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Mazzy Star – Seasons of Your Day

Todos nós temos consciência da dimensão de canções como Into Dust, Mary Of Silence ou, sobretudo, Fade Into You, a mais célebre canção que os Mazzy Star alguma vez fizeram. Estamos em 1993, falamos de So Tonight That I Might See. Avançamos três anos, edita-se Among My Swan. A partir daí passa a existir apenas silêncio de Hope Sandoval e David Roback. Estivemos nisto durante quase duas décadas. As questões, naturalmente, impõem-se: O que os fez parar? Porquê uma pausa, do que a novo material diz respeito, de dezassete anos? Iria David Roback envolver-se em mais um projecto? Iria a dupla um dia voltar aos estúdios? Quem são, e quem eram, na verdade os Mazzy Star? Respostas necessitavam-se e todas as questões sobre a dupla norte-americana foram respondidas de uma forma condensada: escute-se Seasons of Your Day

Numa entrevista relativamente recente ao magazine britânico Uncut, a dupla confessa: «nunca estivemos parados, sempre íamos compondo alguma coisa. Seasons of Your Day é o resultado dessas gravações que foram feitas ao longo destes dezassete anos». Por este prisma, não devíamos analisar o seu quarto LP como um álbum mas sim como uma colectânea. Mas a verdade é que este foi patenteado como longa-duração e, pelo mesmo facto de ter sido construído pelas partes, deixando o todo para plano secundário, Seasons of Your Day falha no conceito de álbum; bastante heterogéneo, por isso mesmo evidenciando alguma falta de coesão, e sem que as suas peças tenham qualquer tipo de ligação.

«Aquele gajo falou mal de Mazzy Star? Esqueçam tudo, é um idiota». Talvez o seja, talvez não. Mas tenham calma, agora a parte boa: todos os restantes aspectos do “novíssimo” disco dos Mazzy Star são excelentes; primeiro, a conservação de uma garantia que estava já bem dentro das nossas cabeças: a de que os Mazzy Star foram uma das mais importantes bandas dos anos noventa. Segundo, o tempo parece não ter passado por eles e dezassete anos depois, caso este disco tivesse sido editado sob anonimato (impossível, eu sei) todos nós sabíamos que eram os Mazzy Star que estávamos a escutar: viagens pelo blues, ambiências a sacarem uma música country, um trabalho de guitarra sempre soberbo de David Roback a lembrar-nos a importância de nomes como The Velvet Underground ou The Doors tiveram na génese discográfica dos MS e uma voz sempre memorável, num timbre peculiar e que todos, até há cerca de cinco meses atrás, data do lançamento do primeiro single do disco, recordávamos com saudade; a voz de Hope Sandoval.

Ainda recordando a dita entrevista à Uncut, Hope Sandoval “despiu-se”: «(no processo de composição) há felicidade, mas há também muita tortura». Não duvidamos dessa existência ambígua; afinal convém conhecer minimamente uma para se conhecer bem a outra. Pela vertente lírica, conhece-se, em 2013, uma Hope triste e bucólica. Os tempos da felicidade parecem-se idos, os tempos das canções de amor também: já não se cantam canções como Fade Into You, está-se mais introspectivo. Fica, então, patente a saudade. Quanto a Robert, esse, entretém-se a tocar com(o) Bert Jansch. Toca nostalgia. Quem disse que a saudade é sentimento nacional? Os Mazzy Star também as sentem (California é símbolo maior disso) e o mais curioso é que sentem saudades deles mesmos, daí a “necessidade” de Seasons of Your Day. Mas sejamos francos, também precisávamos disto, certo? Quem são os Mazzy Star? Não sabemos, sabemos apenas que hoje são diferentes daquilo que eram há dezassete anos atrás sem o demonstrarem de uma maneira directa.

Nota final: 8.3/10

*Artigo redigido, por opção do autor, ao abrigo do acordo ortográfico de 1945

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