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Scout Niblett – It’s Up To Emma

«She took your love from me // And I am thankful», escreve-se em Gun, primeira faixa de It’s Up To Emma. «My man… my man… my man… // I’m Still getting wet», escreve-se em Second Chance Dreams, a faixa intermédia do registo. «Baby, what can I do to make it right for you?», questiona-se em What Can I do?, faixa que desenlaça o registo. O novo disco de Scout Niblett conta uma história. Conclusões? Sim, é mesmo verdade; se acabaram uma relação há pouco tempo, It’s Up For Emma é um disco que não devem ouvir. Ou que devem, mas que fique desde já o aviso que vos vai custar. 

It’s Up To Emma é o sexto longa-duração da música britânica e foi recebido por estes lados com alguma expectactiva à mistura. No fim, após uma quantidade de audições considerável, tudo o que posso dizer é que este é, até à data, o melhor registo de Scout Niblett. Apesar de não ser o mais exemplificativo daquilo que ela é, aqui podemos assistir a uma artista mais madura e mais ciente de si, tudo aquilo que os registos anteriores não mostravam.

Não se iludam com as comparações a PJ Harvey ou Cat Power, Scout Niblett é detentora de um mundo próprio e toda a sua obra serve de prova para isso mesmo. É versátil como ninguém e é-o de uma forma bastante peculiar; seria fácil de perceber mudanças bruscas na sua estética sonora se o fizesse de álbum para álbum, mas a verdade é que a britânica sempre nos aclimou a oscilações tremendas no decorrer das suas músicas. Isso, pela lógica das coisas, seria um aspecto mau em qualquer músico, mas acontece que é isso que torna todo o mundo de Scout Niblett uma coisa absolutamente fascinante; é na heterogeneidade das coisas, na sua entropia e desordem, que Niblett se apoia para compor.

Para minha surpresa (e, por certo, para os apreciadores de Scout), o sexto LP da inglesa nunca abandona a linha sonora que começa com Gun, faixa inaugural do registo. Sempre com riffs empolgantes a exprimirem o grunge com uma das grandes influências, batidas lentas e uma voz docemente triste que é, talvez, o principal atractivo da artista. Sempre com música capaz de quebrar qualquer coração e a seguir compô-lo novamente.

Ao longo do registo mais do mesmo; canções que, na sua real acepção, se mostram tristemente doces. Porque, por vezes, é mesmo nas lágrimas fruto do amor que se fazem nascer os mais salubres rios. E é nesses rios puros e inatos que Scout navega; e é lá que se fazem covers monumentais como No Scrubs (original das TLC e que aqui contou com o toque de Bonnie Prince Billy), que se edificam músicas tão grandes como Gun ou Could This Possibly Be? e que tudo desagua em What Can I Do?, uma das mais belas canções de amor dos últimos tempos.

Em suma, It’s Up To Emma é quase perfeito e é, também, como se não fosse um disco de Scout Niblett; falta lá extravagância, mais rebeldia, mais berraria. Mas a verdade é que o ADN está todo lá dentro: corações destroçados, amores falhados, uma voz sempre bela, trabalho de guitarra fabuloso, canções maiores que a vida. «I want the tears to come // The sooner they start // The sooner I’ll be done».Está provado; as lágrimas de amor são as mais férteis.

Classificação final: 8.9/10

*Este artigo foi redigido, por opção do autor, ao abrigo do acordo ortográfico de 1945

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