Um ano após a morte de José Saramago, as suas cinzas foram depositadas no Campo das Cebolas, onde se situa a Fundação José Saramago. “Mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia”, lê-se no Memorial do Convento e na placa junto ao banco de jardim. Naquele dia, foram relembradas passagens da vida do autor e elogiado o legado cultural que deixou. Este sábado, dia 16, José Saramago completaria 91 anos. E as celebrações do seu trabalho continuam, ano após ano. Para relembrar o nascimento do também Nobel da Literatura, o Espalha-Factos apresenta-te, aqui, uma lista de cinco livros menos conhecidos do escritor português que vale a pena conhecer.

 1. As Pequenas Memórias (2006)

Este é um “relato” (se assim podemos dizer) de um escritor na sua velhice. Em jeito de desafio a si mesmo, José Saramago desafia-se a si mesmo. Pondo de parte o papel de romancista, assume a faceta de narrador da sua própria vida e coloca a nú aspetos inspirados na sua infância, nunca antes referida. A mãe eternamente chorosa e fria pela perda do filho, o pai distante e abarcando consigo problemas para o lar e por fim o avô, “uma figura transcendente, uma pessoa alta, erguida”, velho filósofo que ao sentir o galopar da chegada da morte se despediu de todas as suas árvores. Uma por uma, chorando. As memórias de pequeno de Saramago são quase uma autobiografia, que tinha guardada na memória há mais de vinte anos, para um dia mostrar ao mundo quem era.

Fotografia: DN

Fotografia: DN

2. O Conto da Ilha Desconhecida (1997)

Este pequeno conto do autor é um dos mais bonitos e menos conhecidos. Um pequeno livro com muito poucas páginas, mas com uma forte mensagem. Para quem não gosta de ler Saramago ou para quem nunca se aventurou nessas leituras, por preconceito ou por simplesmente não querer ou gostar, este é o livro ideal para começar. Referindo as ambições, o ser humano e as suas frustrações, Saramago descreve a história de uma da mulher da limpeza que, juntamente com o homem que pedia ao rei um barco, partiu na aventura de descobrir sítios desconhecidos. Baseando-se na máxima de que “para viajar, basta existir“, o escritor leva o leitor a viajar ao longo das páginas, levando-o para outros cantos do mundo. Para saberes um pouco mais sobre este livro, clica aqui para leres a crítica publicada pelo Espalha-Factos.

3. Os Apontamentos (1977)

Lançado em 1976, quando o autor ainda não se tinha dedicado exclusivamente à vida literária, Os Apontamentos traduz-se em ensaios e crónicas do escritor publicadas no Diário de Lisboa. “No meio de tantas palavras, não encontro senão duas que gostosamente apagaria se não fosse o escrúpulo de proteger o meu próprio respeito. É quando, uma e outra vez, falo de “jornalistas revolucionários”. Como se não bastasse a ingenuidade de os imaginar assim, ainda fui cair na presunção de me incluir no grupo. Ilusão minha, ilusão nossa.“, escreve o autor. De teor político, as palavras publicadas neste livro revelam uma faceta mais revolucionária, pela qual Saramago também ficou conhecido.

4. Terra do Pecado (1947)

Talvez por ter sido o primeiro romance de Saramago, que só ganhou fama em 1980 com Levantado do Chão, a obra Terra do Pecado é por várias vezes esquecida. O drama começa com a viúva Maria Leonor que, após a morte do marido, vive em constante pesar por causa do sentimento de culpa a que se encontra presa. Apoiado na personagem do Viegas, “o bom herege”, o autor cria um alter ego e faz uma crítica feroz a toda igreja e à sociedade fervorosamente religiosa da época. Começavam já as suas querelas com este tema, mais tarde explorado, por exemplo com O Evangelho Segundo Jesus Cristo (que lhe deu o Nobel em 1998) ou o mais recente Caim, mas sempre presente na sua obra.

5. O Homem Duplicado (2002)

A história começa quando um professor de Matemática recomenda ao seu amigo Tertuliano, um solitário professor de História, um filme denominado “Quem porfia mata caça“. Para espanto do mesmo descobre que um dos atores da metragem é seu sósia e, a partir daqui, começa o desenrolar da trama. A busca frenética para chegar ao nome do seu “duplicado” intensifica-se até chegar ao A Deusa do Palco em que este representa uma diretor de teatro (uma das personagens principais do elenco). Apesar de não muito divulgado este é considerado por muitos uma das obras mais viciantes de Saramago devido ao seu suspense.

Texto de Marta Spínola Aguiar, Raquel Santos Silva e Joel Pais