Seu Jorge num espetáculo muito seu

Foi no passado domingo, no MEO Arena, que Lisboa recebeu o terceiro concerto da tour de Seu Jorge em Portugal. Miúdos e graúdos juntaram-se para ouvir aquele que é um dos nomes mais sonantes da música brasileira atual.

Tiago Bettencourt-27

Às 21:30h em ponto, ainda a plateia estava a meio, já se ouviam os primeiros acordes de Tiago Bettencourt, que abria esta noite de boa música. Com o seu habitual trio de músicos da tournée Acústico, recebeu muito bem os milhares que iam compondo a plateia e balcões. Com 45 minutos de canções e algumas cordas quebradas, todo o público cantou as mais conhecidas. Pena o mau som realizado, ao qual a acústica do pavilhão, ainda incompleto, nada ajudou.

Seu Jorge-66

Após 20 minutos de pausa e com mais de 18 mil pessoas presentes, acenderam-se as luzes do palco e a multidão aclamou os músicos que, em conjunto e sem se ouvir uma única nota, entraram em palco agradecendo os aplausos. O funk arrancou e consigo trouxe o homem com mais de 1,80m que todos esperavam: Seu Jorge. Com um cap bem New Yorker, com as palavras Black Soul e a barba feita, entrou com o seu grande sorriso e aclamou o tão esperado «Boa Noite, Lisboa». Com um início de muito groove e solos do trombonista (que claramente se destacou ao longo do concerto), o público ia respondendo ao bom som trazido pela incrível banda do outro lado do Atlântico.

Seu Jorge-17

Desce o silêncio e Seu Jorge inicia um discurso declamado e bem teatralizado, com palavras sábias e fortes, sobre a carreira, dinheiro, pobreza e origens, deixando a plateia meio espantada. O discurso é interrompido por um interlúdio musical em que todos julgavam ter acabado o monólogo digno do Teatro D. Maria. Mas não. Seu Jorge continuou a sua performance teatral e nem alguns assobios contínuos da plateia o fizeram parar. Seguiu o concerto, só ele e a guitarra, criando com É isso aí e Pretinha os momentos da noite (claramente o país do fado continua a vibrar com uma boa balada). Com um momento instrumental, de 12 minutos em compassos de 7 (ao estilo jazz), criaram inquietação e desinteresse no público. Tive Razão e Amiga da Minha Mulher foram talvez os momentos mais falhados da noite, sendo a primeira tocada numa versão nada brasileira e a segunda com muito pouca comunicação com o público.

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Ao fim de Carolina e Burguesinha, que levantaram os balcões, já mais vazios devido ao avanço da hora, Seu Jorge sai e volta para o típico encore, onde entoa o clássico Mais que nada e se despede de Portugal a dançar com a sua banda, ao som de uma batida 80’s.

No fim de um óptimo concerto, mas que deixou a desejar em algumas partes, Seu Jorge reuniu-se com fãs, amigos e produção, numa festa de bom som no backstage, onde o seu sorriso contagiante e simpatia foram inacabáveis.

Seu Jorge-9

Texto de Isabel Palma (autora convidada)

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