Os Motorama vêm da Rússia e na bagagem trazem Alps, disco reeditado este ano que nos oferece um post-punk e new wave devedor dos Joy Division. Tocam pela primeira vez em Portugal (Lisboa, Porto e Bragança) e, a propósito do concerto na Caixa Económica Operária, esta sexta-feira, o Espalha-Factos fez-lhes algumas questões.

O quinteto, nascido em 2006 na cidade de Rostov, é composto por Airin Marchenko (baixo, teclas, voz), Alexander Norets (teclas e voz), Roman Belenky (bateria), Maksim Polivanov (guitarra e teclas) e Vladislav Parshin (voz e guitarra). Saiu da Rússia e tem dado concertos em várias cidades europeias, trazendo agora a Portugal os temas de Alps e Calendar (editados pela Talitres Records), bem como um interessante par singles e EPs.

Amigos da natureza e dos animais, de sons de paisagens naturais e arrepiantes, falaram-nos da cena alternativa russa, do que tem sido o seu trabalho e do que esperam dos concertos em Portugal.

motorama

Espalha-Factos: Qual é o panorama da cena alternativa na Rússia e como é que vocês se encaixam nela? 

Motorama: Temos algumas boas bandas, alguns bons clubes, mas a cena indie rock é ainda muito jovem na Rússia.

EF: Qual a vossa opinião acerca de toda a questão relacionada com as Pussy Riot?

M: Não somos grandes fãs das Pussy Riot e não achamos que tenha sido uma boa ideia tocar naquele “sítio”, mas ao mesmo tempo o nosso governo agiu de forma errada contra elas e isso foi cruel e estúpido. Agora estão na merda.

EF: Este ano andaram em tour pela Europa e acabam de anunciar datas no Peru. O que esperam desses concertos? 

M: Bem… Espero que a banda se divirta muito. Vai ser interessante conhecer pessoas com quem temos estado em contacto apenas pela internet.

EF: As vossas letras falam de amor, pessoas, emoções. Não parecem ter propriamente uma mensagem política. Há alguma razão para isso?

M: Muitas das nossas músicas são sobre a morte. Não somos de todo uma banda política  e também não estamos interessados nisso.

EF: Têm uma forte preocupação estética. É um aspeto importante?

M: Não, é só mais uma forma de nos divertirmos. Não é importante, mas às vezes é interessante.

EF: O que conhecem de Portugal? 

M: Conhecemos algumas bebidas alcoólicas, jogadores de futebol e a beleza natural do país.

EF: Estão excitados para os concertos? O que podemos esperar?

M: Estamos muito felizes por dar concertos aí. Esperamos que seja especial.

Os Motorama tocam esta sexta-feira na Caixa Económica Operária com os First Breath After Coma em mais uma Another Night at The Box. Os concertos começam às 22h e as entradas custam 10€.

Mais informações no página de Facebook do evento (link).