“Be a king? Think not/ Why be a king when you can be a God?”. Foi com este último verso que Eminem terminou o seu mais recente trabalho, Rap God, lançado a 14 de outubro e pronto para fazer parte do MMLP2, disponível a partir de 5 de novembro. Tratam-se de 6 minutos de hip-hop pautados por um ritmo frenético, à semelhança do que o artista já nos tem vindo a habituar há mais de uma década e que demonstram claramente que este não pretende abandonar o estilo que tanto o caracteriza.

Rap God traz, de facto, algo a que já estamos familiarizados vindo de Eminem: um ritmo e  dicção que o talento de muitos rappers não consegue reproduzir, versos revestidos de uma agressividade que vai aumentando até ao final da música, uma forma implacável de responder aos seus críticos e rivais, bem como a paixão e entrega que reflete no seu trabalho.

Porém, o facto de o rapper estar concentrado em trazer o hip-hop old school de volta  em MMLP2 implica manter também a homofobia que acompanha a maneira implacável como responde aos seus críticos e rivais. Isto valeu-lhe críticas menos felizes de várias publicações, como demonstra o título de uma notícia do Huffinghton Post: “Eminem’s ‘Rap God’ is full of homophobic slurs”. Ou ainda segundo o The Week: “Eminem is every bit the same lazy, offensive bile-spewer he was back then”. Esses insultos homofóbicos a que o Huffington Post se refere encontram-se presentes em versos como:

“You fags think it’s all a game ‘til I walk a flock of flames
Off a plank, and tell me what in the fuck are you thinking?
Little gay looking boy
So gay I can barely say it with a straight face looking boy”

De facto, tal entra em contrasenso com a recente determinação do hip-hop em demonstrar-se mais tolerante e respeitador face à homossexualidade, demarcando-se da homofobia e estereótipos a que sempre foi associado. A título de exemplo oiça-se Same Love de Macklemore e Ryan Lewis.

No entanto, mesmo sendo portador de um estilo considerado homofóbico, também é sabido que o artista  já atuou lado a lado com Elton John – admitindo manter uma relação de amizade com o mesmo – e que demonstrou igualmente ser a favor do casamento entre indivíduos do mesmo sexo.

O rapper tem um estilo próprio e bem definido, sendo fiel ao mesmo. Fidelidade essa  que nunca revelou pretender abdicar na sequência de quaisquer críticas que lhe fossem dirigidas, até porque tal sempre pareceu motivá-lo ainda mais.

Apesar de tudo, a nova faixa foi considerada “divinal” pela revista Time e se formos em busca das reações dos fãs no Twitter deparamo-nos com algo como:

http://www.youtube.com/watch?v=S7cQ3b0iqLo