Caderno de Significados é o nome do livro de Agustina Bessa Luís que será publicado na próxima semana, constituído por contos, pequenos textos, reflexões e pensamentos. Todos estes são conteúdos literários inéditos.

Depois da coleção de inéditos ter sido começada em fevereiro passado, com a publicação de Kafkiana (quatro ensaios sobre Kafka) e de Civicidade, este será o terceiro livro de inéditos da escritora desde que sofreu um acidente vascular cerebral que a obrigou a retirar-se da vida profissional.

Caderno de Significados incluirá “contos inesperados, perfeitamente fora da estrutura da escrita habitual de Bessa Luís, afirmou a filha da escritora, Mónica Baldaque à agência Lusa, também ela coordenadora da edição, sendo que um dos títulos é mesmo redigido “em forma de cantilena”.

Este novo título vai ser publicado pelo nome habitual que sempre editou as obras de Bessa Luís, a Guimarães Editores, e tem o marido e a neta da escritora, Alberto Luís e Lourença Baldaque, no trabalho de seleção, organização e fixação do texto.

Depois deste, haverá ainda outros inéditos a editar, sobretudo romances “incompletos, por decisão da autora”, que serão publicados pela Fundação Calouste Gulbenkian, disse Mónica Baldaque à agência Lusa, acrescentando que a mãe “sempre defendeu o inacabado”.

A filha afirmou ainda que se está atualmente a organizar o arquivo de 90 anos de Agustina Bessa-Luís, onde se prevê a publicação da correspondência que trocou com o poeta José Régio, numa edição onde estão arquivadas as cartas recebidas pelo poeta de Toada de Portalegre.

Sobre Bessa-Luís, Mónica Baldaque afirmou: “De saúde está muito bem, lúcida e mexe-se, e recuperou bastante dos AVC, que deixaram sequelas, mas a parte criativa já está para trás, já fez tudo o que tinha a fazer”. Foi a própria mãe que lhe disse que “já está tudo escrito”.

Desde a sua primeira publicação em 1948 do livro Mundo Fechado, Agustina Bessa Luís publicou ficção, teatro, cronicas, biografias, memórias e livros para crianças. Uma obra extensa que lhe valeram vários galardões, entre os quais, o de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, em 1983, pela obra Os meninos de ouro, e o Delfim Guimarães, em 1953, pelo romance A Sibilia. Foi ainda distinguida com os Prémios Camões e Vergílio Ferreira, ambos em 2004, e o Prémio de Literatura do Festival Grinzane Cinema, em 2005.