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Atrás das câmaras do ‘Factor X’

A sala estava completamente lotada. A azáfama da produção era evidente. Uma correria frenética dos vários elementos da equipa para encontrar lugares para as muitas pessoas que faltavam entrar nos estúdios da Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos. Muitas acabaram por ficar sentadas nas escadas, umas coladas às outras. Todas, sem exceção, ansiosas pelo espetáculo.

Primeiro ponto a favor: o estúdio é imponente e a projeção de som é, sem dúvida, muito mais poderosa ao vivo. Casa cheia, um público vibrante, a gritar desenfreadamente pelos seus candidatos.

Aparece uma Bárbara Guimarães com postura simpática e tranquila, no entanto, com alguma fragilidade facilmente compreensível pelos recentes acontecimentos. Apesar disso, era notória a cumplicidade com os concorrentes: divertia-se com as suas atuações e felicitava-os nos bastidores. João Manzarra espelha segurança de quem sabe o que está a fazer, não se atrapalha, assume o comando com o profissionalismo que já lhe é reconhecido.

Há concorrentes claramente mais à vontade com o palco do que outros. D8 domina completamente a cena, agarra o público. Até quem não tem no rap o seu género preferido se deixa contagiar. É fácil engraçar com o jeito descontraído do miúdo, que também apela às emoções pelas letras das canções e pela forma guerreira como as entoa – fator importante para captar a ternura do espetador.

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O swing e a sedução, sem egos desmedidos, é algo que agrada. A emoção é sempre um elemento que encanta o espetador, e a equipa do Factor X sabe isso muito bem. E, sobretudo, quem está em casa a assistir cheira logo quem é genuíno e quem não é. Não vale a pena tentar enganar os espetadores. A simplicidade de Mariana agarra qualquer um e não desaparece quando sai de cena. Ela brilha por si própria, sem grande maquilhagem.

O entusiasmo do público presente ajuda muito na prestação dos concorrentes. Os X4U são um exemplo disso, embora se note que uns gostam mais das luzes das câmaras do que outros. Diogo é a prova de que um artista é a soma de um conjunto, que nem sempre se verifica: boa voz, presença e imagem. Nota-se algum desconforto em palco, perante tantas pessoas e tantas câmaras ao seu redor. Na maioria das vezes, o trabalho da realização disfarça alguma falta de noção televisiva, mas ao vivo há lacunas que não passam despercebidas.

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A escolha dos três jurados foi uma opção super inteligente da Freemantle e da SIC. Paulo Ventura, Paulo Junqueiro e Sónia Tavares são inteligentes por si só e sabem o que funciona em televisão. A representação do conflito e das picardias constantes abonam a seu favor e cativam o espetador, mas não passam disso mesmo: representação. Fora das câmaras, a amizade entre os três não deixa dúvidas.

No saldo total, o Factor X é um programa que está bem feito e cumpre aquilo a que se propõe: entreter, emocionar q.b. e proporcionar um bom espetáculo. Mais cativante ao vivo, sem dúvida.

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