O Dia do Serviço Público é o dia de todos nós, sem exceção. A tarde desta quarta-feira reuniu várias mentes e opiniões no Centro Cultural de Belém para reflexão sobre o futuro do operador público. Estamos cada vez mais perto de conhecer o futuro da Rádio e Televisão de Portugal. Queremos uma RTP que satisfaça os nossos interesses, que tenha conteúdos que nos prendam, que nos informe corretamente e que nos entretenha. Sempre a pensar em quem conta – nós, espetadores e ouvintes. Na conferência Serviço Público de Media em Portugal – Um Novo Paradigma, uma coisa ficou clara por todos: a RTP é uma referência e tem de se tornar num operador de excelência. Várias pistas foram lançadas:

O presidente da estação, Alberto da Ponte, afirmou que o canal público tem de ser um “garante da coesão social, para todos os públicos” e “ter presente os 6 princípios que assinou no acordo da European Broadcasting Union: universalidade, independência, excelência, responsabilidade, diversidade e inovação”.  É preciso que os conteúdos tenham relevância, é preciso que a RTP envolva as gerações mais jovens e os públicos mais afastados. Para isso é preciso definir orientações estratégicas independentes.

É preciso fazer mais com menos dinheiro. Luiana Nunes pôs o dedo na ferida. A administradora da RTP relembrou que com a quebra de financiamento público somada à quebra das receitas de publicidade não se fazem milagres. É que a RTP não é só o canal 1. É a RTP1, RTP2, RTP África, RTP Internacional, RTP Memória, RTP Informação, Antena 1, Antena 2, Antena 3, Museu da RTP, o Arquivo, e muitas outras estruturas. A RTP não pode entrar em competição com os privados – “tem o seu espaço”, remata. O binómio entre qualidade e audiências já é velho e não parece ter uma solução completamente clara.

RTP

O canal público está prestes a conhecer o seu futuro. O Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, recebeu 109 propostas de soluções para a RTP e, no destino final, vai incluir vários contributos da maioria. O ministro alerta para o facto de a oferta de TV em sinal aberto na TDT ser insuficiente em Portugal. Há países na Europa que têm dezenas de canais, lembra. A existência de mais canais é um objetivo para o futuro, até para regular os custos do cabo. Alberto da Ponte acrescentou neste ponto que “há condições de abrir um canal aberto de informação, se houver publicidade”.

A proposta concreta ainda não é conhecida, mas o ministro adiantou algumas bases da solução:

  • Mitigar os riscos de intromissão política
  • Ajustes nos recursos humanos
  • Redução da produção interna
  • Produção, agregação e distribuição de conteúdos ao nível criativo e técnico
  • Ser regulador da qualidade do audiovisual
  • Apostar nos serviços internacionais – promover Portugal
  • Apostar nos núcleos de editores, criativos e autores
  • O financiamento deve ser estável, transparente e independente