Na tarde e noite de sábado a cidade do Porto foi invadida por mais de 50 bandas que atuaram em mais de 20 lugares emblemáticos. Foram milhares os que saíram à rua em busca dos seus concertos de eleição: electrónica, alternativa, hip hop, pop, música tradicional, fado, jazz, etc.

Este ano a Optimus D’Bandada tinha bandas para todos os gostos e idades, sendo impossível ficar indiferente a este São João da música, que já tão bem caracteriza esta cidade. Este evento não é apenas marcante a nível musical, mas sim também na dinamização da baixa portuense que nestes ultimo anos se tem aberto a uma nova vida, dando a conhecer um lado mais jovem, animado e criativo do Porto. Sem qualquer sombra de dúvida que este é um evento que não merece desaparecer, uma vez que glorifica a nossa música mas também porque a oferece a gratuitamente qualquer um que passe ou se dirija ao Porto nessa noite.

Começamos às 18h por seguir os Glockenwise na primeira etapa da estafeta pelas ruas do Porto. Eram muitos os seguidores desta banda de Barcelos que têm dado muito que falar este ano, passando por festivais como Marés Vivas ou Vodafone Paredes de Coura. Pena o volume do som estar tão baixo, que impossibilitava grande parte do público de ouvir e dançar as suas músicas.

Seguimos para o café Rádio para assistir à prestação de Valter Lobo. No pátio interior eram já muitos os que ali se reuniam para ouvir as músicas que o próprio diz em jeito de gozo serem “demasiado tristes para um ambiente assim. O melhor é ouvi-las sozinho, em casa, num dia frio e chuvoso de Inverno”. No entanto, a luz apareceu do meio da escuridão que o artista pintou e o público, apesar de não ser grande conhecer das letras, lá foi ajudando nos refrões.

Voltámos à estafeta para encontrar o energético e animado duo de kuduro. Os The Shine que se sentiam “muito quentes” já se preparavam para o concerto que iam dar mais ao final do dia no Plano B onde iam “soltar toda a água”.

A tarde ficou por ali, mas a lista de concertos a querer ver durante a noite era grande e as opções foram difíceis de tomar, pois as prestações das bandas prometiam. No entanto tudo se conseguiu e às 22h já a praça dos leões se enchia para os Best Youth. A banda que nos últimos tempos andou em digressão com There must be a place, o projeto conjunto com os WE TRUST, regressou aos palcos em nome próprio, divulgando o novo álbum e revisitando o anterior.

Saindo um pouco mais cedo corremos até Era uma vez em Paris onde os Ciclo Preparatório tocavam para uma galeria a abarrotar de gente, que cantava as letras que pareciam ensaiadas em casa. Nem o calor e os empurrões impediam o público de dançar e pedir por mais, sendo que a banda esteve sempre à altura das exigências dos espectadores.

À saída deste concerto, ainda foi possível apanhar os Equations que tocavam na mesma rua no Café au Lait. Além de uma parte electrónica bem concebida e aliada ao psicadelismo das guitarras, a voz apresentava-se por vezes um pouco desenquadrada de tudo aquilo. No entanto, nada fez o público parar de se mexer freneticamente ao longo do concerto, levando a banda a responder assertivamente aos pedidos de “mais uma música, só mais uma música”.

Os Naco atuaram no PlanoB, logo após a The Glockenwise, que levaram consigo a sua multidão de seguidores. Apesar de um começo melancólico, um pouco a medo até,  o concerto foi evoluindo e acabou bastante animado com o público a dançar.

Demos um salto ao Café Aviz onde, sob curadoria da Capicua, vários artistas declamavam as suas letras. Conseguimos ver Aline Frazão e Maze, no entanto o espaço escolhido não foi o melhor. Sendo um restaurante, a entrada esta limitada a um número muito reduzido de pessoas, pois não se podia incomodar os clientes. Esta ideia, tão bem recebida por parte do público, não foi muito bem concretizada, uma vez que foram muitos os que ficaram impedidos de entrar por causa de uma suposta lotação de espaço. Este palco e a afluência a ele provou que as letras, o seu conteúdo e forma como são escritas são realmente importantes para o público.

O “electro-kuduro” da Blaya invadiu o Armazém do Chá que não conseguiu suportar tantos curiosos que tentavam a todo o custo lá entrar. A sala era pequena demais e o calor e a confusão eram insuportáveis. Durante o tempo que lá estivemos, foi fácil perceber que a Blaya estava imparável naquela noite. Como sempre arrasou com a sua dança sensual, com movimentos de twerk e kuduro, e a sua energia inesgotável prometia que íamos mesmo de ficar acordados toda a noite. Tanto que, em jeito de homenagem e não esquecendo onde se revelou, apresentou não só os seus temas próprios como também clássicos dos Buraka Som Sistema.

Num ambiente totalmente diferente encontramos Samuel Úria no Clube Fenianos Portuense. A fila interminável tinha público de todas as idades que ansiavam pelo seu concerto. Este foi bastante intimista e o músico com todo o seu à vontade conseguiu pôr a maioria a cantar em coro.

A noite já estava a chegar ao fim, mas ainda faltava passar por mais duas paragens. Primeiro Voxels que conseguiram encher uma rua graças à sua electrónica contagiante. Os djs encontravam-se numa grua que mais parecia um pedestal, adorado por todos aqueles corpos que dançavam quase em uníssono.

Por fim, fomos até à Baixaria onde Lewis, Luís Montenegro dos Salto, acabaria a noite da D’Bandada em modo dj set. Fizeram falta músicas da sua autoria, no entanto não deixou de ser uma boa forma de acabar a noite.

E foi assim que a invicta tão bem nos recebeu, numa noite em que a música vinha de todos os cantos e mais alguns. Há três ingredientes que fazem da D’Bandada um cocktail perfeito: a cidade e as suas gentes, o facto de ser gratuito e o mais importante o cartaz composto por apenas bandas portuguesas. É isto que faz da D’Bandada um dos eventos de música mais importantes a nível nacional, que continua a crescer e a surpreender a cada edição que passa.