O Queer 17 teve ontem a sua noite de abertura no Cinema São Jorge com o documentário Continental, deixando claro que há muito para ver na edição deste ano.

O Festival Internacional de Cinema Queer – que faz 17 anos e já nos deixou curiosos sobre a programação ao longo desta semana – acabou o primeiro dia em festa no Teatro do Bairro com a atuação do norte-americano Cazwell, o rapper assumidamente gay que já colaborou com Lady Gaga ou Peaches.  Com 93 filmes para a competição de Longa-Metragem, Curta-Metragem e Melhor Documentário, este ano o festival foca-se na crise económica e social europeia, além dos tabus habituais em torno da homossexualidade, com ênfase nas dificuldades ainda existentes atualmente.
Nesta noite de abertura, as atenções estiveram postas no documentário Continental, de Malcolm Ingram, que nos abre as portas à revolução sexual no final dos anos 60.
Continental 1
7/10
Um documentário formal, e muito bem enquadrado na noite de abertura, Continental fala-nos da conhecida sauna gay com uma pista de dança, um cabaret e muitas salas escuras, localizada no hotel Ansonia, em Nova Iorque, por onde passaram celebridades como Alfred Hitccok. O local, marcado pela luxúria que transcendeu o objetivo de ser apenas um local de encontros gays e marcou uma revolução sexual, é-nos apresentado por diversas pessoas que lá trabalham ou frequentaram o local, sem esquecer, o próprio Steve Ostrow, o dono. Casado e com filhos, Steve iniciou o negócio apenas com o intuito de lucrar mas nele acabou por descobrir a sua própria homossexualidade e por contribuir para a mudança das leis sobre esta questão no estado de Nova Iorque. O filme consegue mesmo arrancar gargalhadas do público, graças ao seu tom cómico em certas partes, mas mostra ainda um local que foi um importante ponto de partida para algumas pessoas, como o pioneiro da musica house, Frankie Knuckles, ou LaBelle. Não se deixem chocar pela veracidade dos factos e da promiscuidade que se vivia no Continental, uma vez que era uma época de excessos, e o importante a reter é a importância do simples negócio de Ostrow. De sauna gay passa a local de passagem obrigatória para a sociedade passar uma boa noite de entretenimento, inclusive heterossexual, graças aos espetáculos arrojados, em cada semana. Ingram não nos mostra apenas a história de uma das primeiras saunas gays em Nova Iorque, apresenta-nos um ícone da homossexualidade, em vários níveis, e o trampolim de estrelas dos anos 60 e 70 como Barry Manilow ou Bette Midler.
A noite de hoje trouxe Free Fall, de Stephan Lacant, na competição de Longa-Metragem, Silent Youth, de Diemo Kenemesies, O Carnaval é um Palco, a Ilha uma Festa, de Rui Mourão, para Melhor Documentário e Hard Nights, de Avery Willard, nas Curtas-Metragens.
Além disso, o júri deste ano é composto por Andrei Rus  (Bucareste), Cinta Pelejà (Portugal) e Gustavo Vinagre (São Paulo) na Melhor Longa-Metragem. Júri da Competição para o Melhor Documentário com  Bard Ydén (Oslo), Cláudia Varejão (Portugal) e Michael Stütz (Berlim). Competição para a Melhor Curta-Metragem por André Teodósio (Portugal), António da Silva (Londres) e Daniel McIntyre (Toronto) e  Competição In My Shorts com Carlos Conceição (Portugal), Cosimo Santoro (Itália) e Maria João Mayer (Portugal).