«Uma Família Açoriana»: retratar o passado com os jovens de hoje

As séries de época requerem um intensivo trabalho de pesquisa como é sabido. Porém, quando a época do ator e a época em questão são tão distantes, como será este trabalho de procura? Após Conta-me Como Foi e Depois do Adeus – que retratam um passado relativamente recente -, a RTP1 apostou em Uma Família Açoriana que estreou no domingo passado. Esta minissérie de 8 episódios retrata o fim do século XIX em pleno Açores. Frederico Amaral, Rita Brutt e Duarte Guimarães são três dos jovens atores que figuram o elenco e o Espalha-Factos esteve à conversa com eles.

Frederico Amaral, 28 anos, natural dos Açores, veio estudar representação para o Porto e encontrou em Uma Família Açoriana a sua primeira experiência em televisão. Apesar da sua extensa visibilidade em I Love It (TVI), o ator começou o seu trabalho no pequeno ecrã nas gravações deste projeto, em 2012. Açoriano de gema, Frederico revelou ao Espalha-Factos que a sua mãe “casou-se na Igreja do José Canto“, um dos lugares onde a série foi gravada. Amaral gravou lá “mas foi um funeral“, disse entre risos. Frederico considera que Uma Família Açoriana é “uma homenagem a José do Canto”, revelando que está “muito orgulhoso por ter entrado” nesta série. Quando ao trabalho de personagem, o ator afirmou que “foi sem sotaque”, acrescentando que esse pormenor “foi bom para desconstruir o meu dia-a-dia”. A personagem a que dá corpo em Uma Família Açoriana “tem o grande desafio de conquistar a família da mulher que ama”, o que não era nada fácil naquela época. Este projeto pediu “muita calma, postura diferente, as pausas, outra maneira de falar”, tudo aspectos que Frederico trabalhou especificamente para esta minissérie.

Uma Família Açoriana RTP
Rita Brutt em «Uma Família Açoriana»

Rita Brutt, 31 anos, cara conhecida do público, repete a sua incursão em séries de época após quatro temporadas de Conta-me Como Foi. Em Uma Família Açoriana, a atriz trabalhou com João Cayatte, “um realizador maravilhoso”, revelou Rita. “Ir aos Açores também foi maravilhoso (…) nesta época, a ilha era dos sítios mais cosmopolitas”, contou-nos a atriz. Entre as vantagens de gravar uma série de época, Brutt acha que “é um privilégio poder aprender mais sobre Portugal (…) há paisagens bonitas e muito bens preservadas”. Em Conta-me Como Foi, que retratava um passado mais recente, a atriz revelou ter sido abordada “pelas pessoas que viveram aquela época”, as quais “passavam por mim na rua e contavam a sua história”, material que a própria utilizava para construir a sua personagem.  Rita Brutt também esteve no elenco de uma novela de época, Anjo Meu (TVI), mais um projeto com história no currículo da atriz. De regresso à RTP, Brutt afirma que Uma Família Açoriana foi um bombon da estação pública.

Uma Família Açoriana RTP
Duarte Guimarães e Catarina Wallenstein em «Uma Família Açoriana»

Duarte Guimarães, 35 anos, um dos protagonistas da série, aceitou este convite porque “achei esta história muito bem contada, com personagens muito complexas, ricas, cenas muito boas”. O ator afirma que estas vidas, retratadas em Uma Família Açoriana, são “apaixonantes”. Duarte refere as “diferenças sociais” dos Açores do final do século mas, simultaneamente, o esforço de “José do Canto que lutou muito pelo seu negócio mas também lutou imenso pelos seus empregados, pela sua educação”. Uma Família Açoriana, inspirada em factos verdadeiros, revela um José do Canto que “queria estar longe da política, mas sempre na retaguarda para que tudo fosse para a frente”. Um pouco desiludido pela sociedade atual, Duarte Guimarães pensa que “já não há muitas pessoas poderosas que tenham esse sentido de responsabilidade”. 

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