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SonicBlast 2013: uma reunião de família

Piscina. Sol. E muito pessoal junto que a única coisa que quer é curtir boa música.

Eis os ingredientes de sucesso que fazem com que lá para meados de agosto Moledo se encha gente e de ondas psicadélicas. Nesta sua 3.ª edição o SonicBlast mostrou-nos que de ano para ano consegue trazer mais bandas, mais gente e melhorar as infra-estruturas do festival.

POOL PARTY

A tarde começa a aquecer no palco da piscina com o post-metal dos Mother Abyss, coletivo vianense que deu provas que também sabe navegar pelos mares do doom durante o concerto.

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Seguiu-se o trio de Bordeaux, Libido Fuzz, que nos transportaram para o final da década de 60 com um blues-rock com traços psicadélicos, levando a que o público fosse começando a entrar no blast e a aglomerar-se na zona do palco.

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Para encerrar esta Pool Party tivemos os portugueses Super Snail Fuzz, um trio que trouxe à aldeia sons mais sujos e agressivos durante a tarde quente que ali se viveu, com um pouco de grunge e guitarradas pesadas. Mostraram à família que o seu último álbum Space Mountain soa ainda melhor ao vivo.

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Durante a tarde na piscina conseguimos assistir desde a duelos de titãs na água, a tentativas de invasão de palco e também vimos muitas pessoas bonitas:

MAIN STAGE

Se há banda cujo nome se adequa à actuação em palco são nuestros hermanos Guerrera. Uma mistura de um blues rock com uns toquezinhos stoner pôs o público (maioritariamente espanhol) em total euforia, tendo sido este um dos pontos altos do dia.

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Logo a seguir vieram os únicos “repetentes” do fest. E ainda bem que o são! Os Killimanjaro são daquelas bandas que por muitas vezes que os vejamos nunca nos desiludem. O trio barcelense cativou a audiência com o seu stoner rock, levando a que no final o vocalista José Gomes definisse o Sonic como: “o melhor festival do Mundo.

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Com uma atmosfera psicadélica mais intimista e melancólica, os franceses Mars Red Sky deram um concerto irrepreensível a nível técnico. Cada um sabe perfeitamente o que tem que fazer, quase parecendo uma construção musical feita de forma milimétrica. Faltou mais alguma empatia com o público por parte do trio, se bem que com o desenrolar do concerto o gelo foi quebrando e se viveram momentos quase hipnóticos.

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Directamente de Roterdão, The Machine conduziram-nos nesta noite a uma viagem de altos e baixos: ora houve temas que eram quase como descargas eléctricas, ora tivemos momentos de maior introspecção. Estes holandeses são amigos de uns velhos conhecidos do Blast, os Sungrazer, e além de quatro álbuns lançados, partilham ainda um recente split com eles. Jams psicadélicas e stoner rock, tudo parece estar certo nesta máquina de perfeita sincronização.

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Chegou um dos momentos mais esperados da noite. Os Kadavar entram em palco para realizar o soundcheck e logo aí percebemos que aqueles “gigantes” de Berlim nasceram algumas décadas mais tarde do que deveriam.  Com um acid rock a encher as medidas de todos os presentes, o público entrou numa máquina do tempo e voltou aos anos 70 durante o concerto. Atitude, técnica, magnífica presença cénica, parece que não falta nada a este trio que veio a Moledo para nos apresentar o seu mais recente álbum Abra Kadavar e nos deleitou com um pouco de cada um dos seus discos.

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Quando o apogeu do festival parecia ter acontecido em Kadavar, eis que surgem uns galegos com capacetes feitos de papel de alumínio.  Com um post-rock bem construído e rápido, os Unicornibot fizeram a festa no festival. Uma invasão de palco em que quase metade da plateia subiu lá acima, mosh pits, surgimento de capacetes de alumínio no público, foi quase como se uma explosão de anarquia penetrasse na mente de todos. Impossível ficar indiferente a estes unicórnios. Apresentaram alguns temas do mais recente Dalle e também do anterior Hare Krishna, já muito reconhecidos em terras vizinhas e com cada vez maior projeção por terras lusas. E que assim continue, pois estes rapazes deviam tocar cá ainda mais vezes.

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Com um espírito que em poucos lados se encontra, o SonicBlast é vivido por todos como a reunião de uma grande família dispersa que ali se reúne para celebrar a música. Nada mais que isto. Acrescentemos-lhe as bifanas e os rojões (que estavam muito bons), o campismo “improvisado” e a proximidade que existe com os artistas, e cá temos, um dos melhores festivais de Portugal, sem margem para dúvidas. Para o ano, estamos lá outra vez.

Fotografias e reportagem: Catarina Mendes

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