Agatha Christie

Agatha Christie: Top 5

Conhecida como “Rainha do Crime”, Agatha Christie (1890 – 1976) é a mais conhecida autora do género policial, revolucionando a literatura do século XX. Os seus livros, não só nos dão a conhecer a História de um século em mudança, como nos apresentam crimes ficcionais e as respectivas investigações, sempre marcadas pela genialidade e imprevisibilidade. São obras que, sem excepção, cativam o leitor do início ao fim, marcadas por finais verdadeiramente imprevistos e chocantes.

Christie foi também criadora de uma das mais conhecidas personagens da literatura internacional: Hercule Poirot, o detective belga que surge em 33 dos 66 romances policiais da autora, bem como em inúmeras short stories. As suas obras deram origem a famosas adaptações de rádio, teatro, cinema e televisão, algumas delas bem recentes – como é o caso da famosa série Agatha Christie’s Poirot, que terminou em novembro deste ano.

Aqui deixamos uma lista daqueles que podem ser considerados 5 dos melhores livros de Agatha Christie. Caso nunca tenhas mergulhado na literatura policial, estas são boas propostas para começares:

 1.       And Then There Were None (As Dez Figuras Negras)

Dez indivíduos são convidados para um jantar numa ilha cujo único residente é o misterioso Mr. Owen. Em cada um dos seus quartos, os sujeitos encontram um poema que relata o desaparecimento de “dez meninos negros”. Na hora da cerimónia, o anfitrião não aparece; ao invés, os convidados são recebidos por uma voz que os acusa a todos de terem cometido um crime no passado. No centro da mesa de jantar, encontram-se dez estatuetas negras. A primeira vítima morre nessa mesma noite, o que leva os convidados a pensar: quem é Mr. Owen? Terá sido ele o autor do crime? Se sim, porque o terá cometido? À medida que a trama avança, apercebemo-nos de que as mortes coincidem com os desaparecimentos relatados no poema dos dez meninos negros; e mais: cada vez que uma vítima é atacada, uma estatueta desaparece da mesa. Os convidados começam a desconfiar uns dos outros, acreditando que Mr. Owen é, no fundo, um dos dez presentes. A história avança num ritmo frenético e os sujeitos vêem-se presos numa ilha da qual não há saída possível.

Este livro prende-nos das mais diversas formas. O leitor sente-se tentado a descobrir a verdadeira identidade de Mr. Owen, apreciando a forma brilhante como as mortes ocorrem de acordo com o misterioso poema. Será que algum dos dez convidados sairá vivo deste massacre? Será um deles, de facto, o assassino? É uma narrativa excepcional, com um final verdadeiramente inesperado, elaborado da forma mais detalhada e genial possível, muito digna de Agatha Christie.

As Dez Figuras Negras

 2.       Murder on the Orient Express (Um Crime no Expresso do Oriente)

O que parecia ser uma simples viagem de comboio para Hercule Poirot, tornou-se em mais uma das suas investigações quando um dos passageiros é encontrado morto no seu compartimento. Aproveitando o facto de o comboio estar parado devido a uma tempestade, o detective belga parte imediatamente em busca de pistas, entrevistando os restantes doze indivíduos que se encontram no comboio. À medida que a obra se desenrola, Poirot descobre que todos os doze sujeitos tinham, na verdade, um motivo para querer a vítima morta. Encontrando-se num impasse, o detective vê-se obrigado a formular várias hipóteses: terá apenas uma pessoa cometido o crime? Se sim, poderá ter sido um dos passageiros ou um intruso que terá entrado no comboio? Ou, por outro lado, terá sido um crime colectivo?

Todos sabemos que Hercule Poirot é o mais famoso detective policial na literatura, dotado de um cérebro sobre-humano e de uma capacidade de imparcialidade e racionalidade como nunca se viu. No entanto, a conclusão deste livro é sublime na medida em que desafia o próprio talento da personagem. Será Poirot capaz de encontrar uma resposta definitiva para esta tragédia?

