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Músico cabo-verdiano Bana falece aos 81 anos

Foi na passada madrugada de 13 de julho que Bana deu o seu último suspiro. O músico cabo-verdiano, intitulado pelo público como “Rei da Morna”, faleceu aos 81 anos no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures. O funeral será amanhã.

De seu nome Adriano Martins, Bana teve um desempenho fundamental para a difusão da música cabo-verdiana no mundo e numa Europa que recebeu o seu trabalho de braços abertos. Depois da morte de Cesária Évora, esta é a maior perda para a morna cabo-verdiana, em vias de se candidatar a Património Imaterial da UNESCO. Há três anos que Bana estaria gravemente afetado pelos diabetes e outras doenças, que o deixaram acamado.

Bana nasceu na Ilha de São Vicente, freguesia de Nossa Senhora da Luz, no Mindelo, a 11 de março de 1932. Desde cedo cantou na rua para os vizinhos as típicas mornas e coladeiras, até começar a frequentar o espaço do compositor B.Léza, a quem foi beber influências melódicas.

Pobre e sempre descalço, Bana era inibido de cantar em casas de melhor qualidade, até que a passagem de Manuel Alegre e Fernando Assis Pacheco pelo Mindelo, integrados na Tuna Académica de Coimbra, lhe despertou a vontade de vir para Portugal. Veio dez anos mais tarde, em 1969, para a inauguração da Casa de Cabo Verde em Lisboa, já reconhecido internacionalmente.

Entretanto passou pelo Senegal onde logrou aprofundar os seus conhecimentos musicais e foi convidado para gravar um disco com a Pathé Marcony. Dali parte à conquista de Paris e, logo a seguir, da Holanda, em 1968. Nesta época grava dois dos mais emblemáticos discos da sua carreira, Nha Terra (1966) ou Rotcha-Nú (1969).

Translada-se definitivamente para Portugal, nos últimos anos da Ditadura, e o seu sucesso é tamanho que o governo o convida a descolar-se aos EUA em digressão e às colónias ultra-marinas de São Tomé, Angola e Guiné-Bissau.

Logo após da revolução de Abril, inaugura em 1975 o restaurante Novo Mundo, mais tarde nomeado Monte Clara. Seguiu-se a loja de discos Cretcheu. Por ali vão passando dezenas de músicos, cantores e autores recém-chegados à capital, e alguns são apoiados por Bana. Celina Pereira, Tito Paris, Paulino Vieira, Leonel Almeida ou Titina, são apenas exemplos célebres. A sua intensa atividade musical grangeou-lhe uma condecoração da Ordem de Mérito Oficial, pelas mãos do então Presidente da República Mário Soares e pelos Presidentes de Cabo Verde Mascarenhas Monteiro e Jorge Carlos Fonseca.

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Começa então a vontade de se retirar, mas retornou sempre aos palcos. Em janeiro de 1992 a Aula Magna recebe um concerto em sua homenagem e, no final da década, Lisboa recebeu novo concerto, desta feita, no Coliseu, o que gerou a gravação de um CD duplo. Outro trabalho gerou-se em 2007, lançando Bana e Amigos, álbum e DVD.

No primeiro trimestre de 2008, sofre um acidente vascular cerebral e não voltaria a recuperar. Foi submetido desde então a tratamentos de hemodiálise, mas no último sentiu-se mal e resultou num internamento no Hospital de Loures, a sua última morada.

O secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, expressou em nota de imprensa o pesar nacional e sublinhou o papel de Bana na divulgação da lusofonia: «O Governo português lamenta a morte de um grande cantor e homem de cultura, que marcou e ajudou a formar a identidade lusófona e contribuiu para a projetar no mundo».

Depois do velório na manhã de hoje, o funeral realiza-se dia 15 de julho, às 14h15, no Cemitério do Alto de São João, onde, segundo nota da embaixada de Cabo Verde, “o corpo será cremado, segundo o desejo manifestado em vida” por Bana.

Para a posteridade fica o extenso trabalho musical, com mais de 50 discos editados, e um percurso que mudou o rumo da música cabo-verdiana e que hoje faz parte da sua História.

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