O início de uma nova estação é sempre tempo de mudança, de adaptação. Após um verão escaldante de praia, sol e férias, eis que chega a altura do ano para regressar à escola, faculdade, trabalho… Os dias vão começando a ficar mais curtos, o sol já não brilha até tão tarde e as temperaturas vão começar a descer. É verdade, o outono está a chegar e o tempo das mantas e aquecedores também não anda longe. E que tal um livro a acompanhar? As editoras estão cheias de novidades e aproveitámos para selecionar dez sugestões de livros para a rentrée.

 

1. A História de uma Serva, de Margaret Atwood – Relógio D’Água

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A História de uma Serva situa-nos numa América que é agora Gileade, após grupos extremistas religiosos de direita terem derrubado o governo norte-americano e queimado a Constituição. A América é agora um estado policial e fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, são obrigadas a conceber filhos para a elite estéril.
Condenada a uma vida de escravatura sexual, Defred já teve um marido, uma filha e um emprego, antes deste tempo em que as mulheres foram proibidas de ler. Agora Serva da República de Gileade, é transferida para a casa de um enigmático Comandante e da sua mulher.  Agora que o seu valor reside na sua fertilidade, Defred tem de rezar para que o Comandante a engravide, caso contrário pode vir a enfrentar o exílio nas Colónias, perigosamente poluídas.

 

2. Índice Médio de Felicidade, de David Machado – Dom Quixote

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Índice Médio de Felicidade é sobretudo, um romance extremamente atual sobre um homem que, contrariamente a todas as expectativas, se mantém otimista e está disposto a lutar até ao fim pela felicidade de quem ama. Daniel é o seu nome. Daniel tinha um plano, aliás, como muitos de nós têm, mas que por vezes são deitados abaixo pelas adversidades da vida. Quando Portugal entrou em colapso, Daniel perdeu o emprego e o resto desapareceu como se levado numa bola de neve gigante. A seguir ao emprego a mulher, também desempregada, deixou-o e levou os filhos procurando melhores oportunidades. Os amigos também não foram grande ajuda. Xavier vive profundamente deprimido e não sai de casa há doze anos e o outro, Almodôvar, foi preso numa tentativa desesperada de emendar a sua vida, deixado um filho para trás.

 

3. Relatório do Interior, de Paul Auster – Porto Editora

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Em Diário de Inverno, Paul Auster, figura cimeira da literatura mundial, escreveu as memórias do seu “eu” físico. Agora, em Relatório do Interior, explora os confins da sua mente, das suas memórias e as influências que o tornaram no homem e no escritor que é hoje.
Dos episódios mais marcantes da sua infância, adolescência e início da idade adulta, Paul Auster revela que livros, filmes e acontecimentos acompanharam o seu crescimento e as primeiras tentativas de escrita.

 

 

4. O Botequim da Liberdade, de Fernando Dacosta – Oficina do Livro

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Em muitos cafés se fez História. A última grande tertúlia de Lisboa- que marcou cultura e politicamente várias décadas portuguesas- , por exemplo, teve lugar no Botequim, bar do Largo da Graça, em Lisboa, criado e projetado por Natália Correia. Aí fizeram-se e desfizeram-se revoluções, governos, obras de arte, etc. Por ele passaram presidentes da República e outros governantes, bem como militares, juízes, revolucionários, heróis, homens de letras, cientistas, assassinos, loucos e amantes. Havia uma magia que lhe era inerente e que tão bem se sentia nas suas noites de festa.
Num livro que se propõe também a ser uma viagem, poderá ver-se (e ler-se) como o futuro se projetou ali mais do que noutra qualquer parte do país e como nunca mais houve nada igual na história de Portugal.

