SOPCOM

Estudo da UM: faltam mulheres como comentadoras na televisão

A televisão portuguesa escasseia em presença feminina e em convidados em estúdio que venham de fora da Grande Lisboa. Os comentadores são maioritariamente homens e vivem na capital, revela um estudo feito na Universidade do Minho.

Os investigadores do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Felisbela Lopes e Ivo Neto, apresentaram um novo estudo no âmbito da Conferência: Jornalismo Televisivo e Cidadania – Democracia, representação e participação: O real (ainda) mora aqui? realizada na passada quarta-feira na Escola Superior de Comunicação Social (ESCS). O estudo, com o nome Os Plateaux dos Programas de Informação de Prime Time na Televisão Portuguesa, concluiu que as mulheres possuem uma pequena presença nos estúdios de televisão. No lado oposto está a presença masculina que vai dos 8% aos 95%, dependendo da estação televisiva em questão. Sobre esta temática, Felisbela Lopes afirmou que a televisão ainda tem uma imagem conservadora, preferindo os homens.

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Felisbela Lopes – Investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade

Presente no painel de debate, a profissional da SICGabriela Neto – explicou que os convites são feitos a muitas mulheres mas estas tendem a recusar, principalmente nos horários noturnos, porque preferem estar com a família. Também presente no painel, a subeditora da RTP1Rosário Salgueiro – confirma esta tese, afirmando que consegue mais facilmente ter uma convidada presente num programa da manhã ou da tarde, do que no Telejornal.

No perfil dos convidados destaca-se ainda a sua proveniência: a maior parte habita na Grande Lisboa. Apesar da RTP Informação contrariar esta tendência, tal acontece por causa do Centro de Produção instalado em Gaia, explica Felisbela Lopes. A investigadora revelou ainda que 35% da população nacional e 40% das exportações nacionais situam-se no norte, mostrando assim a importância desta região para o país.

No painel de debate esteve ainda a jornalista da TVIAna Paula Magalhães – que realçou a importância da pluralismo em televisão, afirmando que “quero que os jovens, os médicos, os cantores, quem faz parte da sociedade, vá ao meu programa (Discurso Direto, TVI24)”. 

Este estudo apenas considerou programas em estúdio e os seus respectivos convidados. O horário em questão foi o prime time televisivo da RTP, SIC, TVI, RTP Informação, SIC Notícias e TVI 24. Esta conferência foi realizada como warm-up do Congresso SOPCOM que decorreu na ESCS.

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