De uma mulher que foi fundadora de uma banda chamada Babement, o que se pode esperar? Bem, pode-se esperar muita coisa, mas sempre com a desconfiança que o nome da banda não surgiu do nada: Babement foi um projecto criado por Sadie Dupuis para tocar músicas dos… Pavement. E por muito que esta um dia se quisesse descolar do rótulo da mítica banda da esfera indie, que se impôs nos fim dos anos noventa, a tarefa seria complicada. No caso dos Speedy Ortiz, novo projecto da norte-americana, isso é mesmo impossível. 

Major Arcana é o segundo registo de estúdio do quarteto de Massachussets e tudo o que nele existe é revivalismo; revivalismo de uns anos noventa que, como já foi provado n vezes, jamais se desintegrarão daquilo que faz nascer discos em pleno 2013. Que a importância de nomes como Sebadoh, Yo La Tengo ou Guided By Voices (a Pavement já lá vamos) para a consagração do rock alternativo e a sua consequente sobreposição ao movimento grunge foi vital não existem dúvidas, mas a maneira como, ainda hoje, as suas músicas se revelam autênticos hinos do panorama alternativo é quase assombrosa.


Os Speedy Ortiz têm consciência disso e condimentam-nos uma mixórdia admirável: há enormes traços de Sebadoh, sobretudo na sua fase Bakesale (a sua melhor, diga-se). Há, apesar de quase sempre escondido, o contraste entre a doçura (e tão catchy que consegue ser o disco, mérito da voz peculiar de Sadie) e a pirotecnia no tratamento de guitarras dos Yo La Tengo e, por fim, existe tudo aquilo que fez dos Pavement o que eles são. E nesse campo nem vale a pena realçar muita coisa, basta escutar. Em jeito de paroxismo, que se escute “No Below”. Não é tão um clássico instantâneo como “Fin”, de Brigthen the Corners?

Em suma, Major Arcana é um disco que nasce de memórias que nunca serão apagadas. Poderia pecar por explorar coisas que tão bem foram exploradas outrora, mas não peca: é mais um disco dos anos noventa saído em pleno séc. XXI, mas com a diferença que este é dos bons; daqueles que, seguramente, vamos querer ouvir mais do que uma, duas, três vezes. E quando isso nos acontece a certeza é só uma: existe ali algo de especial.

Nota final: 8.8/10

*Artigo redigido, por opção do autor, ao abrigo do acordo ortográfico de 1945