5. A Desumanização, de Valter Hugo Mãe – Porto Editora

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«Mais tarde, também eu arrancarei o coração do peito para o secar como um trapo e usar limpando apenas as coisas mais estúpidas.»
A Desumanização é uma obra cuja história é situada na Islândia, mais concretamente nos recônditos fiordes. Este romance, o sexto de Valter Hugo Mãe, é a voz de uma menina diferente, Halla, que nos fala da sua desolação após perder a irmã gémea. Um livro de uma profunda delicadeza, em que a tristeza e a beleza andam de mãos dadas.

 

6. A Sentinela, de Richard Zimler – Porto Editora

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Este é o primeiro romance do escritor luso-americano editado pela Porto Editora. Conhecido pelos romances históricos, Zimler surpreende-nos desta vez com uma trama passada na Lisboa dos nossos dias. Tudo começa com o homicídio de Pedro Coutinho, um abastado construtor civil, que cabe a Henrique Monroe investigar. À medida que avança na investigação e interroga a filha da vítima, apercebe-se de que esta pode ter sido silenciada por um político devido ao seu papel na rede de corrupção que montara para conseguir contratos. Mas a explicação poderá ser ainda mais complexa do que Henrique Monroe poderá pensar…

 

7. A Segunda Morte de Anna Karénina, de Ana Cristina Silva – Asa

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Um romance sobre o amor, a traição e os custos da vingança, que aborda as tensões homossexuais reprimidas, o sentimento de perda de tantas vidas durante a Primeira Guerra Mundial e as diferenças- se existem- entre o teatro e a vida real.
A história centra-se em Violante, que desde criança exibe um enorme talento para a representação, e Henrique, um grande ator que acaba por casar com ela. Com a sua ajuda torna-se uma das mais consagradas atrizes do início do séc. XX. Porém, longe das luzes da ribalta, Violante guarda um enorme segredo que levou para longe o marido. Longe de todos, Violante visita o jazigo de um jovem oficial português falecido em combate durante a guerra das trincheiras, em França. Entretanto regressa Luís Henrique à procura de respostas que Violante não lhe pôde dar no passado.

8. A Sagração da Primavera, de Alejo Carpentier – Sextante Editora

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Uma das mais ambiciosas obras de Alejo Caspentier e que recebe o seu título do célebre ballet de Stravinsko,  A Sagração da Primavera.
Uma história de amor entre dois refugiados políticos– um arquiteto cubano e uma bailarina russa – onde o autor revisita alguns dos acontecimentos históricos mais marcantes do século XX, desde a guerra civil espanhola à revolução cubana.

 

 

9. A Infância de Jesus, de J.M. Coetzee – Dom Quixote

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A Infância de Jesus é a história de um rapaz excecional, com ideias invulgares sobre o mundo. Depois de atravessar oceanos com um homem, chegam a uma nova terra onde recebem novas identidades e são alojados num campo enquanto aprendem espanhol, a língua deste novo país. O homem, agora chamado David, arranja emprego e decide procurar a mãe do rapaz, agora Simón. Após localizarem aquela que acreditam ser a mãe do rapaz, esta descobre nele uma criança inteligente, cheia de sonhos e ideias estranhas sobre o mundo que os rodeia. Porém, as autoridades académicas detectam nele um traço de rebeldia e insistem que Simón seja enviado para uma escola especial distante. A mãe recusa-se a entregá-lo e é Simón que tem de conduzir o automóvel durante a fuga do trio pelas montanhas.

 

10. Mystic River, de Dennis Lehane – Sextante Editora

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Mystic River é um thriller psicológico adaptado ao cinema por Clint Eastwood.
A história começa quando três amigos de infância avistam um estranho carro parado na rua onde costumavam brincar. Dave é levado pelos homens do carro enquanto os amigos, Sean e Jimmy, ficam para trás. As suas vidas mudam para sempre quando algo terrível acontece e acaba com a amizade dos três.
Vinte e cinco anos passados e Dave está ainda a tentar controlar os seus demónios, enquanto Sean se tornou detetive de homicídios e Jimmy um ex-presidiário proprietário de uma loja.