Em 2010, a revista Vanity Fair publicou um artigo de Nancy Jo Sales intitulado The Suspects Wore Louboutins, sobre um gangue de adolescentes que se dedicava a assaltar casas de celebridades. Em Bling Ring: O Gangue de Hollywood – que passou este ano pela secção Un Certain Regard em Cannes Sofia Coppola mostra a forma como se baseou em eventos reais para retratar os passos do grupo.

É quando Marc (Israel Broussard) muda para um novo liceu, em Los Angeles, que conhece Rebecca (Katie Chang). Com problemas de ansiedade e auto estima, é quase deslumbrado e cria laços com a rapariga. Pertencentes ao círculo social de Rebecca, entram na trama Chloe (Claire Julien), Nicki (Emma Watson) e Sam (Taissa Farmiga). Entre fumar erva na praia e festas em discotecas frequentadas por celebridades, Rebecca lança a ideia (o tédio dos miúdos ricos) de fazerem uma visita a casa de uma celebridade. O processo não podia ser mais simples: a morada é pesquisada no Google, os dois invadem a primeira casa, a de Paris Hilton, considerada suficientemente burra para deixar uma porta ou janela aberta e, imagine-se, a chave debaixo do tapete. Nesta primeira invasão, o desconforto de Marc é sobreposto pelo que sente por Rebecca, que continua a desejar objectos de marcas de luxo e a alimentar a sua obsessão por celebridades.

Apesar de serem ricos, isso parece não ser suficiente: os objectos de desejo são todos de marcas como Chanel, Louis Vuitton, Prada e Rolex, e surgem à frente dos seus olhos em sites como o TMZ, onde Rebecca e Marc podiam ainda ver onde andavam as celebridades. As proporções que os roubos atingem são interessantes: é rápida a passagem de um passatempo motivado pelo tédio de miúdos ricos a um grupo de crime organizado.

O fim parece chegar quando Lindsay Lohan – a derradeira celebridade para Rebecca – divulga os videos de vigilância da sua casa, ao mesmo tempo que outras celebridades o fazem, deixando a descoberto a identidade dos membros do gangue. Com fotografias nas redes sociais e relatos espalhados pelos seus pares, facilmente a polícia põe termo à brincadeira.

Porém, se de uma forma geral deveria haver consequências – e Nicki é “a firm believer in karma” -, aqui a consequência maior parece ser mesmo a fama, através precisamente da infâmia.

No artigo da Vanity Fair, Alexis, a Nicki de Emma Watson tem destaque. No filme, o mesmo acontece, principalmente graças ao desempenho da actriz. Já em As Vantagens de Ser Invísivel, Emma Watson tinha aproveitado bem a oportunidade para se descolar de Hermione (Harry Potter) e aqui volta a reforçar esse estatuto, ao mesmo tempo que explora a sua sensualidade – com dança no varão incluída. E vale totalmente a pena ouvi-la dizer “I wanna rob”.

Um novo lado de Emma Watson

A banda sonora acompanha harmoniosamente a história, desde o início ao som de Sleigh Bells, passando por nomes como Kanye West, Chris Brown, Azealia Banks e M.I.A.

Já em filmes anteriores, como SomewhereSofia Coppola tinha esboçado ideias sobre este tipo de tédio. Aqui, o seu interesse pela cultura das celebridades é compreensível, mas o resultado final nem tanto. Para além do retrato social de jovens narcisistas na era das redes sociais, há ao mesmo tempo uma crítica ao materialismo e a uma cultura de adoração e obsessão pelas celebridades, o que poderia ser melhor explorado. Todo o filme é feito forma muito episódica, o que, com um pouco de esforço, poderia ter tido um resultado mais interessante, não deixando no entanto de merecer atenção.

7.5/10

Ficha Técnica:

Título Original: The Bling Ring

Realizadora: Sofia Coppola

Argumento: Sofia Coppola, com base no artigo de Nancy Jo Sales

Elenco: Katie Chang, Israel Broussard, Emma Watson, Claire JulienTaissa Farmiga e Leslie Mann

Género: Drama

Duração: 90 minutos

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945