MOTELx está a chegar e traz consigo o Prémio Yorn MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2013, o único galardão do Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. A concorrer para este prémio estão nove curtas-metragens nacionais: Bilis Negra, de Nuno Sá PessoaDesespero, de Rui PilãoA Herdade dos Defuntos, de Patrick Mendes, Longe do Éden, de Carlos Amaral, Nico – A Revolta, de Paulo Araújo, O Coveiro, de André Gil MataHair, de João SeiçaMonstro, de Alex Barone, e Sara, de Miguel Ângelo.

Espalha Factos entrevistou os nove realizadores, que apresentam os seus filmes, e falam sobre o atual estado do cinema português.

Fica hoje a conhecer Paulo Araújo e o seu Nico – A Revolta.

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De onde surgiu a ideia de realizar Nico – A Revolta?

Paulo Araújo – Antes de mais, a ideia era fazer uma curta para concorrer ao MOTELx. Era preciso, pois, criar uma história para podermos filmar. É engraçado, porque até nem foi difícil encontrar. Tenho o hábito de tomar notas em pequenos papéis que vou guardando aqui e ali (há sempre coisas que vemos, ou que nos acontecem, que podem dar boas ideias, há imensas notícias nos jornais diários, etc.). Demos uma vista de olhos a esses apontamentos e rapidamente encontrámos uma história para desenvolver. Por acaso, até era uma ideia da Isabel Feliciano, pelo que fazia todo o sentido ser ela a escrever o argumento. O filme rola envolto em mistério e suspense, mas, na verdade, a narrativa até é muito simples e evidente. E esse era o grande desafio. Iludir o espectador. Já em rodagem, a história acabou por ganhar novos contornos. Por mero acaso, o segundo dia de filmagens coincidia com o dia 25 de abril, dia da Revolução dos Cravos, pelo que nos ocorreu estabelecer um paralelismo com o dia da revolução, já que no filme também há uma reviravolta. Decidimos então que a história se passaria em 1974. O mais chato foi criar um novo guarda-roupa adequado à época. Relativamente aos cenários e boa parte dos adereços, não houve qualquer problema, porque foram inseridos digitalmente à posteriori, sendo apenas necessário recriar um design de interiores que se parecesse mais com o Portugal dos anos setenta, em pleno regime salazarista. O filme acabou por ser rodado numa tarde em minha casa. O trabalho de pós-produção durou evidentemente mais um bocadinho.

O que nos traz a curta-metragem? E o que a distingue?

PA – O Nico pretende ser um filme de suspense e terror, com alguma violência de imagens, nada mais do que isso. Trabalhou nesta curta uma equipa muitíssimo reduzida, apenas cinco pessoas. Uma equipa curta para uma curta-metragem. 

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Como é estar entre os selecionados para o prémio para Melhor Curta de Terror Portuguesa do MOTELx?

PA – É muitíssimo bom. Desde logo, porque é o primeiro festival a que concorro. Embora nunca tenha estado em nenhuma edição (vivo e trabalho em Vila Real), tenho acompanhado o MOTELx à distância e sei que, de ano para ano, está cada vez melhor, assim como tenho notado um crescimento global na qualidade das curtas portuguesas a concurso. Só o facto de ter sido selecionado é para mim uma grande vitória e um grande incentivo para continuar a fazer filmes.

Qual é, para si, a importância dos festivais de cinema para a divulgação do trabalho dos jovens realizadores em Portugal?

PA – Penso que os festivais são muito importantes. De outro modo, os filmes, principalmente as curtas- metragens, não passam nas salas de cinema. Felizmente, há cada vez mais festivais, onde também passam filmes de novos talentos portugueses, o que também significa que há espectadores motivados, curiosos, interessados e que enchem as salas.

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Inês Moreira Santos