Os Dead Combo apresentaram ontem, na Galeria Zé dos Bois (ZdB), uma fotobiografia para celebrar a primeira década de vida.

A ambiência da sala relembra-nos uma certa aura misteriosa que envolvia os portugueses Dead Combo nos seus primeiros anos de banda. Uma luz ténue e amarelada ilumina fracamente o espaço da apresentação. “Mas o que é que vão fazer aqui?”, pergunta intrigado um dos mais jovens presentes, talvez com dois anos de idade. Ainda assim, o ambiente é compreensível. E a justificação vai para além do tal efeito misterioso: a apresentação de 10 Anos de Vadiagem é feita num registo intimista, por amigos e para amigos.

E assim se passa uma década, plena de boas memórias, agora registadas num livro de fotografias, editado pela Chiado Editora. Fotografias de concertos, bastidores e ensaios, captadas por fãs e por profissionais. Ou não fossem os Dead Combo uma das duplas portuguesas de maior sucesso da actualidade, tocando ora num bar em Londres, ora na apresentação de um filme em Cannes. Mas sem nunca esquecerem a importância da ZdB, um dos primeiros espaços a apoiá-los. E foi onde retornaram ontem. “ Lembro-me que [os Dead Combo] começaram a ensaiar aqui na galeria. Era uma plataforma de encontro com as pessoas e com eles próprios. E é fantástico que voltem aqui para apresentar a fotobiografia e que toquem cá no próximo mês”, afirmou Natxo Checa, responsável pela Curadoria da ZdB, aludindo aos quatro concertos que os Dead Combo ali darão entre 12 e 15 de Dezembro.

-®Paulo o _A_ z

Faltava dar a palavra aos artistas, para que explicassem o significado da fotobiografia. “Este livro é uma homenagem a todas as pessoas que nos acompanham, e um pretexto para agradecer o apoio e os contributos dos amigos.”, referiu Pedro Gonçalves, contrabaixista do grupo. Para Tó Trips, a publicação do livro obedece a uma necessidade. “As fotos podiam estar todas em formato digital, mas isso torna-as demasiado efémeras. O livro é uma forma de cristalizar as coisas”. Há ainda tempo para uma breve reflexão. “Talvez tenha havido alturas em que podíamos ter desistido [da banda]. Mas a banda é como a vida, há coisas que nos acontecem e que nos levam para outros sítios. E acho que esta é uma banda a que, se estivesse de fora, eu curtia pertencer”, rematou .

10 Anos de Vadiagem está à venda desde ontem, e tem o preço de 15 euros. Está também patente na ZdB uma exposição com algumas das fotografias que integram o livro.

*Este artigo foi escrito, por opção do autor, segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945