O Espalha-Factos esteve na apresentação da série Uma Família Açoriana que vem na linha de ficção histórica da RTP. Os atores são os protagonistas mais visíveis das produções, mas quem está atrás das câmaras é que comanda tudo. E porque o papel dos mais escondidos é fundamental, falámos com o realizador do projeto, João Cayatte, e com o produtor, Nicolau Breyner,  que é também um dos atores da trama.

Esta é uma série que sobreviveu às barreiras de financiamento impostas pelos cortes na estação pública. Fazer mais com menos dinheiro não foi fácil, conta o realizador: “A falta de orçamento sobra para várias pessoas. Se houvesse mais dinheiro, teria filmado menos cenas por dia. Estivemos menos tempo em cada sítio. No meio de Ponta Delgada recriámos uma rua do século XIX, algo muito complexo, mas só estive lá 3 dias e já foi uma vitória estar lá”.

Nicolau Breyner, ator e produtor da série, revela que, no início, o tentaram demover, lá está, pela dificuldade da falta de orçamento: “Esta série foi uma proposta que o António Barreto me fez e a que eu acedi. Tivemos mais de 2 anos em preparação. Foi um enorme desafio fazermos esta série com o tempo e budget que tivemos.”

Uma Família Açoriana RTP

E o que faz o sucesso de uma história? João Cayatte lança a fórmula: “não pode haver um bom projeto de ficção quando o guião não tem qualidade. A qualidade da escrita, dos decors e a qualidade do elenco é o que faz o sucesso.”

A ficção histórica tem sido uma aposta da direção de Hugo Andrade. A próxima aposta a estrear será Os Filhos do Rock, também noticiado pelo EF, encontrando-se neste momento em gravações. Uma Família Açoriana, pelo contrário, foi gravada em novembro e dezembro do ano passado. Desde então, tem sido feito todo um trabalho de “de pós-produção, pôr efeitos de época, é um trabalho exaustivo. Tenho que respeitar a época, fazer o trabalho de casa como os atores. Um ator não pode ser e agir agora como era no séc. XIX. Eu depois tenho de atar estas pontas todas.”, revela o realizador.

Uma Família Açoriana RTP

A Nicolau Breyner junta-se outro nome de peso: Maria João Luís. Nem sempre grandes talentos significam egos desmedidos: “Eu e a Maria João Luís somos o desespero da produção porque passamos o dia a rir. Esta série vive muito da cumplicidade que nós tivemos.” E remata: “Ninguém está aqui para brilhar mais que o outro”. O veterano da representação levantou o véu sobre os seus próximos projetos e contou que, a 21 de novembro, vai estrear o filme Os Sete Pecados Rurais, com João Paulo Rodrigues e Pedro Alves, “uma enorme  comédia”. Será também co-produtor do filme “Say What”, sobre o qual não adiantou mais pormenores.