O Espalha-Factos resolveu fazer um levantamento de algumas das fotografias mais famosas de sempre. Quer o foco principal seja uma pessoa, paisagem ou um momento capturado em imagem não há dúvidas de que estas imagens marcaram o mundo fotográfico e qualquer fotógrafo (profissional ou amador) assim como um indivíduo comum reconhece a marca deixada por tais imagens. Apresentamos-te agora as nossas referências com 10 das imagens mais icónicas de sempre.

10 – Vulture Stalking a Child (1993)

Fotógrafo: Kevin Carter

Na altura mal sabia Kevin que esta imagem acabaria por lhe custar a vida. Na imagem uma menina no Sudão visivelmente esfomeada e prestes a morrer é observada de longe por um abutre, que aguarda pelo seu óbito para a ter como refeição. Em volta destes dois elementos dominantes na imagem está subentendido um cenário onde perduram a pobreza e a fome.

Ao que parece, o fotógrafo, após ter tirado a fotografia (pela qual esperou 20 minutos na esperança de que a ave abrisse as asas), entrou pouco depois num avião, deixando a criança entregue à sua sorte. Apesar da divulgação pelo The New York Times e do prémio Pulitzer (ganho em 1994), Kevin Carter foi bastante criticado pela comunicação social por nada ter feito para ajudar a menina. Contudo a criança da imagem acabou por sobreviver à fome e à guerra que assolavam o Sudão, mas Kevin não suportou o desgosto provocado pela imagem e suicidou-se alguns meses depois de ter vencido o prémio.

9 – Raising a Flag Over the Reichstag (1945)

Fotógrafo: Yevgeny Khaldei

Na imagem, Abdoulkhakim Ismailov, falecido aos 93 anos de idade em 2010, juntamente com outros três soldados soviéticos tomaram o Palácio do Reichstag a 2 de maio de 1945, na Batalha de Berlim, durante a Segunda Grande Guerra.

Ismailov agita a bandeira Soviética no topo do palácio. O momento foi capturado pelo repórter Yevgeny Khaldei, que assim imortaliza a imagem do soldado pertencente ao Exército Vermelho.

Rapidamente esta imagem se tornou numa das mais reconhecíveis associada a esse conflito. O simbolismo que a imagem carrega nota-se no facto de a bandeira da União Soviética prevalecer sobre o cenário de destruição causado pelo confronto. Esta imagem chegou inclusive a ser considerada um símbolo da derrota do Terceiro Reich.

8- Lunch atop a Skyscraper (1932)

Fotógrafo: Charles C. Ebbets

Esta imagem mostra 11 funcionários a almoçar sentados numa viga no 64.º andar de um prédio em Nova Iorque. Apesar da altura em que se encontravam, os 11 homens estão bastante tranquilos, mesmo sabendo que um pequeno descuido daria origem a uma enorme queda. O cenário citadino por detrás do grupo, não só nos dá noção da beleza e dimensão da cidade, mas também da altura à qual aquelas pessoas se encontravam.

Sem dúvida uma das imagens mais icónicas do século XX, e motivo de várias suspeitas de montagem desde a sua publicação no New York Herald Tribune: ninguém acreditava que aqueles homens se pudessem sujeitar a tamanho risco. Em 1986 o edifício que nesta altura estava a ser construído passou a ser conhecido como GE Building, e à sua história estará para sempre associada esta imagem.

7- V-J day in Times Square (1945)

Fotógrafo: Alfred Eisenstaedt
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Esta é a imagem que retrata a alegria e euforia que invadiram a América com o final da Segunda Guerra Mundial: um jovem marinheiro beija uma jovem enfermeira em plena Times Square, Nova Iorque. O elemento que mais chama a atenção nesta imagem é o de contraste entre as cores escuras envergadas pelo marinheiro e as cores brancas que a enfermeira veste no momento do beijo.

De acordo com o fotógrafo o marinheiro da imagem andava eufórico pelas ruas a beijar todas as mulheres que encontrava no espaço, fossem elas jovens ou mais velhas. A mulher foi muito mais tarde identificada como sendo Edith Shain, e a própria contou que no momento deixou que ele a beijasse por ele ter combatido na guerra. Mesmo assim o marinheiro, cuja identidade permanece um mistério, não deixou de levar uma bofetada na cara após o icónico momento ter terminado.

6 – Abbey Road (1969)

Fotógrafo: Iain McMillan

Tirada no exterior dos estúdios de Abbey Road a 8 de agosto de 1969, esta imagem é uma das muitas que é associada aos Beatles, principalmente por ter sido a capa do seu penúltimo álbum musical. Desde que foi capturada e divulgada esta imagem tem sido alvo de inúmeras observações e inclusive teorias de simbolismo e muitos outros detalhes que compõem a imagem.

Reza a lenda que foram necessárias seis fotografias até se obter a imagem igual à que Paul McCartney teria desenhado alguns dias antes. O fotógrafo, pouco antes do meio-dia, recorreu a uma escada para se erguer a cerca de três metros do chão por forma a capturar a imagem que vemos atualmente. E Iain teve apenas dez minutos para capturar esta imagem, que se tornou uma referência no mundo da fotografia e da música.

