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5 filmes com Jesus Cristo (Antes de Diogo Morgado)

Enquanto o novo filme sobre A Bíblia está a ser preparado, recordamos cinco grandes filmes que têm Jesus Cristo como protagonista.

A produção, que é da autoria da mesma equipa que fez a minissérie norte-americana de sucesso, vai contar mais uma vez com a interpretação de Diogo Morgado como Jesus. Prevê-se que The Son of God, que abordará a vida de Cristo, tenha o mesmo sucesso que o formato televisivo, emitido pelo History Channel e, por cá, pela SIC.

Mas enquanto a obra está a ser elaborada, vale a pena revisitar outros filmes, bem conhecidos do público, que são protagonizados por Jesus e que têm maior, ou menor, fidelidade às Escrituras do Novo Testamento. Desde o relato sério e provocador dos últimos dias de Jesus até às reinvenções da Bíblia que pretendem captar novos públicos e tendências, são estas as cinco escolhas essenciais para se perceber a relevância da figura de Cristo na Sétima Arte.

1. – O Evangelho Segundo São Mateus

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Uma das adaptações mais conhecidas (e literais) das Sagradas Escrituras, O Evangelho Segundo São Mateus é um filme invulgar na obra do seu realizador, o polémico Pier Paolo Pasolini. Percorrendo todo o livro de um dos discípulos, são contados todos os pormenores (ou pelo menos, os mais significativos) sobre Jesus, desde o seu nascimento à sua morte e ressurreição. E se pensarmos que este foi também o autor de filmes tão provocadores, controversos e discutidos, como Decameron e o mais conhecido Salò, ou os 120 dias de Sodoma, talvez possamos não conseguir ver onde está o interesse neste cineasta, ateu convicto, em realizar um filme de pendor tão religioso. Mas Pasolini decidiu aceitar o convite do Papa João XXIII, que apelou a um novo diálogo com os artistas não-católicos. E no fim de contas, o Evangelho do realizador italiano foi extremamente bem recebido pela crítica (venceu dois prémios no Festival de Veneza, incluindo uma menção especial do Júri) e pelo público, que continua a aclamá-lo ainda hoje.

Quem também ficou fã da beleza e da poesia das imagens da obra foi o Vaticano, que a incluiu na sua lista de 45 filmes para a memória da religião Católica. E porque é que Pier Paolo Pasolini optou por este discípulo e não por um dos outros três? É que nas suas próprias palavras, “O Evangelho de João é demasiado místico, o de Marcos é muito vulgar e o de Lucas demasiado sentimental”. E se Pasolini considerava nunca ser possível serem criadas imagens que pudessem alcançar a poesia máxima dos textos bíblicos, certo é que o realizador deixou uma obra importante para a História do Cinema, e que continua a ser essencial para se compreender a fé e o pensamento de Jesus Cristo, que o cineasta tornou mais próximo dos Homens.

2. – A Paixão de Cristo

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E claro, nesta lista não podia faltar a mais recente e mais famosa adaptação da vida de Cristo ao grande ecrã, e que, sem dúvida, é o filme mais controverso de toda esta lista. A Paixão de Cristo de Mel Gibson já foi apelidada de muita coisa, desde obra-prima a panfleto religioso completamente descarado. Contudo, é uma fita à qual ninguém consegue ficar indiferente. Não só pela extrema violência que possui e que é levada ao limite (visto que Gibson leva os ditos das Escrituras aos maiores extremos possíveis – e muitos veem isto como mais uma prova do fanatismo do ator e realizador), mas também por ser um filme diferente sobre a figura de Cristo. O filme faz uma adaptação profunda e muito negra (e completamente descrente da Humanidade) sobre as últimas 12 horas da vida da figura maior do Catolicismo. A Paixão de Cristo é uma fita extremamente gráfica e perturbadora, mas que conseguiu mexer na estrutura do Cinema Americano, e que, por boas ou más razões, foi um dos grandes sucessos de bilheteira do seu ano de estreia e, posteriormente, no mercado home-video. Um filme a consumir, mas com muita moderação.

3. – O Fazedor de Milagres

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E agora passemos para um filme mais leve, mas não menos interessante. Aliás, é um projeto curioso: O Fazedor de Milagres é um filme que conta a história de Jesus em uma hora e meia, com uma particularidade especial: foi feito em animação stop-motion, e resulta de uma forma bastante agradável. É presença regular nas programações pascais e/ou natalícias da RTP e não acaba por ser verdadeiramente infantil nem está desprovido de qualquer tipo de criatividade (aliás, a parte criativa desta longa-metragem começa logo pelo facto de ser uma animação com marionetas!). Sendo um retrato fiel e leve da figura de Cristo, esta obra é uma agradável surpresa para aqueles que pensam que já não há volta a dar às histórias bíblicas e que estas não podem ser reinventadas para novos públicos, com técnicas inovadoras. O Fazedor de Milagres é um filme simples, direto e bem feito, que agrada a todos sem cair em demasias religiosas e ideológicas.

4. – A Última Tentação de Cristo

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Mais uma adaptação improvável. Realizado por Martin Scorsese, que incluiu temas religiosos em muitos dos seus filmes (como o primeiro que lhe deu uma reputação elevada no panorama cinematográfico, Os Cavaleiros do Asfalto), esta obra não vai buscar inspiração às Escrituras, mas sim ao romance homónimo do autor grego Nikos Kazantzakis, publicado em 1953, e que o popularizou pelos quatro cantos do Mundo. O que o autor propõe, e que o cineasta adapta de uma forma completamente surpreendente, é uma especulação envolvendo a figura de Jesus Cristo e um dos episódios mais discutidos da sua vida narrada na Bíblia: a sua morte e ressurreição. Interpretado por Willem Defoe, o Cristo de Kazantzakis e de Scorsese segue outros caminhos, diferentes daqueles que todos conhecemos, optando por escolhas incertas que fazem desta adaptação uma das mais humanas e psicológicas da história do Redentor. Altamente polémico, o filme foi um fracasso nas salas de cinema, e só anos mais tarde é que começou a ser recuperado pelos espectadores e pelos grandes fãs do cineasta de Taxi Driver e de Touro Enraivecido. E este é, muito provavelmente, mais uma grande obra da sua filmografia.

5. – Jesus Cristo Superstar

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E por fim, a adaptação musical da figura bíblica. Adaptada do espetáculo de sucesso de Tim Rice e de Andrew Lloyd Weber, Jesus Cristo Superstar é o filme mais popular desta lista e o que está mais próximo das pessoas, pela roupagem nova que deu às personagens do Novo Testamento (na versão cinematográfica notam-se vestes icónicas dos anos 70, e cada nova representação do musical feita tenta adaptar-se mais à modernidade) e por ser protagonizado não só por Jesus, mas também pelo discípulo Judas, que nos tenta explicar todas as razões que o levaram a trair o seu Mestre, e que tem muitos dos melhores momentos (e as melhores canções) do filme. Esta é a representação mais emotiva e sensacional de todas as que compõem este quinteto, pela grande capacidade em captar, do espetáculo original, toda a essência e magia que o tornaram único e um dos maiores (e mais polémicos) acontecimentos de sempre na História dos Musicais. Cativante, enérgico e contagiante, Jesus Cristo Superstar agradou a vários públicos e crenças e continua em digressão um pouco por todo o Mundo (o espetáculo esteve em Portugal pelo toque de Filipe La Féria). E a adaptação para o grande ecrã é a prova de que, com algo que muitos consideram sagrado e intocável, se consegue criar algo de novo e que “ressuscita”, até, a seriedade e o sentido das Escrituras.

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