A 1ª edição do FUSING Culture Experience, mesmo que com pouco público, foi uma experiência única – e, oxalá, repetível – em que música, arte, desporto e gastronomia se fundiram como nunca antes tínhamos visto.

Tudo convidativo: programação rica e variada, espaços plurais e bem organizados, preços acessíveis e muita coisa gratuita. Mas infelizmente não sentimos na Figueira da Foz o reboliço cultural que foi prometido (e que seria merecido).

2. ambiente

Estranhamente parecia até um mês de agosto mais calmo naquela que é conhecida como “a Rainha das Praias Portuguesas”, com as esplanadas compostas, mas não cheias e o recinto do festival, espetacularmente bem montado, a meio gás.

#panorama

Se as experiências desportivas foram menos bem sucedidas (o atraso no início da 2ª Etapa do Circuito de Snowboard Urbano ou aulas de surf canceladas devido às condições do mar), as gastronómicas foram de comer e chorar por mais.

Os frequentes workshops e showcookings culinários, no Mercado da cidade ou espaços aderentes, permitiram uma aprendizagem simples e deliciosa em contexto descontraído. Juntou-se-lhe ainda a Rota dos Petiscos, com um dos patrocinadores do Festival a “oferecer” o consumo de enchidos por apenas 2€. O auge da experiência foi já no último dia com o Chef Chakall a desenvolver O Maior Workshop de Culinária do Mundo.

3. Wkshop

A arte, por sua vez, ocupou um lugar de grande destaque com a exposição coletiva THE ART OF.USING THE BOX e a intervenção de vários artistas urbanos que com a curadoria do Wool – Festival de Arte Urbana da Covilhã em que artistas como Mário Belém, Add Fuel ou Kruella d’Enfer deram novos coloridos às ruas da cidade.

arte de rua

Já na Garagem das Artes, no espaço do recinto, teve lugar a exposição de fotografia de Rui Gaiola que deu a conhecer três das principais cidades americanas – Nova Iorque, São Francisco e Los Angeles. Mesmo ao lado o coletivo Circus, projeto de Ana Muska e André Carvalho, convidaram à fusão de vários artistas que exibiram pintura, escultura ou fotografia.

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A arte fundiu-se também com o relaxamento dos hotéis nos quais se pôde ver, por exemplo, a Exposição Multissenssorial “Explode” da banda The Gift ou obras de artistas espalhadas por espaços imprevisíveis.

The Gift - Sweet Atlantic Hotel 1

No campo musical os maiores destaques foram para os nomes mais atraentes do festival, uma espécie de reis da música nacional, que tiveram a honra de fechar o Palco Fusing nas noites de quinta, sexta e sábado, respetivamente, Paus, Orelha Negra e Linda Martini.

Orelha Negra (7)

Na primeira noite, a abrir a festa, tocaram Noiserv, Memória de Peixe e We Trust, antes das descargas de decibéis de PAUS. Do outro lado, no Palco Experience tinham passado, por exemplo, os barcelenses The Glockenwise e a dupla portuense Voxels.

Na sexta-feira quando chegámos já Da Chick se mexia com dois bailarinos negros de corpos esculturais e calções floridos, no Palco Experience, acompanhada de um DJ que dava as batidas e os ritmos certos para uma noite de temperaturas bastante agradáveis. Teresa Freitas de Sousa aka Da Chick tem o flow e o groove que se pedem neste tipo de música, um timbre de voz e um sotaque nigga adequadíssimos. Mas podia ter falado em português.

6. Da Chick

No palco principal tocaram entretanto os HMB, uma espécie de Expensive Soul em pior, mas que deram um concerto competente para alguns fãs que lá à frente entoaram o single Dia D. Enquanto isso o músico e produtor IVVVO presenteva a “meia dúzia de gatos pingados” do palco secundário com uma eletrónica demasiado “dura de roer”.

HMB (8)

Os Orelha Negra entrariam em palco antes da uma da manhã para um verdadeiro espetáculo de fusão: batidas, groove, funk e spokenword, mostrando que são, certamente, uma das melhores coisas que aconteceu à música feita cá dentro, nos últimos anos. “Eles são mesmo, mesmo do caraças” ouvíamos. E são: cada músico é melhor que o outro.

Orelha Negra (4)

 

Nas despedidas da noite ainda houve Moullinex ao vivo (com Xinobi, que tocara em DJ set na  noite anterior, a dar uma perninha) mas a síntese de guitarras, máquinas, baixos e baterias não convenceu.

Moulinex (7)

Na noite de sábado, em que se esperava mais gente, o FUSING compôs-se já depois da meia-noite para receber outro dos coletivos mais apreciados em Portugal: os Linda Martini. Francamente bem dispostos e animados, com a baixista Cláudia Guerreiro muito conversadora até, o quarteto deu um concerto muito bom apesar de alguns problemas com o volume das vozes. Apresentando-se numa espécie de best of onde não faltaram temas como Amor Combate, Estuque ou Cem Metros Sereia mas em que figurou também o novo tema Ratos, avanço para Turbo Lento que está mesmo, mesmo a sair.

LM (8)

 

LM (4)

 

LM (11)

Antes tinha tocado Frankie Chavez, pequeno génio da guitarra portuguesa, que acompanhado por João Correia deu um dos concertos mais brilhantes de todo o festival, apresentando também novos temas.

2. FChavez

Globalmente a experiência FUSING foi de facto riquíssima, pecando talvez pelo que teve de melhor: a programação,  que, diríamos, sendo demasiado extensa contribuiu para uma dispersão indesejável nestas coisas da fusão. Mas para o ano, esperamos que se repita!

Fotos: Pedro Guimarães