Camara de gás

A viagem de regresso ao Teatro Rápido

Para a maioria de nós o fim de Agosto significa o fim das férias. Começa Setembro e regressamos ao trabalho, às aulas, a andar de metro todos os dias e a acordar de madrugada quando só queremos dormir. Regressamos também ao Teatro Rápido que tem mais quatro micropeças para nos oferecer, subordinadas ao tema ‘regresso’.

A viagem começa com uma Câmara de Gás, desenhada por David Carronha na Sala 1. Uma câmara onde dois indivíduos, dois números, dialogam entre si, ao estilo orwelliano. Um dos elementos daquela câmara quer seguir a ordem “natural” das coisas, o outro acredita que a ordem impede-nos de pensar. E talvez tenha razão. Impregnados numa interpretação soberba, forte, e num espaço pequeno onde as luzes, o som, e a câmara se unem numa das poesias mais bonitas, é garantida alguma emoção – ou comoção se quiserem – quando se chegam aos 15 minutos finais do espetáculo. Queremos mais. E temos. Este espetáculo tem sessões às 18h00m, 18h30m, 19h00m, 19h30m e 20h00m.

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Prosseguimos viagem. A emoção já foi tal que, entrecortada entre momentos de humor e de crítica, nos fez arrepiar. Abre-se a porta escura da sala 2, depois de tomar um café ao som de boa música no Teatro Rápido Bar, e deparamo-nos com uma mulher sozinha, de costas. A porta fecha-se. Já não estamos numa câmara de gás futurista, agora estamos numa típica casa portuguesa, de uma família pobre. Eis, nesta sala, a prova de que não é preciso cenário quase nenhum para se conseguir chegar ao espetador. Um monólogo sobre uma família e um cão. Ou melhor, sobre o cão e o desprezo da família. É Tillby o personagem principal e é a filha quem conta a história, com uma interpretação bem conseguida e as personagens bem demarcadas. No fim, A ponte na Califórnia e aplausos de pé. Merecidos. O espetáculo tem sessões às 18h05m, 18h35m, 19h05m, 19h35m e 20h05m.

Sala 2 - A Ponte Na Califórnia (1)

Regressamos, quase de repente, ao mundo exterior – ao nosso mundo. Mas a viagem ainda vai a meio. Somos convidados, logo depois, à sala 3 onde Teresa Côrte-Real é Natália. E que Natália esta – uma personagem muito forte, que olha mortiferamente para os olhos de cada um que está sentado, muito perto, naquela sala. Somos convidados a conhecer Natália, uma mulher da palavra, que tanto critica o Portugal contemporâneo, sempre com uma pitada de ironia ou sarcasmo. Dá vontade de não mais sair dali. Que casa tão acolhedora. E que aplausos merecidos merece Teresa Côrte-Real e o texto de quem a fez. Pode ser visto às 18h15m, 18h45m, 19h15m, 19h45m e 20h15m.

Fotos Promo sala 3 - Natalia (2)

O fim da viagem é um musical erótico de Lola – la espanhola. Um espetáculo com um ator espanhol, que interpreta um homossexual que quer arranjar trabalho em lisboa. Para a magia acontecer basta um órgão portátil, uma bola de espelhos e uma carpete vermelha. Estamos prontos a assistir ali, bem perto, à história daquele homossexual provocador que vive de sonhos. A viagem acaba, na sala 4, com muitas gargalhadas e mais um aplauso de pé. O musical pode ser visto às 18h20m, 18h50m, 19h20m, 19h50m e 20h25m.

Lola La Espanhola - Sala 4(1)

Vem aí uma temporada recheada de aplausos, bem fortes, para o Teatro Rápido. Por isso, até 30 de Setembro, de quinta a segunda-feira, vá ao teatro rápido, eles merecem: “Uma peça de teatro por dia, não sabe o bem que lhe fazia!”

Fotografias cedidas por Manuel AraújoTeatro Rápido

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