John Legend esteve pela primeira vez em Portugal na 10ª edição do EDPCoolJazz – cabeça de cartaz, foi último artista a subir a palco neste festival e trouxe grandes temas da sua carreira bem como algumas músicas exclusivas do álbum Love in the Future, disponível a partir de Setembro.

O Estádio Municipal de Oeiras já tinha estado bem composto nos concertos dos dias anteriores, mas à espera de Legend estava uma verdadeira enchente. O cantor norte-americano nunca tinha estado em Portugal mas acabou o concerto a pedir que o convidassem em breve novamente, tal o calor humano com que foi recebido.

Orlando Santos abriu as hostes com grande vibe. Bem mais adequado este concerto de abertura, ao ambiente e ao tipo de festival. Uma mistura bem agradável de uma excelente voz e um reagge relaxado, que mereceu bastantes aplausos de um público ainda disperso.

Às 22h00, explosão de alegria e muito histerismo: John Legend sobre o palco e soam as primeiras notas de Used To Love U. Vestido com muita classe, num fato vermelho elegante, a interpretar um êxito do seu álbum de estreia, Get Lifted (2004). Não temos tempo para nos recompor, seguimos rapidamente para Made to Love, um single do próximo álbum que aqui ouvimos de forma privilegiada.

Tonight (Best You Ever Had) traz o lado de puro R&B deste artista que se iniciou no jazz. John Legend mexe com o público e vêem-se os primeiros passos de dança animados na plateia, ao ritmo da batida. A qualidade do som é que parece não suportar o arranjo musical – os instrumentos sonantes, a amplitude da voz – ouvimos tudo um pouco distorcido.

Seguimos em direcção ao faroeste – Who Did That To You, da banda sonora do filme Django Libertado (2012) e voltamos às origens do artista com a música Alright, cantada com muita postura e sensualidade.

E de repente, um cover pouco esperado. Dancing in the Dark, de Bruce Springsteen, ao piano. Só John Legend, o piano, e uma iluminação de palco muito mal conseguida. Mas nem assim deixa de ser um dos momentos altos da noite. Continua o ambiente calmo de Again, e depois é tempo de conhecer outra música do álbum que está para sair – The Beginning.

Voltamos ao histerismo com Save Room, um tema relativamente conhecido no qual o público conseguia acompanhar a letra. Tempo para mais um cover, Light My Fire, dos The Doors, e para voltar ao primeiro álbum, com So High e Number One, esta última especialmente animada.

Wake Up Everybody, do álbum mais recente de John Legend, antecedeu um momento único nesta noite – em Slow Dance, o norte-americano pediu ao público que desligasse os telemóveis “por um minuto” e que dançasse. À medida que os casais no público acediam ao pedido do cantor, este sentia-se sozinho em palco. “Vão deixar-me sozinho em palco? Eu não quero estar sozinho” – muitas foram as fãs que corresponderam mas só uma subiu a palco para dançar e no fim, receber uma flor. Um momento memorável que certamente não vai esquecer.

Acalmados os ânimos, um ambiente doce e contagiante, com PDA (We Just Don’t Care) e Good Morning.

Voltamos ao R&B com I Can Change e Everybody Knows. Legend puxa pelo público, não que seja preciso grande esforço.

É altura de nos sentarmos com Jonh Legend ao piano para um par de músicas bastante calmas e comoventes, naquele que foi talvez o momento alto da noite: uma versão arrepiante da harmoniosa Bridge Over Troubled Water, original de Simon & Garfunkel e um tema do próximo álbum, All of Me, a proporcionar um belo momento musical. Pelo que já conseguimos ouvir deste novo trabalho, promete.

Parece que passou num instante, mas já passámos o número vinte de temas tocados. Música atrás de música, seguimos para Who Do We Think We Are, bem mais mexida que as anteriores. O mesmo com Green Light, que fez saltar o público, mesmo antes de Legend abandonar o palco.

E porque todos os artistas têm aquele tema obrigatório, John Legend não podia ir embora sem cantar Ordinary People. Voltou sozinho, ao piano, como noutras ocasiões durante a noite, e teve um estádio a acompanhá-lo a cada frase. Mal precisou de cantar o refrão.

Stay with You prolongou o encore e foi a última canção que se ouviu em Oeiras. John Legend parecia mesmo querer ficar por cá. “Estou muito feliz por estar aqui, espero que me convidem outra vez”.  Legend estreou-se ontem em solo português, mas parece que não tardará muito até estar de volta.

* Por opção do autor, este artigo foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1945.

Fotografias: Sónia Pena