O mais recente estudo da Universidade do Minho afirma que a estação pública pouparia se adaptasse a sua rede emissora de rádio para difundir os canais RTP1 e RTP2. Atualmente, a RTP paga à Portugal Telecom para difundir os seus canais em sinal aberto, emissão que poderia ser feita através da rede de emissores de rádio detidos pela estação. Desta forma, o canal – que se encontra com problemas de financiamento – poderia poupar o valor pago à PT, conclui o estudo da Universidade do Minho.

O estudo realizado por Sérgio Denicole e Mariana Lameiras, ao qual o Meios & Publicidade teve acesso, revela que “a RTP possui uma rede de transmissores que foi construída para a rádio digital terrestre que pode ser adaptada”. Este estudo foi submetido ao Governo, à comissão de ética da Assembleia da República e aos respetivos grupos parlamentares pela Comissão de Trabalhadores, revela a mesma publicação.

RTP2

O valor pago – cerca de seis milhões de euros por ano – “não se justifica”, referem os autores deste estudo. Sérgio Denicole e Mariana Lameiras defendem que a rede digital de transmissores de rádio – iniciada em 1998 mas desativada por falta de adesão em 2011 – podem difundir sinais multimédia tais como os da Televisão Digital Terrestre, agora usada em todo o país. Caso a RTP adotasse esta rede já existente, teria apenas de fazer uma modernização, a qual implicaria um investimento que facilmente seria recuperado, uma vez que não pagaria à PT pelo serviço extra.

Além do benefício monetário, a RTP poderia ainda emitir os seus canais de cabo em sinal aberto, tal como foi noticiado há dias. Em causa está a emissão da RTP Informação e da RTP Memória, na TDT, que seria facilitada com esta adaptação.

Sérgio Denicole e Mariana Lamares são investigadores do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, onde foi realizado este estudo, da Universidade do Minho.