O MUDE, Museu do Design e da Moda, vai albergar uma nova exposição em comemoração dos 10 anos de carreira de Felipe Oliveira Baptista, o criador de moda português. A exposição foi inaugurada no passado dia 17 de outubro e mantém-se até 16 de fevereiro do próximo ano.

Oliveira Baptista, de 38 anos, nasceu nos Açores e, após ter terminado os seus estudos em Design de Moda na Universidade de Kingston, em Londres, trabalhou para grandes nomes como a Max Mara, Christophe Lemaire e Cerruti. Em 2010 assumiu o cargo de diretor criativo da Lacoste, dando assim um grande salto na sua carreira.

A exposição centra-se no trabalho do designer desde 2002, quando ganhou o Grande Prémio do Festival de Moda Hyères, em França. Nas 130 peças escolhidas para figurar no terceiro piso do MUDE estão representados 10 anos de trabalho. “Mesmo que não seja de maneira cronológica, é uma forma de entrar no meu trabalho com uma outra profundidade”, foram as palavras do designer numa entrevista à revista Máxima.

Foto de João Girão – Global Imagens

Com entrada livre, a exposição, que estreou no passado dia 17 de outubro, vai estar no MUDE até ao dia 16 de fevereiro no horáiro das 10h às 18h.

A ideia para este projeto surgiu há cerca de um ano. Foi necessário todo esse tempo para organizar a exposição que conta com 12 instalações inéditas (apenas uma foi apresentada anteriormente no Centro de Arte de Ville Noilles, em França) que revelam cinco temáticas diferentes presentes no trabalho do designer.

Com cenários repletos de espelhos assinados por Alexandre Betak e produzidos por Bereau Betak, foi “um esforço de 150 mil euros com o objetivo de divulgar ao público um talento português”, descreveu a diretora do museu, Bárbara Coutinho, que valoriza a “exigência pessoal, solidez, conforto e usabilidade das peças de Felipe Oliveira Baptista.”

Fotografia por João Girão – Global Imagens

Protecção; Novos Uniformes e Roupa de Trabalho; Geometrias Variáveis; Revisitando os Clássicos e Tecnologia versus Natureza são os cinco núcleos espalhados ao longo dos 1500 metros quadrados que a exposição Filipe Oliveira Baptista ocupa no MUDE.

Num apelo por um esconderijo mítico ou místico, os capotes e capelos, emprestados pelo Museu Nacional do Traje, traje tradicional dos Açores, destacam-se entre as peças negras que marcam Protecção, aludindo ao escuro do esconderijo em si. Novos Uniformes e Roupa de Trabalho conjuga prática e funcionalidade com elegância, onde podemos ver um camuflado de tropa reinventado num macacão feminino.

Fotografia por Mário Luz - Lusa

Fotografia por Mário Luz – Lusa

A primeira coleção do designer está representada em Geometrias Variáveis onde se dá especial atenção às Stripes on Strike – Riscas em Greve. Uma área cheia de espelhos proporcionando diferentes perspetivas. A revisão do smoking e little black dress, clássico de Yves Saint Laurent e Chanel, avisam-nos que chegámos a Revisitando os Clássicos, ao som de Suzy Menkes e Grace Jones.

Para terminar, no centro, o Espelho da Mente utiliza cerca de 80 ecrãs de diferentes tamanhos para contar a história do trabalho de Oliveira Baptista, passando, ininterrutamente, imagens aleatórias de desfiles das coleções do designer, artigos sobre o seu trabalho e as várias influências que o afetam, desde a fotografia e arquitetura à dança e à música.

Texto escrito por Joana Costa publicado originalmente no Trend me too.

Trata-se do primeiro artigo publicado resultante da colaboração estabelecida entre o Espalha-Factos e o Trend me too.