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SBSR, dia 18: Aquecimento vigoroso para começar

O primeiro dia do 19.º Super Bock Super Rock contou com um recinto prometidamente mais verde, mas onde ainda assim os Arctic Monkeys conseguiram fazer levantar poeira. Nada das irrespiráveis nuvens de edições anteriores, num primeiro dia que apesar de ainda ter tido alguns momentos de maior calmaria, traz mais esperança que a edição de 2012.

O primeiro concerto a que assistimos foi o de Kalú, que chegou ligeiramente atrasado ao Palco EDP. O baterista dos Xutos & Pontapés continua a apresentar Comunicação, que lançou este ano. O registo oscila entre um punk mais saltitante e registos mais calmos. Acompanhado em palco por “chavalada à maneira” que já nos é conhecida de outros projectos, não deixou de parecer, muitas vezes, acima da idade permitida para as atuações ao vivo.

sbsr2013 1dia (4)Da experiência de Kalú passamos para a irreverência das Anarchicks. Ainda relativamente inexperientes e novatas, não eram reconhecidas por todo o público como artistas portuguesas. Começaram um bocadinho tremidas, talvez da responsabilidade de abrir o Palco Super Bock, mas à segunda música já o público – que ainda não era muito – lhes dava atenção. Algo ecléticas nas influências, apresentaram-se em palco com um instrumental musculado e jingão. As meninas da Chifre ainda só têm um álbum, Really?!, mas parecem bem lançadas. Forever e Restraining Order, os dois singles do registo de originais, foram as maissbsr2013 1dia (10) bem recebidas num concerto que foi um bom cartão de visita.

Mazgani foi outro português que mereceu a nossa atenção. O olhar marcado do luso-iraniano coincide bem com a sua voz, encorpada e cheia de soul. Os blues foram uma escolha bem apetecível para quem não apetecia Azealia Banks e nós, que já o conhecemos desde 2007, tivemos mesmo pena de não poder ficar mais um pouco. Ainda deu para ouvirmos a Beggar’s Hands, não está tudo perdido!

Primeiro grande nome do Palco Super Bock, Azealia Banks trouxe uma ghetto energy e um bom corpo, em indumentária a la amazona dominatrix, ao recinto principal. A rondar entre Missy Elliot e Beyoncé, teve a fibra de uma diva e o público foi respondendo à performance histriónica com alguma dança. 212, o hit sbsr2013 1dia (15)fabricado com Lazy Jay, podia ter sido excelente se estivéssemos numa pista de dança. Antes desfilaram ainda Esta Noche, Liquorice e 1991, com as rimas eletrónicas a não quebrarem o ritmo até ao fim, que chegousbsr2013 1dia (19) com Yung Rapunxel. Não foi mau, mas pareceu quase sempre ‘desambientado‘.

Mais uma corridinha para chegarmos ao Palco EDP. Os nórdicos Efterklang foram comunicativos e conseguiram chegar aos portugueses, um público que já conhecem bem. A música soou bastante bem, numa cuidadosa e embalada melodia, ou não fossem eles meticulosos dinamarqueses. Não sabemos bem porquê, mas nem sempre os espectadores que nos rodeavam foram tão efusivos como eles mereciam. A banda provocou um atraso na nossa chegada a Johnny Marr e não nos arrependemos nada. Modern Drift, a etérea
sbsr2013 1dia (29)Black Summer ou Dreams Today foram suficientes para a conquista.

Johnny Marr, bem conhecido como uma das mentes geniais por trás dos Smiths, era o senhor que se seguia. A performance a solo foi segura e regular, soando sempre britânica e trazendo o rock novamente ao palco, depois da passagem de Azealia Banks. O público foi respondendo moderadamente, em claro compasso de espera para Arctic Monkeys. Marr fez desfilar alguns sucessos da banda que o celebrizou, ao mesmo tempo que foi inaugurando The Messenger, que é o seu primeiro disco a solo. Enquanto vocalista foi competente, oferecendo canções enérgicas e cheias de brilho. Generate Generate, The Messenger e European Me foram, do registo próprio, as que no ficaram mais no ouvido. O final, com direito a coro, mãos dadas e isqueiro no ar, foi com How Soon Is Now e There Is a Light That Never Goes Out, dois clássicos dos Smiths.

sbsr2013 1dia (32)Chegámos bem a tempo de Toy, que começou com 20 minutos de atraso, devido a uma perda de bagagem. A banda inglesa gerou curiosidade, mas não foi capaz de segurar um público que já andava há muito tempo a querer Arctic Monkeys. Além do atraso, e dos problemas de som que abafaram a voz principal, este foi um concerto que pecou por ser morno e distante. Não ajudou o facto de serem pouco conhecidos entre a maioria do público nacional.

Arctic Monkeys chegaram, pontualmente e em forma. A aura de estrelas fez-se sentir desde os primeiros segundos, animados pelos acordes fortes de Do I Wanna Know?,  primeiro single para AM, próximo álbum. É um tema cheio de estilo, à semelhança do que pudemos ver da banda esta noite. Alex Turner está um frontman feito. Arrojado, seguro, engatatão. Conseguiu estar ao lado de cada um dos elementos do público, presente em cada momento do concerto, aliando uma voz que arriscamos dizer que está mais grave a temas diretos, incisivos e tão presentes nas histórias quotidianas.

E não é só a brilhantina que cintila, esta noite. O público, em êxtase, agita uns bastões de luz que criam uma belíssima paisagem visual e que vão abanando ao ritmo de uma sucessão de hits dos quais destacamos Brianstorm (primeira grande sucessão de gritos da noite!), Dancing Shoes, Teddy Picker, Crying Lightning, I Bet You Look Good on the Dancefloor, Fluorescent Adolescent e a (quase) final R U Mine?. Para o encore, que não se guardou com grande surpresa, ficaram mais três músicas e o fim chegou introspetivo e emocionalmente arrebatador, com 505.

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Texto: Pedro Miguel Coelho

Fotos: André Cardoso

* Por restrições de management da banda não somos autorizados a publicar imagens do concerto de Arctic Monkeys.

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