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MOTELx’13: Kubrick vai à lua e Tobe Hooper a Lisboa

No segundo dia da sétima edição do MOTELx foi altura de homenagear alguns dos clássicos mais terroríficos do cinema norte-americano. No meio de memórias de uma época já passada, ainda deu tempo para ver o último filme de Rob Zombie, um rockeiro que se vai aventurando como cineasta e duas das curtas-metragens nomeadas ao grande prémio Yorn.

O Cinema São Jorge ainda teve o grande prazer de ter presente Tobe Hooper, o realizador de um dos mais icónicos filmes de terror de sempre, Texas Chainsaw Massacre. Numa conversa quase que intimista, Hooper foi relevando a uma plateia eufórica como surgiu a ideia de fazer o seu filme de 1973, dizendo que arranjou a inspiração, por incrível que pareça, na época natalícia.

Desespero – 5/10

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Desespero é uma das curtas-metragens nomeadas ao prémio Yorn e é da autoria de Rui Pilão. Desespero aborda um dos temas mais badalados da atualidade portuguesa, a crise e os seus efeitos nas pessoas. Mostra-nos como o desespero pode induzir os humanos aos atos mais irracionais e instintivos, girando à volta de uma família de três elementos. O grande problema é que a curta nunca chega a cativar o espectador, a história pode ser pertinente mas é um pouco mal explicada, parece até que o argumento usa a crise apenas para explicar a ação que decorre no ecrã, hiperbolizando demasiado nas reações das personagens à mesma.

Sara – 7/10

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Miguel Ângelo assina esta curta que nos fala de duas irmãs que perderam a mãe. Revela um amor quase doente que existe entre Joana e Sara e a necessidade extrema da primeira cuidar da segunda que se encontra num estado bastante apático. A curta está muito bem filmada e o plot é interessante. A conjugação do som com a imagem torna a ação interessante e consegue assustar o espectador de quando em vez. Tudo resulta bem na curta, talvez o que mais desilude é o final feito um pouco à pressa e a má publicidade que o próprio realizador fez na sessão de apresentação da sua curta, despromovendo o seu próprio trabalho, o que fez com que o público torcesse o nariz logo desde início.

Room 237 – 5.5/10

Room 237

The Shining chega às sala de cinema em 1980 e Stanley Kubrick entra para a história do cinema de terror com um dos filmes mais perturbadores da década de 80. Room 237 é um documentário que tenta entrar no fantástico universo de Kubrick que fascina tanto o público em geral como a crítica especializada já que nada nos seus filmes é deixado ao acaso, podemos sempre retirar alguma conclusão ou ensinamento.

O documentário revela assim várias teorias em volta de The Shining, umas mais óbvias que outras, passando por outras que apenas são descabidas. Primeiro, há referências ao holocausto e ao assassinato de tribos norte-americanas, o que é fácil de aceitar já que Kubrick deixava muitas pistas intencionais no meio do seu filme para se referir a esses mesmo assuntos mais delicados, como a máquina de escrever de Jack que era alemã ou a lata de Camulet com um índio na dispensa do hotel.

O problema de Room 237 é que parece não se levar a sério. Há teorias demasiado extravagantes como o facto de ter sido Kubrick a gravar a famosa aterragem na lua pelo Apollo 11, ou até de o cabelo de Nicholson ser um bigode de Hitler mascarado. Foram buscar tantos significados para coisas que provavelmente nem teriam nenhum, demasiado rebuscado e, ainda para mais, um documentário com falhas de edição e uma banda-sonora bastante desagradável ao ouvido. Em suma, The Shining merecia um estudo muito mais aprofundado e realista, não tão fantasioso nem descuidado, afinal trata-se de um dos grandes clássicos do cinema.

The Lords of Salem – 4.5/10

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Rob Zombie, um conhecido músico de Heavy Metal, continua o seu percurso cinematográfico agora com um dos filmes mais nonsense desta edição do MOTELx, é um filme que nos deixa desapontados visto que potencial é  que não falta tanto ao estilo de filmar de Zombie como ao seu próprio argumento. O problema é que o músico e a sua excessiva extravagância deitam tudo a perder e o conjunto de tudo é apenas mau.

Heidi (Sheri Moon Zombie), uma Dj da rádio, recebe uma caixa de madeira que contém um disco misterioso. Heidi escuta o álbum e a sua sonoridade bizarra convoca memórias do violento passado de Salem. Estará Heidi a enlouquecer ou estará o passado de Salem, sedento de vingança, de regresso?

O filme começa bastante bem, é fácil criar uma imediata empatia com Heidi, uma locutora de rádio na cidade de Salem. Depressa percebemos que algo está errado, mesmo antes da bizarra música aparecer, o ambiente é desde sempre bastante obscuro e isso ajuda à tensão criada logo na primeira parte. Com um pouco de humor à mistura também, o filme vai crescendo e motivando o público. A própria fotografia está bastante cuidada e é interessante de apreciar.

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Mas depressa o filme começa a cair numa teia de aleatoriedade desnecessária desde o momento em que ouvimos o desagradável som de The Lords of Salem e a história começa a não fazer sentido. O público começa a desligar-se e apenas a rir-se do filme, mesmo quando era suposto ser um momento tenso ou de explicação da ação. Zombie exagera e assim acaba por chacinar todo o trabalho que fez com The Lords of Salem nos minutos iniciais do filme.

The Conjuring, uma das ante-estreias mais esperadas desta edição de MOTELx, terá hoje lugar, pouco depois da meia noite, na Sala Manoel de Oliveira.

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