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MEO SW, Dia 3: O Sudoeste estremeceu

Os termómetros apresentavam 37º durante o dia, mas nem isso fez abrandar a animação. Com o canal a chamar pelos campistas e a praia bem perto e com acesso assegurado a todos os festivaleiros, o dia até se fez passar para se encher de nomes conhecidos pelo público e hinos que se fizeram ouvir pela noite fora.

Esta sexta-feira começou com o grande Tiago Bettencourt, que há 10 anos nos apresentava a tão apaixonante “Carta” quando ainda estava nos Toranja, agora pisa sozinho o Palco MEO com um registo acústico que evidencia os seus dotes musicais e poéticos. Com clássicos da sua carreira e recriações de canções como “Pó de Arroz” de Carlos Paião e “Canção de Engate” do António Variações, criou mais uma vez uma harmonia entre os acordes das suas baladas e a voz quente do público.

Tiago Bettencourt no Palco MEO

Ainda tocava Bettencourt quando fomos para o Palco Santa Casa assistir a uma promessa da música portuguesa: Frankie Chávez. Com os seus instrumentos personalizados com diversas afinações e num registo que vai do Flamenco ao Rock sempre com Blues como base, é considerado como a mais recente revelação do Blues no Sul da Europa. De boina e várias guitarras, encantou na Zambujeira do Mar com músicas que chegam directamente a cada elemento do público, com minutos unicamente instrumentais destinados a serem sentidos e não meramente ouvidos. Embora estivessem mais dois concertos a decorrer paralelamente, dificultando a harmonia, foi um espectáculo de elevada qualidade e rigor musical.

Às 22 horas, subiu ao palco Donavon Frankenreiter! Com cinco discos editados, o músico e surfista profissional voltou a pisar o solo português para um espetáculo que ainda sabe melhor com a proximidade do mar. Começando com a “Move By Yourself”, tocou temas desde os clássicos do seu disco homónimo em 2004, “It Don’t Matter” ou “Free” até aos singles de Start Livin’ e Glow.

Donavon Frankenreiter no Palco MEO

Saíndo do registo de surf music, fomos para o Palco MOCHE Vibrations onde as sonoridades do reggae puro de Capleton transpareciam. Com 46 anos de idade e 23 de carreira, continua com uma postura vibrante e dinâmica, não deixando ninguém parado na audiência. Na sua atuação passou uma mensagem social sobre a pobreza, fome e os direitos da população negra. Referiu ainda nomes de grandes líderes que já partiram, tais como Bob Marley, Martin Luther King e John F. Kennedy.

Capleton no Palco MOCHE Vibrations

No Palco MEO entra Janelle Monáe num black&white muito ao estilo 007. Apresentada por André 3000, um dos Outkast, Monáe não parou um único segundo em palco. Sempre com expressões faciais muito expressivas, cantou e dançou originais como Dance or Die” e covers, como “I Want You Back” dos Jackson 5, uma notável inspiração de Janelle. A interação com o público foi tanta que, pela primeira vez nesta edição do festival, pudemos ver um artista fazer crowdsurfing! A artista entregou-se ao público e terminou oferecendo uma peça de vestuário pouco comum: as meias.

Janelle Monáe no Palco MEO

Depois de um dia com boa disposição, um sol brilhante e música cheia de força, à uma hora da manhã dá-se o pico com a presença de Fatboy Slim.

Norman Cook é britânico e começou na música como baixista dos The Housemartins mas foi como Fatboy Slim que se tornou um nome de referência na música a nível mundial. Ficou conhecido por se adaptar bem ao público e tocar a música para a pista de dança e não para ele mesmo. Mais uma vez se comprovou isso, num live act ajustado que deixou a moldura humana a dançar a noite passada ao ritmo de “Right Here, Right Now”, “Praise You”, “The Rockafeller Skank” ou “Weapon of Choice”, apresentando também misturas como “Mas Que Nada” de Sérgio Mendes. A sua batida era tão forte que o chão estremeceu. Para além da apresentação musical, acrescentou um cenário visual rico com a imagem na tela de Etta James quando passa o início de “Somethings Got A Hold On Me”, um texto inspirador em língua inglesa e as palavras escritas em português “Come, Dorme, Curte, Repete”.

Pete Tha Zouk no Palco MEO

Para aqueles que ainda tiveram energia, o Palco MEO reservou mais um momento de música electrónica. Às três da manhã, subiu ao palco o algarvio Pete Tha Zouk, DJ e produtor, que tem encantado para além fronteiras com hits como “We Are Tomorrow”, “I Am Back Again” ou “Learn 2 Love”. Muito ao estilo de discoteca, parte com um alinhamento conhecido pelo público, que teve “Milion Voices” de Otto Knows e “Antidote” dos Swedish House Mafia na noite animada que se viveu na Zambujeira do Mar, com a presença de cerca de 34 mil pessoas.

Texto: Ana Rita Brioso

Fotos: Júlio Eduardo Proença

(Os artigos de cobertura do SW encontram-se a ser simultaneamente publicados no ARTSWR.)