O dia inaugural do MEO Marés Vivas teve direito a uma série de viagens até aos anos 90, rock adolescente de garagem e ainda uma pop com um futuro bastante promissor.

A Praia do Cabedelo voltou a vestir-se de local de concertos para a 11.ª edição do MEO Marés Vivas. Edição que trouxe uma série de novidades, a começar logo pelo Palco Santa Casa que passou a receber nomes que irão marcar a música portuguesa. Exemplo disso foram os dois primeiros concertos do festival.

Throes + Shine

The Throes + The Shine, os gaienses levaram para palco uma mistura de rock e de guitarras com kuduro e sons africanos. Como recompensa conseguiram segurar algumas pessoas que deixaram as filas para os stands dos patrocinadores e rumaram para a cobertura do Palco Santa Casa.

Glockenwise

Vindos de Barcelos, os The Glockenwise deram um grande espectáculo. Canções cheias de refrões orelhudos acompanhados de riffs bem potentes ao estilo Garage Rock. A banda aproveitou ainda para apresentar várias canções do seu recém lançado segundo álbum, Leeches. A promoção do novo álbum mostrou o lado humorístico da banda, com expressões como “Comprem o nosso álbum. É bué barato, mais barato que a irmã do Rafa” (NDR: Rafa que é o guitarrista da banda). Um bom concerto que, certamente, deixou todos com esperança para o futuro do rock português.

À boleia do cancelamento de última hora dos Beware of the Darkness, o projecto WE TRUST, de André Tentúgal, saltou para um horário mais tardio, beneficiando de mais público e ombreando com os cabeças de cartaz. A banda apresentou-se em palco diferente do habitual, com uma componente de sopros bem maior do que o costume. A jogar em casa, os WE TRUST mostraram de que são feitos: pop, electrónica e os agudos de Tentúgal. Tudo junto resulta em músicas bem harmoniosas que metem o público a dançar. Nota ainda para a presença de Catarina Salinas, dos Best Youth.

We Trust

As horas passavam e estava na altura de um dos grandes momentos da noite. Os Bush trouxeram uma máquina de tempo que fez com que os milhares de trintões e quarentões viajassem até à década de 1990. O concerto de ontem explica o porquê da reunião dos britânicos: fazer grandes concertos rock. Um destaque para Gavin Rossdale que saiu de palco e subiu o monte que limita o recinto do Marés, deixando o público em êxtase.

Bush

O último concerto da noite é também o primeiro na lista dos melhores. The Smashing Pumpkins prolongaram a viagem aos 90 iniciada pelos Bush. Dotados de uma discografia de grande qualidade, os Smashing começaram bem cedo o desfile dos êxitos que os levaram à ribalta. O público viu (e ouviu!) com bons olhos esta escolha, pois a diferença de apoio entre os velhos êxitos e as novas músicas era notória, com os sucessos a ganharem.

Smashing Pumpkins

1979 marcou o único encore da noite e lembrou ao público gaiense a variedade de sons que os Smashing Pumpkins produziram ao longo da sua carreira. 13 anos depois de terem passado pelo nosso país, os americanos voltaram com estatuto de banda de culto protagonizando o melhor concerto da noite.

Hoje o Marés vira pista de dança com Orelha Negra, LaRoux e David Guetta.

*Este artigo foi escrito, por opção do autor, segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1945

Fotos: Inês Delgado