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Dia do Serviço Público: a RTP está viva?

Serviço Público: o conceito mais discutido e, consequentemente, polémico da sociedade portuguesa em relação à RTP.Para comemorar o seu papel social missionário, a RTP abriu mais uma vez as portas ao público para mostrar a primeira carrinha de exteriores do canal – data de 1957, ano da inauguração das emissões -, os estúdios da informação, a redação, os estúdios de rádio e, por fim, o novo centro de produção onde habitam programas como o Preço Certo, a Praça da Alegria e o Portugal no Coração.

O objetivo principal é mostrar o Serviço Público de Media e não de Televisão e Rádio, tal como os vários guias da visita frisaram. A RTP propagou a sua presença a várias plataformas, com uma principal expansão na web. Desde as rádio exclusivamente online à RTP Play, são vários os exemplos da multiplicidade de serviços que o canal nos oferece.

O pulso atual da RTP

Nada como uma breve passagem de olhos pela grelha da RTP para perceber os passos dados pela direção de programas. Hugo Andrade mantém os formatos clássicos da estação, mas é visível a vontade de inovar, mesmo que as decisões não tenham sido sempre as melhores. Após a mudança da Praça da Alegria para os estúdios de Lisboa, o diretor de programa introduziu uma novidade nas manhãs: a novela Os Nossos Dias, às 12 horas, que pretende durar, durar e durar. Parece-me uma aposta ousada; na realidade, não há nada do género nesse horário. No entanto, logo a seguir ao Jornal da Tarde, são emitidas duas novelas: uma angola e uma brasileira. Eu percebo que o objetivo é também ser plural, contudo, tenho as minhas dúvidas quanto a esta aposta, uma vez que os produtos brasileiros já têm bastante visibilidade na SIC. No fundo, prefiro o conteúdo produzido em Portugal, principalmente na situação económica em que nos encontramos, do que produtos comprados a outros países. Não há necessidade disso.

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Já o upgrade do Só Visto correu bem. Sílvia Alberto dá outro ar ao formato, com entrevistas realmente interessantes e envolventes. O entretenimento está lá, mas de forma mais trabalhada, melhor embrulhada, se quiserem. A aposta em série de época tem sido constante e bem conseguida: após Conta-me Como Foi e Depois do Adeus, a RTP produziu Uma Família Açoriana, que está em exibição, e vai – em breve – emitir Os Filhos do Rock. Se há ponto em que se consegue consenso é neste: as séries históricas devem ter um lugar na programação. Tal como os formatos inovadores: Catarina Furtado prepara-se para voltar com o Chef’s Academy, programa onde os portugueses vão ficar a saber como cozinhar. Outra das constantes da RTP são os programas de humor. Uns melhores que outros, é verdade, mas a aposta em humor português está lá. Contrastando com a SIC e a TVI, a estação pública tem apostado em programa como Estado de Graça e, mais recentemente, o Breviário Biltre. A informação continua a constituir uma referência no panorama jornalístico, apesar de não ser líder de audiência. De realçar que a RTP foi a única que imediatamente enviou um jornalista para as Filipinas, enquanto que os canais privados não cobriram a tragédia com repórter no local.

RTP: passado, presente e… futuro?

As audiências continuam a descer. Parece que o povo português não quer ver a sua televisão. Portugal Sempre Ligado é o slogan da estação pública. Porém, os portugueses não estão ligados à RTP. A agravar a questão estão as polémicas ligadas à estação: desde Miguel Relvas ao atual ministro Poiares Maduro que parece não conseguir traçar uma linha linear na estratégia do canal. O ambiente no interior da RTP também já teve melhores dias. A redação revolta-se contra o diretor de informação, o Centro de Produção RTP Porto é menosprezado, entre outros casos que vêm a público.

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Quanto mais leio sobre o Serviço Público, mais convencido fico da sua subjetividade. A Notícias TV, recentemente, lançou uma iniciativa em que várias personalidades da área escreviam sobre este tema tão importante. Li os vários textos e, no fundo, o que retirei dali é que há múltiplas formas de fazer serviço público, mas que há algo que não pode faltar: a alternativa e a diversidade que os serviços da RTP devem ter. Procura-se equilíbrio.

Houve RTP, sim. Aliás, a confirmação está na Coleção Visitável Museológica de Rádio e de Televisão que foi inaugurada a 7 de março de 2007. E, na realidade, também há RTP, apesar de tropeçar constantemente. A questão pertinente a fazer é: haverá RTP? O futuro constrói-se no presente e este, este não parece ser muito claro. É negro.

O Museu Virtual está disponível aqui.

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