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China aposta agora na contrafação de cidades

Que a China detém o primeiro lugar no que toca às cópias ilegais de roupa, aparelhos eletrónicos, acessórios de moda ou até mesmo perfumes, já sabemos, mas a novidade é que também copia cidades do resto do mundo. Desde cópias da arquitetura francesa e inglesa, passando pela Ópera de Sidney e por uma vila alpina austríaca.

RéplicaSidneyOperaHouseÓpera de Sydney, em Huaxi

São vários os lugares na China onde podemos ver réplicas de cidades inteiras, tentando reproduzir a elegância da arquitetura europeia e não só. Num nível superior ao de Las Vegas, podemos encontrar a Torre Eiffel na cidade de Tianducheng, com 108 metros de altura, incluindo os amplos jardins circundantes da cidade francesa. Contudo, esta cidade gémea está deserta, devido à sua estranha localização, entre quintas e caminhos desertos, segundo avança o Huffington Post.

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As réplicas da arquitetura europeia continuam em Thames Town, recriando o estilo inglês, perto de Shangai. Para Tony Mackay, arquiteto britânico e mentor do plano arquitetónico da cidade, as réplicas têm uma “qualidade de algo europeu” mas “algo não está bem, parece falso”, de acordo com a BBC. Uma estátua de Churchill e casas que fazem lembrar os Tudors, fazem parte desta cidade que é uma área de investimento imobiliário e que só recentemente se tem desenvolvido como comunidade.

Alguns habitantes dizem apreciar o estilo de vida e cultura europeus e esta é uma forma de visitar cidades com o Paris ou o rio Tamisa sem gastar dinheiro. Além disso, pode ainda servir de refúgio às cidades chinesas sobrelotadas e confusas, segundo a habitante Zhang Li, no site da BBC.

A pequena Londres
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Replica of the Austrian alpine town Hallstatt built in Boluo Township, Huizhou City, Guangdong Province, China - Jan 2012A réplica da vila austríaca de Hallstatt, na Áustria

O Património Mundial da UNESCO não escapou às cópias chinesas e a cidade austríaca de Hallstatt foi totalmente construída em solo oriental, deixando mesmo alguns habitantes da vila original aborrecidos, segundo a BBC. Contudo, o governo austríaco apoiou a construção, vendo-a como uma forma de elogiar a singular vila.

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Veneza oriental, em Tianjin
 
Tianjin skyline at sunrise, China
Réplica de Manhattan

Apesar da sua rica arquitetura, a China não parece ficar por aqui, e na lista podemos ainda incluir uma cidade gémea de Veneza, cópias de Chateaux franceses mesmo à saída de Beijing ou ainda a Casa Branca, que quase nos levam a acreditar que estamos mesmo nos EUA, em França ou na Itália. A moda arquitetónica tem gerado opiniões positivas e negativas entre os próprios chineses, alguns afirmando que é uma vantagem já que não podem viajar e assim ficam a conhecer os vários marcos arquitetónicos mundiais, outros expressam a sua insatisfação pela falta de originalidade.

Uma cidade, nove fracassos

Uma das mais significativas iniciativas deste género foi um projecto da cidade de Shangai intitulado “Uma capital, nove cidades“, iniciado em 2001 e cujo objetivo foi a construção de uma espécie de bairros temáticos a imitar cidades europeias.

Uma reação extravagante a um problema que já não é novo, de muito crescimento populacional e falta de residências per capita para acompanhar o desenvolvimento do país. Para desenvolver Shangai numa lógica centrifuga foram delimitados nove novos centros para a área metropolitana, caraterizados como cidades de diferentes regiões mundiais – Gaoqiao (Holanda), Fengcheng (Espanha), Pujiang (Itália), Anting (Alemanha), Songjiang (Inglaterra, a já referida Thames Town), Luodian (Europa do Norte), Fengjing (América do Norte), Zhoujiajiao (inspirada nas cidades tradicionais chinesas) e Zhoupu (um mix de várias cidades ocidentais). Esta última foi cancelada.

Aliviar Shangai C (zona central da região) foi o objetivo do empreendimento, que pretendia ainda que estas cidades se desenvolvessem como entidades independentes e não como meros subúrbios residenciais. A sua caraterização sui generis poderia ainda funcionar como pólo de atração.

Gaoqiao, a cidade "holandesa"
Gaoqiao, a cidade “holandesa”

No entanto, o seguimento de uma lógica de construção bastante diferente das prioridades locais acabou por trazer vários problemas a estas cidades, que hoje estão desertas. Um dos mais fortes obstáculos foi o preço, apenas atrativo para a classe média-alta e pouco simpático para os muitos operários de mais baixo rendimento. Algumas das casas e propriedades nestes novos centros urbanos foram adquiridas, mas continuaram vazias, porque as pessoas que eram ricas o suficiente para as poderem comprar tinham dinheiro suficiente para as manterem apenas como segundas casas. Outras dificuldades estão relacionadas com a falta de uma boa rede de transportes públicos e de vias de comunicação – demora-se entre uma e duas horas de Shangai até estes centros urbanos circundantes.

O facto das cidades permanecerem vazias fez com que a atividade económica não se instalasse lá e, consequentemente, também não houve grande forma de se manter uma vida normal por ali. O projeto foi descontinuado em 2006, sendo que hoje o singular e curioso edificado se encontra a ser lentamente ocupado, num crescimento apenas perceptível para quem vive lá desde o início, segundo o blog China Chronicles.

A expetativa é que, com o processo de suburbanização da cidade de Shangai, os limites entre as cidades sejam diminuídos e aí seja dado novo desenvolvimento a estes monumentos à megalomania.

Bianca Bosker, jornalista americana e autora do livro Original Copies: Architectural Mimicry in Contemporary China, afirma mesmo que ao ter construído uma réplica de Paris, “a China não está a celebrar França mas sim a própria China“, como uma forma de mostrar a sua opulência e capacidades técnicas.

Seja por excentricidade ou verdadeira admiração de outras culturas, é caso para dizer que até a Europa (e não só) é “Made in China“.

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