Crime no Expresso do Oriente

 3.       Crooked House (A Casa Torta)

A desgraça dá-se no seio de uma casa quando o chefe de família é assassinado no seu quarto. Depressa se dá início a uma investigação que coloca os restantes membros da família como principais suspeitos, expondo os motivos que cada um poderia ter para querer o idoso morto. A gravidade da situação é acentuada quando Josephine – o membro mais novo da casa – é atacada, escapando, contudo, à morte. Quem poderia ser capaz de tamanho ódio, lançando uma ameaça sobre esta família? E porquê?

Pessoalmente, este é um dos meus livros favoritos de Agatha Christie, pois explora os mais pequenos detalhes e fragilidades inerentes ao seio familiar. Numa casa marcada pela riqueza e pela ostentação é onde encontramos os maiores conflitos, que expõem a ganância e a inveja de que o ser humano é capaz. Portanto, esta obra não é apenas o relato de um crime, mas é também um estudo profundo dos sentimentos e acções humanas, especialmente quando nos encontramos num ambiente familiar, com pessoas que – aparentemente – são sangue do nosso sangue.

NOTA: este livro, em conjunto com Ordeal by Innocence (Cabo da Víbora), são os favoritos da própria autora.

A Casa Torta

 4.       The ABC Murders (Os Crimes do ABC)

Hercule Poirot é desafiado ao receber uma carta anunciando um crime num determinado local, a determinada hora. Céptico, o detective apenas entra em estado de alarme quando o crime, de facto, é cometido tal como a carta relatara. Pouco após o início da investigação, uma segunda carta surge declarando a morte de mais uma vítima, novamente em local e hora específicos. Sentindo-se pessoalmente ameaçado, Poirot apercebe-se da verdadeira gravidade da situação ao concluir que as vítimas (e os respectivos locais da tragédia) seguiam a ordem do abecedário: Alice Ascher (morta em Andover), Betty Barnard (assassinada em Bexhill) e Carmichael Clarke (morto em Churston).

O leitor, em conjunto com o detective, entra numa corrida alucinante, na tentativa de descobrir a identidade do misterioso “ABC” e perceber se este apenas se limitava a seguir o alfabeto no seu massacre ou se tinha, de facto, um motivo para querer as vítimas mortas. Até que ponto será o assassino capaz de chegar? Assistiremos à morte de alguém cujo nome comece, finalmente, por Z? Um final chocante e brilhantemente engendrado para um livro altamente viciante.

Crimes do ABC

 5.       Curtain (Cai o Pano – O Último Caso de Poirot)

O detective belga regressa ao local da sua primeira investigação, relatada na primeira obra de Agatha Christie, O Misterioso Caso de Styles (The Mysterious Affair at Styles). Outrora uma mansão de uma família rica, a residência de Styles é agora um lar de idosos, que se torna num palco para um homicídio. Hercule Poirot, em conjunto com o seu fiel amigo General Hastings – personagem igualmente regular em várias obras da autora –, parte mais uma vez numa aventura policial.

No entanto, Poirot é agora um indivíduo velho e decadente, cuja idade já não perdoa. Grande parte da investigação fica, portanto, entregue a Hastings. A corrida contra o tempo torna-se urgente quando é cometido um segundo crime, o que obriga Poirot e Hastings a trabalhar em conjunto o mais depressa possível, antes que o detective belga morra e o crime fique por resolver.

Este é o último livro de Agatha Christie, que é, no fundo, uma despedida digna desta personagem extraordinária que cativou milhões de leitores por todo o mundo. Para quem é um verdadeiro fã, não só de Christie, mas sobretudo de Hercule Poirot, esta é uma obra obrigatória que conclui de forma genial a vida do detective. A resolução dos crimes é-nos dada, mais uma vez, da forma mais inesperada possível, expondo o que de mais profundo e inteligente há em Poirot. É um “adeus” verdadeiramente cativante que termina de forma chocante a biografia de uma das melhores personagens alguma vez criadas.

Cai o Pano

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