1003175_618220881535565_1642914230_n
Milhões de Festa - Dia 25

MdF 2013 – Dia 25 – Aquecimento à beira-rio

Foi num clima de azáfama que se deu o início do Milhões de Festa 2013. Por quinta-feira ser tradicionalmente um dia de feira em Barcelos, era fervilhante o ambiente que se sentia na cidade e encontrar lugar para o carro foi para muitos uma tarefa hercúlea (houve quem chegasse a bater com BMWs estacionados). Mas mesmo sem feira, continuaria a ser impressionante o número de campistas que se deslocaram neste pré-dia de festival para se instalarem no Parque da Cidade e assistirem a uma longa série de concertos no palco Taina que começou às 18 horas e prolongou-se pela noite dentro.

Se quiserem provas desse incremento populacional no festival, fiquem sabendo que pela hora de almoço era já quase impossível  encontrar um lugar na relva para acampar, sendo que muitos campistas ficaram remetidos para o duro e insensível chão de terra batida. Fica até no ar a pergunta em como é que a malta do Milhões se vai safar quando começar a vir gente de mais para a lotação do Parque, mas isso são divagações para outra altura. Já a composição demográfica, essa é extremamente variada, indo desde metalheads dos que bebem hidromel em cornos, passando por punks da velha-guarda, malta do Indie (não, não vou usar a palavra “H”), e outros tantos que deslocaram para aproveitar a saudável mistura musical e cultural de que é feito o Milhões de Festa.

Já no que toca à música em si, as festividades começaram com Tamar Aphek, Phase, e com os projectos Canzarra e Cangarra a tocarem separadamente e depois a partilharem o diminuto palco Taina. Não deu para ver esses concertos por motivos de força maior, já que era necessário montar o estaminé e ir jantar (já tinha saudades do Xispes), mas Killing Frost não escaparam. Formado em 2005, o grupo de Hardcore portuense sofreu um interregno de alguns anos, mas agora voltou ao activo e pelo que demonstrou no Taina foi com a força máxima. Kill Kill Kill, Vacation Spot e KFA (esta última uma “balada” dedicada a Carolina Torres) foram algumas das malhas de inspiração old-school que André cuspiu, assim como versões de Agnostic Front e Negative Approach que incendiaram a plateia do Taina.

A noite prosseguiu e o Taina foi ficando “ao barrote”, tendo um presente feito o pertinente comentário” Milhões de Festa? É mais Milhões de Pessoas”. Enquanto alguns se dirigiram para a longa fila de senhas para beber imperiais ou vinho verde (que dava direito a uma caneca artesanal), os Spacin’ subiram para o palco e para “jammar” durante uma hora tendo este sido o último concerto da sua tour de promoção ao álbum Deep Thuds. Apesar de não ser música que puxe pela participação do público, os longas jams psicadélicas com esparsas participações vocais foram bem aceites pelos presentes. Por entre guitarras cheias de efeitos e reduzida percussão, Megatations e Ego-go foram alguns dos temas tocados numa prestação que se findou com uma cover de American Rose dos MC5.

26340_618222044868782_1977311951_n

Holocausto Canibal

Depois do concerto dos Spacin’ abateu-se um cheiro nefasto, a entranhas semi-decompostas, em Barcelos. Eram os Holocausto Canibal a espalharem pestilência com o seu Death/Grind a verter Gore por todos os poros. Numa performance sem pontos baixos, a não ser o som da bateria a sobrepor-se aos outros instrumentos, os HC expeliram hinos de podridão como Mutilada em 10s e Compulsão Mucofágica que causaram um frenesim de mosh e crowdsurfing que chegou mesmo a desembocar em confrontações violentas. Provando que o romantismo não morreu, os HC dedicaram Gore e Gajas à população feminina presente e Vulva Rasgada deixou-nos com uma lágrima no canto do olho. Ainda houve tempo para uma cover de Cripple Bitch dos lendários Gut.

O momento seguinte seria, como são todos, aliás, no Milhões de Festa, de viragem de 180º.  Para limpar o ar insalubre subiram os Claiana, projecto de Gui e Luís profundamente inspirado no Zouk, género musical originário da América Central e que se difundiu principalmente pelo Brasil e Cabo Verde. Sempre bem-disposto, Gui conduziu a actuação com o seu falsetto enérgico que, segundo a banda, tanto deve a Michael Jackson como a Bruce Lee. Cherry, Bizu, Gato Assanhado e Manif perfumaram o Taina com odores tropicais e meteram o pessoal a dançar, chegando, inclusive, a haver crowdsurfing por parte da malta mais em transe.

16551_618221241535529_658562295_n

Claiana

Apesar de ainda haver DJ Lynce + Pedro Beça + DJ Quesadilla + Tofu pela frente, é com a prestação da dupla Sabre que esta reportagem termina. O duo intensificou o ambiente tropical que os Claiana deixaram no ar, com um set entre o House e o Techno de profundos graves e cintilantes melodias que acaloraram a amena noite e obrigaram ao movimento corporal involuntário dos presentes.

* Por opção do autor, este artigo foi redigido ao abrigo do acordo ortográfico de 1945

Fotos: Joana Castelo e Miguel Refresco (Milhões de Festa)

Zeen is a next generation WordPress theme. It’s powerful, beautifully designed and comes with everything you need to engage your visitors and increase conversions.

Mais Artigos
Inês Aires Pereira
Inês Aires Pereira é a nova aposta para ficção da TVI