O nome de Guillermo del Toro, só por si, chama todas as atenções e promete, sem dúvida, algo de grandioso. É o caso de Batalha do Pacífico, o blockbuster que, não sendo surpreendente, prima pela excelente capacidade de entretenimento e originalidade q.b.

 Ninguém fica indiferente aos monstros “intra-terrestres” e aos robots criados pelos homens para os combater. Esta Batalha do Pacífico é grande e muito bem concretizada, cheia de acção e com um excelente toque de humor – até mesmo depois dos créditos.

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Quando criaturas monstruosas – os Kaiju – começam a emergir do mar, tem início uma guerra que ameaça a humanidade. Para combater os Kaiju, os homens criam um novo tipo de arma, robots gigantes – os Jaegers – controlados simultaneamente por dois pilotos, cujas mentes estão presas numa ponte neutral. Quando até os Jaegers não estão à altura dos Kaiju, e à beira da derrota, tem de se convocar os melhores pilotos que ainda restam – entre eles um ex-piloto e uma inexperiente estagiária -, e que são a última esperança para salvar a humanidade.

2012 passou e o Apocalipse tomou uma nova forma este ano. As catástrofes de fim do mundo que nos trouxeram recentemente filmes como Procurem Abrigo (2012), Melancolia (2011),  Até que o Fim do Mundo nos Separe (2012) ou 4:44 Último Dia na Terra (2011), por exemplo, deram lugar a outro tipo de ameaças. Em 2013, há três filmes apocalípticos que se destacam: Esquecido, WWZ: Guerra Mundial e agora Batalha do Pacífico. É um facto que as ameaças à sobrevivência da humanidade estão mais fantasiosas – respectivamente, o típico domínio extra-terrestre, uma praga de zombies e os monstros intra-terrestres de Guillermo del Toro.

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Comparações à parte – desde as semelhanças que têm vindo a ser apontadas com anime ou manga, ou mesmo com Godzilla -, certo e que há alguma originalidade neste blockbuster, recheado de acção e batalhas épicas. Longe está qualquer tipo de profundidade psicológica. Batalha do Pacífico é um filme que entretém, previsível e recheado de clichés, mas tem o toque autoral de del Toro que faz toda a diferença e vale por esses pequenos pormenores.

A seu favor, está toda a componente técnica: realização, montagem, fotografia, efeitos especiais, e até mesmo o 3D (após a visualização na sala IMAX, posso confirmar a qualidade da experiência 3D) são de alto nível.

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No elenco, o destaque vai para Idris Elba como o corajoso e dedicado Stacker Pentecost, Rinko Kikuchi como Mako Mori, a jovem e talentosa estagiária, e Ron Perlman como o temível mas hilariante Hannibal Chau. O humor é-nos proporcionado essencialmente pela excêntrica dupla  Dr. Newton Geiszler (Charlie Day) e Gottlieb (Burn Gorman) os mestres da ciência do filme.

Longe de ser o melhor trabalho de Guillermo del Toro, Batalha do Pacífico cumpre com competência a sua função de blockbuster de Verão – entretém e envolve-nos na trama até ao último minuto, mesmo que já possamos adivinhar o que virá a seguir. Ainda assim, a surpresa está onde menos se espera, e a longa-metragem traz consigo momentos singulares que lhe dão esse toque especial.

7/10

Ficha Técnica:

Título Original: Pacific Rim

Realizador: Guillermo del Toro

Argumento: Travis Beacham e Guillermo del Toro

Elenco: Charlie Hunnam, Diego Klattenhoff, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Charlie Day, Burn Gorman, Max Martini, Robert Kazinsky, Ron Perlman

Género: Acção, Aventura, Fantasia

Duração: 131 minutos

Crítica escrita por: Inês Moreira Santos

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945