automóvel Club de Portugal, Carlos Barbosa, quando a nova lei do Código da Estrada foi aprovada, em que o responsável exige a obrigatoriedade de um seguro obrigatório para ciclistas: “não era literal, mas nas mensagens subliminares…”

Hábito ou moda? Pedro Silva tem uma certeza: “a bicicleta multifacetada representa a esperança do Homem atual.” 

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