A segunda noite do MEO Marés Vivas 2013 teve direito a lotação esgotada. David Guetta foi o senhor da noite ao pôr 25 mil pessoas a dançar durante mais de uma hora e meia. A noite foi acima de tudo dançante com os sintetizadores dos LaRoux e Orelha Negra.

Num dia em que as atenções estavam viradas para o Palco MEO, o público deu, injustamente, menor atenção ao Palco Santa Casa. Os The Happy Mess deram boas indicações do que vai ser o álbum que vai sair já em Setembro, com vários riffs de guitarra à solta. O pouco público que se encontrava debaixo da tenda deste palco gostava, batia pé e aplaudia, só faltava mesmo mais gente.

Do outro lado do recinto a azáfama era bem maior, eram várias as pessoas, principlamente do sexo feminino, que já guardavam o seu lugar mesmo junto ao palco, com o objectivo de ver melhor James Morrison. No entanto, o britânico só iria subir a palco mais tarde, primeiro ainda iam passar outros nomes.

Orelha Negra

Nomes como os Orelha Negra, o projecto fortemente instrumental que conseguiu arrastar muito público até à zona do palco. A banda sonora foi uma viagem pelas influências que os Orelha foram colhendo, o hip hop, funk e o jazz. Um concerto que foi em crescendo, com a parte final a ter direito a mais comunicação e em boa hora o fizeram, pois secções do público, menos familiarizadas com o conceito da banda, estavam a sentir-se confusas. No final de contas, nota positiva para o colectivo lisboeta.

Pouco tempo depois, entrou uma das revelações pop dos últimos anos: Elly Jackson e o seu projecto LaRoux que começaram logo a atacar com um dos temas mais conhecidos, In For The Kill. A pop dos sintetizadores dos LaRoux em companhia com as luzes e com o gigante videohall resultaram num espectáculo bastante interessante para o público.

LaRoux

A nível musical, é necessário mencionar a apresentação das músicas novas. Os LaRoux revelaram, na Praia do Cabedelo, quatro peças inéditas (Kiss and Not Tell, Sexoteque, Tropcial Chancer e ainda Uptight Downtown) que nos deixaram com água na boca para o futuro álbum.

Chegou então o momento “fofinho” da noite: o concerto de James Morrison. O público estava recheado de casais, elas derretidas com a voz rouca do cantor britânico, eles com ar de frete e a pensarem que o esforço depois iria ser compensado. Musicalmente falando, o concerto de Morrison foi bastante competente, no entanto não muito adequado ao espírito de festival. O início foi morno, por vezes até frio. Os hits demoraram em chegar, mas assim que chegaram o público mudou imenso. Exemplo disso foram Broken Strings e Don’t Let Me Go que foram cantadas em uníssono por toda a gente.

James Morrison

A lua já ia alta quando o momento do segundo dia do Marés chegou: David Guetta. Só a preparação do cenário já indicava que algo épico se iria passar naquele palco. Um ecrã gigante, a mesa de mistura lá no alto, luzes, pirotecnia, mais luzes, confettis e luzes (já falei de luzes?). Pois, um espectáculo visualmente memorável. Quanto a música, essa também não defraudou expectativas. Ao longo do seu DJ Set de hora e meia, Guetta optou por passar temas de vários estilos da música de dança. Dubstep, drum n’ bass, techno até ao pop bastante dançável dos dias de hoje. Tudo o que David Guetta tocasse resultava em danças esquisitas, saltos, mãos no ar e outras coisas que a Língua Portuguesa não está preparada para descrever. Foi um grande espectáculo acompanhado de uma party people digna das melhores festas do mundo.

David Guetta

Hoje, o prato do dia é servido com Jared Leto e companhia; os 30 Seconds to Mars são os cabeças de cartaz, num dia em que também vai haver  Virgem Suta, Klaxons e o padrinho desta edição do Marés, Rui Veloso.

*Este artigo foi escrito, por opção do autor, segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1945

Fotos: Inês Delgado