A primeira noite do Jameson Urban Routes, num Musicbox à abarrotar e à borla, recebeu uma enchente para ver os concertos de Filho da Mãe, Throes & The Shine, Quartet of Woah! e ainda dj sets de Ride, Maboku e Firmeza (em representação da editora Príncipe) e Bangkok Snobiety e Sleepwalker (via Experimentbox).

Cerca de 35 minutos depois da hora marcada e já com a casa bastante composta, Filho da Mãe entra em palco com a sua guitarra. “Eu sou o Filho da Mãe. E vocês também”, costuma apresentar-se Rui Carvalho, e assim o fez ontem.  De parcas palavras mas de riqueza musical indescritível, Filho da Mãe oferece sons cinematográficos que apontam também para uma certa portugalidade. A sua música é uma fusão de guitarra clássica incrivelmente bem dedilhada com música portuguesa, blues e rock,  que faz dele um dos geniozinhos musicais que o nosso país tem. Num concerto de meia dúzia de canções mostrou-nos temas de Palácio mas também uma das peças “ainda sem nome” a incluir no próximo disco; música mais tensa e mais densa, composta de várias camadas que nos mostram que a música urbana também se pode fazer ao estilo clássico.

Filho da Mãe

De seguida os Throes + The Shine entram em palco com Hoje é festa, tornando-o pequeno para a rebaldaria que por lá se montou. Fazem uma fusão entre o rock e o kuduro e por isso chamaram o seu primeiro disco de Rockuduro (editado pela Lovers & Lollypops), onde todas as letras redundam em “Hoje é festa”, “Vamos dançar” e por aí fora. Reconhecidos internacionalmente (passaram pelo festival Roskilde na Dinamarca e têm tocado em vários palcos europeus), rebentaram com o Musicbox, que estava pelas costuras a abanar a anca. Com um maravilhoso trio de bateria (Igor Domingues), baixo (João Brandão, também produtor) e guitarra (Marco Castro, também nos sintetizadores), os Throes juntam-se ao entertainment e a dança dos brothers angolanos André do Poster e Diron, os The Shine. Se é verdade que por vezes a fusão é colada a cuspo e não resulta tão bem, também o é que em outras tantas os sons do kuduro acompanhados por bateria forte e riffs sujos à boa maneira rockeira acabam por cair que nem ginjas. Fizeram, citamos, “a filha da puta da festa”.

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E para algo completamente diferente, chegaram os Quartet of Woah!, portentos na arte do stoner e do psicadelismo (a lembrar nomes como Monster Magnet ou Fu Manchu). O competentíssimo quarteto de Lisboa (Gonçalo Kotowicz, Rui Guerra, André Lopes Gonçalves e Miguel Costa, que andaram já por outros projectos musicais entre eles Blasted Mechanism ou LunaSeaSane) lançou-se aos temas de Ultrabomb (editado em novembro do ano passado e com excelentes críticas nacionais e internacionais) e rebentou com a fabulosa The Announcer e a épica The Path of Our Commitment. Com uma forte crítica social e política, demonstraram como o rock à moda antiga ainda se pode fazer nas culturas urbanas contemporâneas. Sem espinhas.

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Pela madrugada dentro DJ Ride, Maboku e Firmeza (representantes da editora Príncipe), e Bangkok Snobiety e Sleepwalker puseram a dançar o Cais de Sodré.

Hoje, o Musicbox promoveu o encontro de agentes que assistiram aos concertos no sentido de serem estabelecidas eventuais colaborações (entre eles Stefan Juhlin da Pitch & Smith, que representa Toro Y Moi, Junip ou Neko Case, Greg Lowe do The Agency Group , representante de The Knife, Zola Jesus ou Chromatics, Bob Van Heur, agente de Destroyer ou The War On Drugs, Dave Kerr, editor de música da Skinny Mag e Peggy Jean-Louis, agente de Gilles Peterson e dos portugueses You Can’t Win Charlie Brown).

À noite os concertos continuam no Jameson Urban Routes com alquimia pop: White Haus , projecto eletrónico de João Vieira, dos X-Wife, a apresentação da versão “Discotheque” de Little Boots, Mário Valente  e, por fim, Xinobi, para nos divertir um pouco com os sons da Discotexas.

Fotos: Ana Caeiro