O requiem dos Feromona @ Musicbox

Foi no passado domingo, perante uma plateia recheada de devotos fãs e amigos, que os Feromona deram o seu último concerto, num espectáculo que teve lugar no já mítico Musicbox, em Lisboa. Fica aqui a reportagem de um “funeral rock & roll” digno de loucos, repleto de suor, moches e muito champanhe.

A noite começou, como ditam os costumes do Musicbox, bastante atrasada, com a demora a servir, presumimos nós, para deixar encher a casa e aumentar as expectativas dos presentes. Passados 60 minutos da hora marcada (22:30, prometiam em vão os bilhetes e os cartazes), sobem ao palco Diego e Marco Armés, João Gil e Miguel Simões, este último em substituição de Bernardo Barata, o baixista regular do grupo que esteve, nas últimas três actuações, missing in action.

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O pontapé-de-partida foi dado com A Dor e a Glória, Bisturi e Che Guevara Eunuco, fazendo antever a receita para as próximas duas horas: uma mistura generosa de canções retiradas de Uma Vida a Direito (2008), Desoliúde (2010) e Aquelas Três (2012), os três registos da banda, bem servidas com o toque sujo e com a pretensão aos 90’s que sempre caracterizou os Feromona e recebidas de braços e pulmões abertos por um público que, na maioria, sabia de cor grande parte das letras.

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O que se seguiu foi uma festança rock regada a álcool e cigarros, com strip à mistura (ou não fossem os Feromona a “banda dos gajos em tronco nu”) e que contou com um interminável desfile de convidados, quase todos eles saídos da FlorCaveira e da Amor Fúria, e que trouxeram ao Musicbox grandes doses de insanidade e rebeldia.

Primeiro, foi a vez de João Só, para dar uma mãozinha com a voz e com as maracas em Conversa de Cama. Seguiram-se Manuel Fúria (que se atirou para o público e aterrou em cima deste que vos escreve), David Jacinto dos Tv Rural (animalesca prestação em Selvagem Tosco) e Tiago Bettencourt, todos eles ajudando à festa e dando um toque de companheirismo e amor fraterno ao requiem dos Feromona.

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Depois de alguns problemas técnicos, regressos ao camarim, jam sessions com troca de instrumentos entre os músicos e promessas de Mother Nature’s Son (dos The Beatles) e Smells Like Teen Spirit (dos Nirvana) que nunca chegaram a ser concretizadas, o concerto prosseguiu, rumando em direcção à sua recta final. Samuel Úria subiu ao palco para contribuir, mais com a dança do que com a voz, para a portentosa Psicologia, enquanto Os Pontos Negros (representados por Jónatas, David e Filipe) e Tiago Guilul trataram de mandar a casa abaixo na frenética 1991. Canção Para Nós, apresentada por Diego Armés como “a canção que nós nunca tocamos”, encheu a plateia de melancolia e marcou um dos pontos altos da noite.

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Depois do caos de Sábado à Tarde (com Marlon, dos Azeitonas, a dar uma ajuda) e do cliché da saída de palco ensaiada (mas os clichés só o são porque funcionam, não é verdade?), seguiu-se um encore verdadeiramente explosivo: Budapeste (cover dos míticos Mão Morta), a incontornável Mustang e Latino Woman, apresentadas em combinação com champanhe (que na verdade era cidra, segundo João Gil) e crowd surfings, fecharam com chave-de-ouro o concerto.

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Após uma ameaça de segundo encore que acabou por não se materializar, a noite chegou ao fim, para grande tristeza de todos os crentes. E assim que a poeira assentou e saímos para a noite de Lisboa, após este magnífico, emotivo e suado concerto que acabáramos de presenciar, apercebemo-nos que, após esta última aparição dos Feromona, a música portuguesa perdeu uma das suas grandes bandas. Que descansem em paz, que nós cá estamos para fazer o luto.

Fotos: Sónia Pena

*Este artigo foi escrito, por opção do autor, segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945

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