A RTP1 apresentou esta semana a sua nova aposta no domínio das séries históricas – Os Filhos do Rock. O Espalha Factos marcou presença e conta-te o que poderás esperar deste produto de ficção.

Nem só de fado vive a nossa história musical. A guitarra de rock também marcou um importante período português de efervescência de vontades, de ideias e de entusiasmo juvenil.

O ano de 1978 é o início deste “período que pertence à nossa memória recente, altamente dignificante para a nossa história”, palavras de Leonel Vieira, o produtor da nova série da RTP, Os Filhos do Rock. O boom do rock português na década de 80 é o foco da trama.

A apresentação do novo produto de ficção decorreu esta quinta-feira, na loja de discos Carbono, um autêntico parque de diversões para os amantes da música: CD’s de (quase) todas bandas e artistas nacionais e internacionais, vinis, t-shirts e todo o tipo de artigos. Chegam os responsáveis envolvidos no projeto e os rockeiros de serviço: Albano Jerónimo, Isabel Abreu e Ivo Canelas assumem-se como o trio de protagonistas. Elenco, aliás, muito elogiado por todos. “Temos o elenco que queremos. Eu escrevi a pensar neste elenco”, conta Pedro Varela, realizador e autor dos textos. Os protagonistas reais, esses, dispensam apresentações: Rui Veloso, Jorge Palma, Taxi, Xutos e Pontapés ou Heróis do Mar são a inspiração da história.

Para Albano Jerónimo, Pedro atribuiu-lhe outro Pedro, um diretor de rádio que luta por aquilo em que acredita e que, posteriormente, será diretor de uma editora. O ator, que terminou a novela Dancin’Days da SIC e recusou a proposta da TVI para a novela Belmonte, salienta o “compromisso entre o lado artístico e social” da época, e reconhece que este é um projeto que o estimula.

Isabel Abreu vai vestir a pele de Simone, uma produtora de rádio que traz muitas referências estrangeiras, e conta que o “sim” foi muito rápido, pelo fascínio que tem por este período: “as pessoas deixaram de ter vergonha de cantar em português”. Ivo Canelas, que regressou agora dos EUA, onde esteve a fazer audições, será Xavier Bastos, uma figura que vai ajudar a promover o rock em Portugal.

Anabela Moreira, Margarida Carpinteiro e Catarina Furtado são outros nomes confirmados nesta série eletrizante. Haverá ainda um núcleo surpresa, que promete agitar os televisores. Pedro Varela lembra os bons resultados do casting feito para encontrar uma jovem, a já escolhida Filipa Areosa, que “está maravilhosa no papel”. Tudo parece estar a compor-se para que este formato seja “música para os ouvidos” dos espectadores.

A estação pública tem apostado no lema: contra o esquecimento, recordar o mais possível. Depois de Conta-me Como Foi e de Depois do Adeus, a RTP pretende manter a linha de produção de ficção histórica. Hugo Andrade, diretor de programas, orgulha-se do produto encontrado e recorda memórias desse tempo. “Tenho uma guitarra em casa cheia de pó”, revela.

Mas para melhor retratar um período, nada melhor do que recorrer aos que o viveram. Rui Veloso e Jorge Palma têm ajudado muito na elaboração dos guiões com os seus testemunhos. Leonel Vieira adianta que “vamos utilizar uma letra do Jorge Palma escrita nos anos 70”, algo inédito. A rodagem começou há 2 semanas, e já superou as expetativas do produtor. A cumplicidade e o entusiasmo com que todos os elementos falam sobre o projeto é inegável: uns por terem recordações vividas desse período, outros por terem muita vontade de o conhecer e retratar.

São 26 episódios de uma mistura entre ficção e realidade, de retrato de uma época pouco estudada mas muito desafiante, para ver ainda este ano na RTP. Os responsáveis não adiantaram a data exata do início do espetáculo.

Fotografia © Natacha Cardoso/ Global Imagens (Diário de Notícias)