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Festa do Avante!, dia 6: “A todos desejo que, vida fora, realizem os seus sonhos”

A Festa do Avante! iniciou ontem a sua 37.ª edição, perante a participação de milhares de pessoas, novos e velhos, vindos de todo o país. Uns são militantes, outros nem tanto. Este não é um texto sobre política, mas surge-nos uma dúvida legítima: seria Portugal um país mais preservador da sua cultura se fosse uma república socialista?

A sensação de ver um bem composto recinto ao ar livre, como é o do Palco 25 de Abril, para ver a Orquestra Sinfonietta de Lisboa, é única. Isso e andar pela Quinta da Atalaia enquanto se ouve Beethoven e Stravinsky – é épico. A opção pela cultura, desde a cultura tradicional presente no Palco Arraial, até à música clássica e dita erudita, pontua de diferença a Festa. E realmente tenho dificuldades em encontrar uma como esta.

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Houve também oportunidade de passar por uma exposição, instalada no recinto, sobre o Centenário de Álvaro Cunhal. O ícone maior dos comunistas portugueses é também uma figura marcante na cultura portuguesa, tal a sua contribuição para as artes, através da literatura e de desenhos e pinturas. Cunhal classificou a Festa do Avante! como «a maior, a mais extraordinária, a mais fraternal e humana jamais realizada em Portugal».

Temos a certeza que, se visse a festa em 2013, não ficaria desapontado. Esta festa é, como a citação que temos em título, um bom sonho para realizar. A afirmação maior de todo o peso que o Partido Comunista continua a ter na vida portuguesa. Para um estreante, como o jornalista que hoje vos escreve, é de impressionar a magnitude do evento e tudo o que inclui, desde uma Festa do Livro e Disco, um Espaço Ciência, um Espaço Criança, várias exposições, todas as ‘barraquinhas’ (e é injusto o diminutivo) das delegações regionais ou ainda a interessante Cidade Internacional. Já agora, obrigado Vila Real pelos copinhos (diminutivos esquisitos outra vez!) de tinto.

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Nos concertos tivemos ainda tempo de assistir ao espetáculo de Batida. A prestação, no 1.º de Maio, foi elétrica e alegre. Os tons são meios europeus, naquilo que se encaixa totalmente no dancefloor, mas integralmente angolanos em tudo o que tem gosto de tradicional. E é espetáculo de som, luz e cor. Batida frenética, ancas balançantes.

Antes de ir embora, The Flat Mountain. No Palco Novos Valores, a banda que venceu o concurso de bandas da JCP no Algarve. A noite pareceu desinspirada e até ligeiramente desencontrada. O instrumental e a voz pareciam longe um do outro. E às vezes até longe da afinação. Mas perdoamos, foi dia de Festa.

Hoje há mais, e vai ser um dia inteiro. O Espalha-Factos conta tudo amanhã!

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