Recebidos no calor do TMN ao vivo, na passada quarta-feira, os God Is An Astronaut fizeram questão de apresentar ao público português o seu mais recente trabalho, Origins, lançado este ano.

Ainda antes do concerto da banda irlandesa, um pequeno apontamento para a primeira parte protagonizada pelos Quelle Dead Gazelle. Os portugueses, ainda que introvertidos na relação com o público, não descuraram e mostraram a sua veia aguerrida tanto na guitarra como na bateria. Mais um bom valor nacional a emergir.

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A exploração do novo álbum, Origins, foi o tópico de abertura do concerto de God Is An Astronaut, verificando-se desde logo o entrosamento entre a banda e o público, visivelmente entusiasmado por rever a banda, um ano depois da sua atuação no festival EDP Paredes de Coura. A banda, composta pelos gémeos Niels e Torsten Kinsella, pelo baterista Lloyd Hanney, por James Dean (curiosa a t-shirt com o símbolo da NASA) e Gazz Carr, veio com o propósito de apresentar o novo álbum, contudo, não se esqueceu das músicas dos álbuns que lhes valeram o estatuto que têm agora no mundo post-rock.

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Os riffs possessos, os vocais que surgiam (raramente) totalmente distorcidos e uma bateria completamente infernal fizeram-me pensar em várias questões de índole teológica, suscitando a epifania de que os God Is An Astronaut vieram mesmo do espaço para o palco do TMN ao vivo, para nos regozijar a alma.

Num ritmo desenfreado, apenas com pausas para apresentar o nome das músicas, All is Violent, All is Bright, Fragile, Forever Lost, foram das músicas que causaram maior entusiasmo por parte da audiência, já que fazem parte do disco de 2005, All is Violent, All is Bright. Do novo álbum, destacam-se os temas The Last March, que tem um significado especial para a banda, já que, como em muitas das músicas que compõem, remete para circunstâncias da vida menos positivas, dando assim uma carga simbólica ainda maior; Calistoga, onde se nota a presença vocal que referi no parágrafo anterior, e ainda Spiral Code, primeiro single de Origins a ser lançado.

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Visivelmente animados pela dedicação do público ali presente, ainda soltaram umas frases num português muito enrolado, mas fizeram questão até de destacar o primeiro concerto da banda em Portugal, em 2006, com Linda Martini a abrir para os irlandeses. “Nunca nos esquecemos de onde viemos e das nossas origens“, garantiram.

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Infelizmente, neste concerto não se puderam verificar os efeitos visuais que são apanágio da banda, também devido às condicionantes provocadas pelas características do espaço, contudo, o jogo de luzes apropriado serviu para que esse facto fosse secundarizado, já que o público estava totalmente concentrado nas músicas.

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Para o encore, estavam guardados Suicide by Star, com o pedido da banda para partir a loiça toda no fim, e uma referência ao primeiro álbum, The End of The Begining, com Route 666. Foi incrível como uma hora e meia de concerto passou tão rapidamente, deixando desde logo no ar o desejo de ir ao Porto ver o segundo concerto da banda em terras lusitanas, hoje no Hard Club.

Fotografias por Débora Lino.