Desde 24 de Março, e em cada Domingo, o Espalha-Factos tem uma nova iniciativa. Depois de, com o A Recordar, termos relembrado grandes actores e actrizes que não viram o seu talento reconhecido (ou apenas tardiamente tal aconteceu) ou caíram no esquecimento, desta vez iremos destacar alguns dos nomes mais Queridos de Hollywood, numa rubrica com o mesmo título.

Nascida em Estocolmo, a beleza inigualável e mistério à volta da sua figura conquistaram rapidamente Hollywood, onde foi estrela em filmes mudos e também sonoros. A querida de Hollywood de hoje é, segundo o American Film Institut, a quinta maior lenda feminina da sétima arte, Greta Garbo.

Antes de Hollywood

Nascida na Suécia a 18 de Setembro de 1905, Greta Lovisa Gustafson (que viria depois a adoptar o nome Garbo) era a mais nova de três irmãos.

Aos 14 anos, perdeu o pai, algo que viria a marcar o seu futuro não só a nível pessoal mas também profissional, já que cerca de um ano depois abandonou os estudos para se empregar como vendedora nuns armazéns suecos, PUB.  Foi aí que surgiram as primeiras oportunidades de representação, de uma forma quase casual, através de anúncios publicitários para a loja.

Depois disso, veio o papel na comédia Peter The Tramp, em 1922, e logo de seguida uma bolsa de estudo para frequentar a Academy of the Royal Dramatic Thatre, uma formação comum a quase todos os actores suecos.

No ano seguinte, foi a vez de entrar no filme daquele que viria a ser o seu mentor, Mauritz Stiller, Gosta Berling’s Saga, um sucesso tanto a nível comercial como junto da crítica. Com mais alguns filmes nos dois anos seguintes, o nome de Garbo foi ganhando relevo no contexto europeu.

Em Hollywood: Veni, vidi, vici

Com o sucesso de Gosta Berling’s Saga, Greta Garbo ganhou um contrato com a MGM, na época comandada por Louis B. Mayer. A mudança para a Califórnia deu-se em 1925 e o seu primeiro filme em solo americano foi The Torrent, estreado no ano seguinte. The Temptress e Flesh and the Devil viriam a completar a tríade que transformou Greta Garbo numa estrela internacional em rápida ascensão. Durante os anos seguintes, e após uma renovação com a MGM, Garbo fez ainda mais sete filmes mudos.

Anna Christie, de 1930, marca a passagem da actriz aos filmes falados, passagem essa que conseguiu ser feita com sucesso, ao contrário da maioria das actrizes de Hollywood daquela época. Fez ainda mais de uma dezena de filmes, todos para a MGM, dos quais se destacam Queen Christina, de 1933, e Ninotchka, de 1939.

queen_christinaO rosto imóvel de Greta Garbo em Queen Christina

Com a chegada da Segunda Guerra Mundial e o insucesso do seu último filme Two-Faced Woman, de 1941,  Greta Garbo retirou-se do grande ecrã, numa espécie de auto-exílio artístico, para não regressar mais.

Prémios e reconhecimento

Como uma das actrizes mais influentes, se não mesmo a mais influente, da sua época, foi quatro vezes nomeada para o Oscar de Melhor Actriz: em 1930, duas nomeações por Anna Christie e Romance, em 1938 por Margarida Gauthier, e em 1940 por Ninotchka.

ninotchkaA actriz no filme Ninotchka

Posteriormente, Greta Garbo foi premiada pela Academia, em 1955, com um Prémio Honorário, pelas “interpretações inesquecíveis”. Afastada do grande ecrã, a actriz não foi receber o prémio, tendo este sido recebido por Nancy Kelly em seu nome.

A estrela no Passeio da Fama chegaria em 1960. No seu 100º aniversário, o American Film Institut elaborou uma lista com as 50 maiores estrelas de sempre do grande ecrã, 25 masculinas e 25 femininas. Nessa lista, Greta Garbo ficou em quinto lugar, consagrando um estatuto que lhe estava há muito atribuído.

 A figura enigmática

Reservada, a vida privada da actriz era mantida longe da esfera pública, o que só aumentava o mistério em torno da sua figura. Nunca casou e não teve filhos, apesar de algumas especulações sobre as relações amorosas que manteve. Ao nível dos seus círculos sociais, foi cultivando amizades com personalidades importantes, como o magnata Aristóteles Onassis.

Morreu a 15 de Abril de 1990 em Nova Iorque, cidade para onde se tinha retirado após deixar de lado o mundo da representação.

De Greta Garbo resta o legado cinematográfico e a imagem de uma beleza ideal e imaculada, um “rosto-objecto”, tal como definiu Barthes.

*Este artigo foi escrito, por opção da autora, segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945