5- Einstein with his tongue out (1951)

Fotógrafo: Arthur Sasse

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Arthur estava a tentar convencer um dos cientistas mais famosos do mundo a conceder um sorriso para a sua câmara. Em vez de um sorriso, Albert Einstein fez uma careta que não podia deixar de ser captada. Esta imagem, apesar do humor que a caracteriza, de certa forma também revela o descontentamento que o próprio sentia com o assédio e atenção de que era alvo após ter criado a Teoria da Relatividade.

Este momento ocorreu durante a comemoração do 72.º aniversário de Einstein. Curiosamente a imagem popularizou-se de tal modo que o cientista chegou a ser elevado ao status de símbolo pop. O próprio Albert gostou bastante da imagem e passou a distribuí-la àqueles que lhe eram próximos.

4 – The Execution of A Vietcong Guerilla (1968)

Fotógrafo: Eddie Adams

4Não há forma de negar o impacto que a imagem teve na história da Guerra do Vietname: o assassinato de Nguyễn Văn Lém (guerrilheiro do Vietcong) por parte do chefe de polícia de Saigon (o Tenente Coronel Nguyen Ngoc Loan).

Esta foto fez com que Eddie ganhasse um prémio Pulitzer, levando-o para uma fama inegável no mundo do fotojornalismo. O momento de angústia refletido no rosto do jovem guerrilheiro momentos antes de o gatilho a seu lado ser premido, conciliado com a postura fria do Tenente antes da execução, tornam esta imagem um momento poderoso.

Após ter sido fotógrafo correspondente em 13 guerras, Adams ficou de tal modo tocado por esta fotografia que resolveu dedicar-se à fotografia paisagística. Uma das suas declarações públicas relativamente ao momento que capturou esta imagem é frequentemente citada em páginas online que referem o impacto que o mesmo teve: “O coronel assassinou o preso; mas e eu… assassinei o coronel com minha câmara?”

3- Migrant Mother (1936)

Fotógrafo: Dorothea Lange

Nesta imagem a figura de Florence Owens, jovem mãe de 32 anos e com sete filhos, revela um olhar poderoso carregado de várias emoções: a ausência de esperança, a tristeza pela sua condição e o pessimismo com que naquele momento encara o seu futuro. Esta foto é uma representação dos tempos difíceis que se viveram nos EUA com a Grande Depressão.

Curiosamente, décadas após esta foto ter sido tirada, vários jornalistas tentaram saber o que tinha sido feito de Florence e dos seus filhos. Em 1970 ela foi encontrada: não tinha enriquecido muito e morava numa roulotte. Viria a morrer de cancro e problemas de coração de 1983.

2- Fire on Marlborough Street (1975)

Fotógrafo: Stanley J. Forman

Mais uma imagem vencedora de um prémio Pulitzer. Aquilo que sem dúvida impressiona quem olha para esta imagem é a forma como um momento tão trágico, angustiante e triste foi capturado de forma tão chocante nesta imagem. Na mesma, Diana Bryant (19 anos) e a sua afilhada Tiare Jones (2 anos) estão em plena queda de 15 metros de altura após tentarem escapar a um incêndio no prédio onde estavam. Recorreram a uma escada de incêndio, que caiu inesperadamente.

O fotógrafo, assim como muitas outras pessoas que assistiam à cena, ficaram horrorizados com o que sucederia após as duas embaterem no chão. Diana viria a morrer dos ferimentos provocados por esta tragédia, já Tiare teve mais sorte pois o corpo da sua madrinha amparou-lhe a queda e permitiu a sua sobrevivência. “Naquele momento, eu não sabia que a imagem teria um impacto tão grande. Quando eu comecei a rever os negativos, eu foquei-me nas imagens do resgate, quando as duas ainda estavam agarradas uma à outra. Eu nem olhei para essa fotografia, porque eu não sabia exatamente o que eu tinha conseguido capturar. Eu sabia que as tinha fotografado durante a queda, mas eu só percebi o impacto da tragédia depois de ter revelado essa foto.” declarou Stanley falando da sua reação face a este acontecimento marcante para a sua carreira.

1- Afghan Girl (1984)

Fotógrafo: Steve McCurry

Esta imagem é, sem dúvida, uma referência para muitos fotógrafos e sobretudo para o National Geographic: a imagem de Sharbat Gula, na altura com 12 anos de idade, conquistou milhares de atenções devido ao seu olhar único. A sua imagem tornou-se numa referência para milhares de mulheres em todo o mundo e num símbolo de luta pela liberalização da condição das mulheres no Afeganistão.

17 anos mais tarde, a identidade da rapariga viria a ser confirmada pelo próprio fotógrafo que capturou a sua imagem. Sharbat foi novamente fotografada, desta vez com 30 anos de idade, e não tinha a menor ideia do impacto a nível mundial que a sua imagem tinha tido.

“Estou absolutamente certo de que Sharbat Gula é a rapariga afegã que procuro há 17 anos. Os seus olhos são tão cativantes como então”, referiu Steve, que não duvidava de que voltara a encontrar a jovem que catapultou a sua carreira enquanto fotógrafo.