Muita música folk, workshops de dança, ecologia, calor e barragem foi a combinação perfeita para uma semana de férias no norte alentejano, no Festival Andanças, que decorreu entre 19 e 25 de agosto.

Após 15 anos, em São Pedro do Sul, esta 18ª edição do Festival Andanças decorreu na zona da albufeira centenária da barragem de Póvoa e Meadas, no Parque Natural de São Mamede, Castelo de Vide que acolheu mais de 1000 artistas que compuseram o leque de atividades ligadas à música, dança, ecologia, construção de instrumentos, oficinas criativas, desporto, atividades para crianças, passeios e muito mais, numa área gigantesca de 25 hectares.

Os Espalha-Factos aceitaram o desafio e  mudaram-se para a barragem de malas e bagagem durante uma semana para viver esta aventura.

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Se há coisa que ninguém se pode queixar no Andanças é a animação. Ela acontece em todo o lado: no refeitório, no parque de campismo, na barragem, nos palcos, nas filas para a casa de banho, nos duches, na zona de restauração e nos recantos mais florestados do recinto. Há música para todos os gostos e sempre qualquer coisa a acontecer.

As atividades começavam todos os dias pelas 09h30 com Biodanza, Pilates, Yoga, entre outros. Pausa para almoçar e hidratar o corpo Desde os instrumentos mais tradicionais como cavaquinhos, guitarras, bandolins, gaitas de foles, acordeões e sanfona, aos mais criativos tubos de pvc, plástico e chinelos tudo serve para fazer os corpos dos participantes mexerem. É uma semana de non stop ao ritmo, para depois os participantes rumarem aos workshops de danças.

Sem cair na repetição as oficinas iam desde “Pintar o Corpo”, Capoeira, Danças Escosesas, Contos para Crianças, Dança Africana, Hip Hop, Danças Egípcias, Danças Holandesas, Danças Toscas, construção de Didgeridoo e muito mais. Não há rotina e cada um faz o programa que mais lhe agrada. Um festival que está preparado para toda a família, cheio de atividades para os mais novos que andavam todos contentes entre os adultos que bailavam.

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Novo espaço um novo desafio

Para quem estava habituado às edições anteriores do festival houve muitas coisas diferentes. Algumas marcaram o público pela positiva outras pela negativa, mas no fim resta aquele sentimento de uma semana bem passada, em harmonia e com um “saco” de novos amigos, no fundo é o que interessa.

Após 15 anos enraizados em São Pedro do Sul, este ano foi, sem dúvida, um desafio e um derradeiro teste para a Associação para a Promoção da Música e Dança PédeXumbo que contou agora com um espaço muito maior e temperaturas que atingiram os 40 graus.

O recinto do festival estava bem composto. Os palcos com muito bom gosto e muita animação, muitas sombras, que ajudavam a combater a “torra” durante o dia. Contudo, os pontos de água eram reduzidos e a água tinha muito pouco de fresca.

Chegada a noite a natureza iluminava-se e tornava todo aquele recinto uma espécie de floresta mágica, repleta de música folk que deliciavam os pés de quem sem parar punha em pratica o que tinham aprendido durante o dia nos vários workshops.

No entanto, a falta de iluminação em zonas criticas como as casas de banho e os percursos entre os palcos faziam com que algumas queixas surgissem entre os participantes, já para não falar da falta de wc’s para tanta gente e alguns inutilizados a meio da noite.

No campismo as coisas foram um pouco mais complicadas. Um pouco aquém daquilo que o festival nos havia habituado, pois chegada a noite apenas se podia contar com a luz da Lua, que cada dia nascia mais tarde e que tornava o percurso das tendas uma autêntica aventura.

Pontos de água eram escassos, assim como as casas de banho secas, o que fazia com que os participantes tivessem que andar alguns metros, entre paus e silvas, até encontrar uma.

Os banhos de chuveiro eram complicados visto que só quase a meio da semana construíram mais uma estação de chuveiros e que até à hora de jantar eram invadidas por dezenas de pessoas que aguardavam nas filas.

Estas horas de espera entre o banho e o refeitório fizeram com que alguns participantes perdessem workshops e concertos que _DSC4756tencionavam aproveitar.

Mas se tudo se superou, pois o ambiente paz e harmonia do Andanças é propício ao perdão, há algo que para nós enquanto media não conseguimos esquecer: as infraestruturas do apoio logístico ao festival.

Desde que assentámos arraiais demorámos imenso tempo a descobrir onde era a sala de imprensa, pois nenhum voluntário sabia onde se encontrava. Assim como não nos ter sido pedido nenhum documento de identificação para nos cederem as acreditações.

Só no segundo dia descobrimos que a sala de imprensa ficava a meio do recinto, na Casa Amarela, e que era um pequeno corredor composto por uma lareira, uma mesa duas cadeiras que tinham sido utilizadas por uma rádio nacional.

Para fazer esta mini reportagem apenas precisamos de uma maquina de fotografar e um computador e guardar este material em total segurança era pouco provável numa sala de imprensa que não tinha porta e que servia de ponto de passagem para os voluntários do Andanças.

_DSC5283Carregar as baterias das nossas ferramentas apenas o poderíamos  fazer na sala disponível para toda a gente carregar os telemóveis, que se encontrava constantemente lotada e com um tempo de espera surreal ao sol.

Tirando estes pequenos contratempos podemos dizer que foi uma semana em pleno.

Uma experiência a repetir e que acreditamos que a organização ainda está numa fase de readaptação a este novo meio ambiente. Para o ano há mais.

 

Texto : Ana Coelho

Fotografia: André Cardoso